Maysa, Agora
Texto de Zélia Prado
Fotos de Orlando Abrunhosa
Com seus olhos grandes, verdes,
fortes, sua voz quente e rouca, seu jeito especial e inconfundível, Maysa
voltou. Para ficar? Ninguém sabe. Nem mesmo ela, que sonha em morar em Lisboa,
com seu marido e o filho do primeiro casamento. Mas quem quiser a antiga Maysa,
a expressão máxima da fossa na música popular brasileira, não a encontrará
mais. Essa já não existe. Hoje Maysa é outra, de alma leve, apaixonada,
respirando um ar puro que não deixa mais lembrar aquela velha imagem de um copo
de uísque na mão esquerda e o cigarro na direita.
Todo mundo já disse que Maysa
voltou. Que agora é uma nova mulher, mais bonita e serena, mais quieta e feliz.
Dizem também que veio para ficar. Não é verdade. Maysa apenas chegou para ver e
saber do que anda acontecendo por aqui. Ela quer morar em Lisboa, com Miguel,
seu marido, e Jayme, seu filho de 12 anos.
Agora, é diferente. Maysa fala de
tudo, até do passado que complicou muito a sua vida, e do qual ela não
conseguia falar sem uma grande exaltação. Agora Maysa é tranquila, não se
esconde, gosta de viver e gosta de Miguel, sua principal razão. Bonita.
Emagreceu e parece ter crescido mais. Tem o cabelo acobreado e uns olhos
terríveis, verdes e fortes.
Hoje, é capaz de dizer porque
aconteceram certas coisas, é capaz de situar-se naquilo que antes ela apenas
descrevia como uma grande confusão. No momento ela se dedica a um trabalho
carinhoso de escolha. Devagar, vai ouvindo muitas novas músicas, conhecendo
novas pessoas. Música boa há em toda parte, até na Penitenciária Lemos Brito
onde as pessoas tem o samba reforçado de amor.
Quando chegou ao Rio, todos a
vimos inteligente, crítica, segura. Miguel está sempre perto, atento. Às vezes
falam castelhano, às vezes, português, às vezes só se falam pelos olhos, com a
mesma clareza. Maysa Monjardim, ex-Matarazzo, agora casada com um belga
naturalizado espanhol, não é uma pessoa simples que a gente conhece num dia
qualquer. É complicada, estranha, porque já viveu o suficiente para isso.
Tímida, não. Cuidadosa, talvez. Ela não poupa ninguém quando se refere a
setores da imprensa que em outros tempos lhe causaram inúmeros aborrecimentos.
Mas também não poupa quando se atira à autocrítica, franca e abertamente. Maysa
sabe hoje, que a vida melhorou. Acaba a fase do “Ouça” e “Meu Mundo Caiu”.
“Ouça”: um modo de surgir e
também fugir. Em 57, apareceu uma moça cantando. Ela surgia de repente, com um
sobrenome importante e um excelente “pedigree”. Bem nascida, bem criada, a
música popular brasileira ficou na expectativa de ver o que ia dar. Surgiu
cantando “Ouça”, que só dizia tristeza do começo ao fim. Maysa Matarazzo,
casada com o industrial André Matarazzo, mãe de um menino, há muito tempo
travava relações com gente ligada ao meio musical. Sua casa era frequentada por
Elizete Cardoso, por exemplo. E era em casa que ela cantava, acompanhada pelo
violão de alguns amigos. Nasceu junto com a bossa nova, com “Barquinho”, de
Menescal e Bôscoli. Foi revelação, foi melhor cantora, foi tudo. Mas havia de
pagar muito caro por isso. Pela maneira especial de cantar, pelo gênero que
fazia, Maysa foi talvez a cantora que mais sofreu o massacre da popularidade.
Entraram pela sua casa, invadiram
seu domínio e sua intimidade, vasculharam sua vida pessoal. Começaram os
problemas: Maysa e André se separaram, ela veio para o Rio para nunca mais
voltar à sua casa paulista.
Não é difícil ter acesso à cantora, nem à mulher. Estamos em seu apartamento em Copacabana, numa rua das mais raras, onde não se ouve o barulho dos ônibus nem das buzinas do dia. Maysa, de calça comprida, esguia, sem maquilagem, sentada sobre uma perna, ao lado de Miguel. Dias antes, acontecera a estreia de seu programa na TV Tupi, de onde agora é contratada.
- Maysa, você se queixava muito
do Brasil, não é? Que não chamavam você, que todos já a tinham esquecido e
coisas no gênero. Como foi o convite da TV Tupi? E porque você acha que ele
aconteceu justamente agora?
- Todas as queixas que eu fiz
tinham sua razão, entende? Quando apareci como cantora, puseram-me lá em cima,
você lembra? Depois as coisas mudaram, eu fugi. Você vê pela sucessão de
viagens que já fiz, minha terrível necessidade de fugir das pessoas, de quando
em quando. E aí fiquei lá fora por mais tempo, cantando para uma gente não é a
minha. Ninguém se lembrou de me chamar. Desta vez foi em Lisboa. Encontrei-me
com Flávio Cavalcanti no hotel e ele me falou que caso eu voltasse, haveria um
lugar certo em seu programa de calouros, “A Grande Chance”.
- A Tupi foi bacana com você, não
é, Maysa?
- E eu fiquei emocionada com
isso. Eles foram carinhosos, receberam-me de uma forma muito especial. Agora,
já tenho um ponto de partida. Em sua casa, o movimento é grande, todos os dias.
Hoje, ela ainda conversava com um compositor quando cheguei. Amanhã, um
bate-papo com Antônio Adolfo, autor de “Sá Marina” e “Meia-Volta’, para
escolher algumas músicas que entrarão no próximo disco. Miguel, gravador em
punho, faz a agenda de sua mulher. É ele quem comanda a parte mais difícil do
espetáculo, marca as horas, os encontros e entrevistas.
A memória de Maysa é relativa e
oscilante. Infância, quase apagada.
- Eu me lembro de tão pouca
coisa, sabe? Há inclusive um período em minha vida que parece estar
completamente em branco; aliás, vários períodos. Infância mesmo, lembro de
quase nada. De minha casa, porém, lembro demais. Era uma casa enorme na Rua
Visconde de Silva, em Botafogo, que hoje está transformada em hospital. Tinha
um pé de abiu (uma frutinha que está fora de moda), tinha uma goiabeira, bacana
onde eu me instalava por horas inteiras e era um custo me fazerem descer, tinha
um telefone do qual me lembro bem. Lembro dos móveis, dos tapetes. Essa casa
marcou muito, está em quase todos os meus sonhos. Um dia, eu gostaria de viver
lá. Sou filha única de pais preocupados. Eles sempre exerceram sobre mim uma
influência importante, sempre correram para me buscar quando eu passava tempo
demais fora, isso depois de mulher feita, mãe de Jayminho.
Hoje é aniversário do pai de
Maysa. De vez em quando ele telefona e conversam um pouco sobre as fitas, as
gravações ouvidas. De noite, ela irá vê-lo e abraçá-lo pelo dia.
Maysa cresceu. O pai, fiscal do
imposto de consumo, viajava demais acompanhado de sua mulher. Era preciso um
lugar seguro, no conceito da época. Maysa foi interna para o Sacré-Coeur de
Jesus de São Paulo, no mais tradicional estilo. Lá, muitos hábitos foram
adquiridos, como por exemplo dormir com as pernas encolhidas, jamais esticadas
sobre a cama.
- A freira dizia que se a gente
dormisse com as pernas esticadas, e se assim morresse, o demônio vinha de noite
levar a gente pelo pé. Hoje, não consigo me livrar disso. É claro que nenhum
demônio vai me levar, mas eu ainda encolho as pernas para dormir.
Foi ainda no internato que ela
começou a namorar André Matarazzo. Muito mais velho que Maysa, ele era amigo da
família. Maysa era linda e era uma menina de 14 ou 15 anos. André cultivou-a a
seu modo, preparou-a para ele. Levava bombons para o colégio, dava presentes,
levava Maysa para passear aos domingos. Aos dezessete anos ela se casou.
- Maysa, eu me lembro de quando
você foi embora do Brasil, ressentida, magoada, fugida. Agora vamos voltar à
questão do que você chamou “esquecimento”. Eu acredito sinceramente que as
pessoas tivessem medo de falar com você, entende?
- Era preciso que eles me
chamassem para saber se eu queria ou não. E que medo é esse? Você sabe
exatamente porque eu tive que ir embora? Porque na época, era livre um tipo de
imprensa que a gente chamava de marrom. Essa imprensa acabou comigo, fez o
diabo. Uma vez, na boate Meia-Noite, no Copacabana Palace, eu estava num grupo
onde qualquer coisa muito engraçada foi dita. Num gesto meu, couberam várias
legendas de escândalo. Só porque durante um segundo eu debrucei sobre a mesa,
onde estavam copos e garrafas, já que era na boate que eu estava. E por
incrível que pareça eu estava rindo, estava alegre, estava alegre de uma piada,
compreende? Essa imprensa me deu o dissabor de passar pela rua e ver em cada
banca de jornal uma insinuação do maior mau gosto. Essa imprensa me
escandalizou. Você devia ser muito menina, não sabe bem como foi. Mas foi
demais. Insuportável mesmo.
- Eu me lembro sim...
- E isso ainda era o de menos. E
foi por essas e outras que eu resolvi desaparecer do mapa, entende? Não quero
justificar minha vida nessa fase. Passei por uma crise aguda, bebi muito. A
bebida causava os maiores estragos em mim. Tem gente que bebe dia e noite e
continua a raciocinar direitinho, como sempre. Comigo não é assim. A bebida
sobe à cabeça e eu me torno profundamente agressiva. O pior é que essa agressividade
é dirigida às pessoas que eu mais gosto na vida. É uma defesa, não há dúvida,
mas uma defesa dolorosa.
Não conheci essa Maysa de quem
ela fala. Conheço outra, muito diferente e muito serena. Hoje, beber é
inteiramente dispensável.
Jayme, seu filho, vai chegar de
Madri para férias e sobretudo para matar as saudades. É um menino bonito.
Quando fala nele, Maysa se enternece.
- Jayminho é um menino ainda.
Está interno num colégio de Madri e leva a vida de uma criança tipicamente
europeia. Lá, por vários motivos, a infância é maior, dura mais tempo. Aos doze
anos, um menino ainda é uma criança no exato sentido da palavra. Gosto do tipo de
educação que ele recebe, do jeito dele. Além do mais, é um filho maravilhoso,
que entende as possibilidades e limitações que nós temos com relação a ele.
Nunca menti para Jayme, nunca apareci de máscara, sabe? Um dos motivos que me
levaram a deixar o Brasil foi meu filho. Eu não queria que na escola ele fosse
uma criança diferente, por ser o filho de Maysa, porque não seria apenas assim.
Palavra de honra, eu pensei muito nisso quando resolvi ir embora. Hoje,
acredito que meu filho seja feliz seja integrado.
Quando o menino nasceu, Maysa
esteve entre a vida e a morte. Só foi conhecê-lo dias depois, uma compensação
radiosa a todas as angústias e medos até então sofridos.
Uma noite, na boate Sacha’s, ela
decidiu que não voltaria mais a São Paulo. Estava com seu pai, o grande amigo e
testemunha. Amanhecia na Avenida Atlântica, eram quase seis horas da manhã.
Maysa nunca mais voltou. Começou a atuar no Rio, foi morar sozinha. Mesmo só,
num reduto próprio Maysa se cansava e tinha vontade de fugir. Fugiu. A Europa
estava lá esperando, era 1959.
- Maysa você foi para que?
- Eu fui para sair daqui, só
isso. Fugi. Fiz minha primeira viagem sozinha, completamente sozinha. Em Paris,
fizemos logo um grupo que andava sempre com o dinheiro curtíssimo. Mimi Ouro
Preto, Vera Barreto Leite e eu. A vida era dura. Mas foi maravilhoso passar
seis meses vivendo lá. Uma experiência notável que me ajudou, me ensinou. Quase
me casei com um jornalista português exilado, conheci um mundo de gente
formidável, um mundo de gente não formidável.
Maysa prepara cuidadosamente seu
disco de regresso. Durante dias e dias ela ouve, discute e escolhe. A pessoas
acham que o disco vai ser na base da fossa.
- Não, o disco tem o que eu achar
mais bonito, o que for melhor. É por isso que estou escolhendo. Senão, eu
pegava umas músicas que já conheço e gravava direito, não é? Amanhã, por
exemplo. Amanhã, vou à penitenciária Lemos Brito, ver as músicas que os rapazes
fizeram para o festival deles. Quem sabe, de lá sai uma faixa do meu disco.
Fui com Maysa à Penitenciária,
num dia de muito sol, às três horas da tarde. Eu não sabia exatamente o que ia
acontecer nesta visita. O objetivo era ouvir música com atenção, passá-la para
o gravador. Mas que espécie de música pode fazer um homem que há muito tempo
está fora do mundo? foi uma das experiências mais importantes que cada um de
nós viveu, naquele auditório enorme e limpo da Rua Frei Caneca. Nem todos os
presos estavam lá. Somente alguns, já que Maysa não ia cantar para ninguém.
Eles têm uma orquestra composta quase que totalmente por instrumentos de sopro,
mais o piano e o ritmo. Primeiro, ouvimos as três primeiras classificadas. Na
primeira delas, Maysa parou. A música “O Guia”, foi a mais querida para ela.
Nenhum de nós escondia um certo deslumbramento diante do que estava
acontecendo. Maysa, ali, era uma visita de honra para todos. Uma espécie de
mito que deixava sua redoma de aplausos e flores para penetrar no mundo deles.
Depois de Paris, de todo o
aprendizado pessoal que Maysa sofreu, a volta ao Brasil. Mas ela não queria
saber de estabelecer-se ainda. A Real inaugurava uma linha para Tóquio e
pretendia vê-la entre seus passageiros. Passou três dias em Nova Iorque e
depois foi a Los Angeles. Lá, recebeu um convite para atuar na boate Blue
Angel, por uma temporada. Ela não poderia supor que apenas de passagem pelos
Estados Unidos pudesse receber propostas de mudança.
Os pais, novamente tomaram uma
providência: foram buscar Maysa, desfizeram seu apartamento americano. Aqui ela
ficou apenas dois meses e seguiu para a Argentina onde ficou cinco. Brasil
outra vez. Até que apareceu um contrato para Portugal. Estamos em 1962. Ela
conhece Miguel Azanza.
- Foi então que minha vida, a
verdadeira vida começou. Eu atuava no Cassino Estoril e uma noite, pouco antes
de começar o show, estava no bar, sozinha. De repente se aproxima um grupo, com
uma moça que trazia um disco meu para ser autografado. Entre todos estava
Miguel, que nessa vez passou despercebido, juro que passou. Mas, quando teve de
ir à Espanha, tão amigos tinham ficado, Maysa esteve novamente com Miguel. E
quinze dias depois estavam juntos para o que desse e viesse.
- Era a primeira vez que eu fazia
qualquer coisa de importante sem a interferência de ninguém. Eu me sentia
livre, por isso mais segura e mais responsável. Passara toda minha vida como
que tutelada. Aprendera que as pessoas mais velhas têm sempre mais razão, eram
os donos da verdade e ponto final. Aí eu me senti muito eu mesma, sabe? Era eu,
finalmente, quem respondia por mim. É, eu nasci naquele dia.
- Eu não gosto muito de me
arrumar, sabe? Só mesmo em tevê. E aí tem que ser muito bem arrumada, muito bem
tudo. Em casa, eu ando como você vê. Calça comprida, nada de maquilagem, cabelo
solto.
Maysa fala nervosamente, a voz
grave, decidida e firme. Fuma muito, usa no dedo mínimo um anel de brasão.
Apesar do cigarro, os dentes são claros e grandes, o lábio com um jeito meio
amuado, mesmo na hora de sorrir.
- Sabe que eu e Miguel queríamos
muito ter um filho?
Maysa ternamente se lembra de Jayminho,
fala dele quase toda hora. Várias vezes é servido o café para nós. Ela se
esforça para manter a linha usando adoçante artificial.
- Maysa, eu vi seu programa. A
ideia de uma cantora subordinada a um texto não parecia ser real.
- Mas você não pode imaginar o
que foi. Até cinco minutos antes do programa, o maestro ainda não tinha
ensaiado comigo o que eu ia cantar, entende? Deu um medo enorme, mas o
improviso funcionou, como inexplicavelmente funciona na maior parte das vezes.
A gente compreende porquê. Para
Maysa, cantar é tão importante quanto receber ar continuamente. É uma forma de
vida, o único jeito que ela tem de “botar pra fora o que está aqui dentro”.
Essa expulsão de sentimento não
se condiciona a um só gênero, porque há muito para ser dito por Maysa, como
cantora e como mulher. Preciso dela por mais um dia, mas esse dia é apenas a
manhã, na praia, tranquilamente. Maysa, Miguel e eu, Ipanema toda para nós, sem
intromissões.
- Vamos casar pela terceira vez
não é incrível?
A alguém que se mostrou espantado
pela insistência do casamento legalizado no Brasil, Maysa demonstrou a maior
segurança:
- Casar não é mania não. É um
jeito que eu tenho de ser mais eu, ser mais feliz porque serei tranquila em
todos os sentidos. Nós casamos duas vezes, a segunda quando André Matarazzo
morreu. Agora, só esperamos pela anulação do primeiro matrimônio de Miguel, que
está por pouco tempo.
Miguel é três anos mais velho que
sua mulher. Um homem elegante sob todos os pontos de vista, na maneira de ser e
de vestir. Ele escuta Maysa falar e raramente interfere, ela não se constrange
diante dele, em momento algum. Eles vão morar em Portugal, ela não sabe quando.
- Portugal é maravilhoso,
gostamos de viver lá. E como brasileira, sou tratada de um modo bastante especial.
As pessoas têm um tipo de formação muito apurado, são realmente amigos quando
se aproximam da gente. Quando um português diz a você: “passa lá em casa
amanhã”, ele está te esperando com um bom jantar, ou um cálice de vinho
delicioso. O português leva muito a sério uma relação de amizade, uma ligação
afetiva de qualquer espécie. Talvez por causa disso eu me sinta tão em casa,
tão bem vivendo em Lisboa. Tão à vontade.
Ela não sabe até quando fica no
Brasil. O Brasil é sempre um passeio de reconhecimento entre pessoas e coisas
queridas, mas Maysa é mais Maysa quando pode ir e vir de todos os lugares que
ama e fazem parte de sua vida. E se a gente perguntar o quando de seus planos,
provavelmente vai ouvir alguma coisa que marca profundamente sua personalidade.
Ela gosta de imprevisto, detesta os planos pré-estabelecidos.
- A gente fica enquanto realmente
valer a pena.