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17 de agosto de 2019

Maysa na boate Number One, 1972



A cantora Maysa 

     Por três vezes, nos últimos dois anos, Maysa tentou ser algo mais que cantora. Ficou perto do fracasso como repórter e entrevistadora de televisão em 1970. Ficou perto do sucesso como personagem secundária de telenovela em meados do ano passado. E, no fim do ano, fracassou de vez como atriz de teatro. Nos três casos, foram tentativas desnecessárias: só provaram que ela é mesmo cantora, capaz de empolgar o público em grandes casas, como em duas cervejarias do Rio e de São Paulo, em 1969, ou no reduzido espaço de uma boate, como em seu show de agora na carioca Number One.
     Ela entra com os cabelos soltos, um vestido máxi branco e preto, e começa cantando “Tarde” com gestos e expressões que lembram a amargura, a fossa e o sofrimento que exibia no início de sua carreira. As palmas começam tímidas, aumentam no segundo número, o antigo bolero “Eclipse de Luna”, e se conservam entusiasmadas até o final, quando ela canta “Ouça” e a canção francesa “Ne Me Quitte Pas”.
Alegre e triste - Ao apresentar “Ouça”, Maysa já tem o público sob controle. Antes “botou todo mundo na fossa” cantando “Coração Ingrato”, ensaiou uns passos de dança e brincou com os acompanhantes em “Adeus, América”, homenageou sua personagem na telenovela “O Cafona” cantando o “Tema de Simone”. Pode, então, permitir-se a brincadeira e anuncia: “Quero cantar para vocês uma música que gravei há pouco e, eu sei, fará sucesso. Pois tudo o que eu gravo é sucesso”. A brincadeira, encaixada num show de boate, funciona. Mas sua interpretação nova para um de seus furores do passado é de fato surpreendente. Sua voz não é mais rouca e dolorida, como no princípio, mas aberta, forte, saída de uma garganta agora sem preocupação de estrangular sílabas ou prolongar frases.
     Torna a brincar no número seguinte, “Demais”, ao recitar os primeiros versos da música: “Todos acham que eu falo demais e que bebo demais”. E termina com o mesmo tom dramático da abertura, ao murmurar o refrão de ”Ne Me Quitte Pas” com toda a dor de uma amante suplicando para não ser abandonada. Nesse final, em “Ouça” e em “Adeus, América”, Maysa tem a parceria igualmente brilhante do conjunto de Osmar Milito, cujos componentes ela beija do início do show, com a seguinte explicação: “Ninguém vai entender o que está acontecendo. Mas é mesmo para ninguém entender. A classe artística é muito desunida”.
     Incompreensível, realmente, e dispensável num espetáculo como este de Maysa, que dura pouco mais de meia hora, com músicas bem escolhidas e melhor ainda executadas. Assim como são dispensáveis as tentativas dela nos últimos dois anos: por mais que ela procure outras formas de realização, é como cantora que ela alcança um nível superior entre as artistas brasileiras. 

Revista Veja, janeiro de 1972






    "A uisqueria Number One continua com casa cheia todas as noites, onde Maysa é a grande atração com os acompanhamentos do trio de Osmar Milito e o Quarteto Forma. Maysa, nesta temporada na house de Mauro Furtado está provando mais uma vez ser uma das melhores intérpretes brasileiras. A sua interpretação em Ne Me Quitte Pas é sensacional."

Correio da Manhã - Rio, terça-feira, 25 de janeiro de 1972





[...] "Vestida de preto, cabelos revoltosos, Maysa estreia nervosa. Limitada a pouco espaço por uma casa repleta (com muita gente do lado de fora sem poder entrar), ela começa com Tarde, de Milton Nascimento, e, aos poucos, vai ficando mais à vontade com o público. Tom Jobim, Caetano Veloso, Aloysio de Oliveira são os compositores que se seguem. É só música, nada de conversa. 'Decorei umas coisas aí, mas prefiro deixar o recado só na música.'
     E o recado musical tem a ajuda de Osmar Milito e seu conjunto, Quarteto Forma, e ainda uma percussionista que captava a atenção do público - Naíla Graça Melo, mulher do maestro. É um público exigente e crítico - se não a partir de padrões estéticos bem fundamentados, pelo menos em relação a seu gosto musical particular. É um teste rigoroso para uma artista que se considera tímida, mas que tem procurado enfrentar essa limitação." [...]

Maysa, o valor da interpretação. Jornal do Brasil - janeiro de 1972



LAN viu Maysa no Number One - Jornal do Brasil, janeiro de 1972








26 de julho de 2019

A última turnê: Maysa na boate Igrejinha





Continuam juntos

     Gosto não se discute. Graças à regra, numerosos artistas se apresentam aos diversos públicos que existem. Cada um dá o que tem, sabe ou pode. Cada espectador acolhe quem lhe faz bem. Maysa é uma cantora do amor. Como todos os homens e mulheres amam, em pensamentos, palavras ou atos, a plateia potencial de Maysa seria a humanidade. Contudo, faltam-lhe características de, digamos vedete internacional, tipo Liza Minnelli. Esta domina todos os agudos. Já Maysa é uma cantora de pé de ouvido, de quatro paredes, a voz rouca avessa a estridências. O amor inclui o êxtase e a dor. Maysa prefere cantar a dor. E sabe. Como demonstra no show que apresenta na madrugada de São Paulo, na boate Igrejinha.
A marca – Ela entra em cena com toda a altivez. Vestida de negro, longos e fartos cabelos loiros. E dois olhos azuis. “Dois oceanos não pacíficos”, no dizer do poeta Manuel Bandeira. A cerca-la, três ótimos músicos: o pianista Gogô, o contrabaixista Renato e o baterista Beto. A ordem do diretor Roberto Freire a todos eles: fiquem à vontade. Excelente direção.
Esta liberdade permite a Maysa cantar a solidão, a saudade, o porre, a despedida e a loucura. E ela o faz com indesmentível conhecimento de causa. De cada uma das situações. Nota-se em seu rosto a marca dessas experiências. As insônias, as esperas, os excessos, as ressacas – está tudo lá. Inteira, a mulher de 39 anos e a mãe de Jaime, de 19. Poucas pessoas sabem exibir sua maturidade com beleza. Maysa é uma delas.
     No repertório, versos de bons poetas da fossa, Antônio Maria e Dolores Duran, Orestes Barbosa e Jacques Brel, Tom Jobim e Vinicius de Moraes, Maysa canta emendando as canções, uma a uma. Às vezes se interrompe, comenta uma coisa qualquer – depende do dia que ela teve ou então de como a noite caiu.
     Mais, portanto, que um show imutável, de roteiro rígido, este parece, com justeza, flexível, mutante, imprevisível. A sensibilidade da cantora é sabidamente irrefreável. Manifesta-se docemente ou com agressividade. Frente a frente com o público de cada noite, Maysa é quem decide.
     O recital inclui composições dela própria como “Tema de Simone” e a recém-concluída “Nós”, letra dela e música do maestro Júlio Medaglia. Compor, no caso de Maysa, era mesmo inevitável. Nos últimos anos, sua versatilidade a empurrou para o teatro e para a televisão. Queria ser atriz. No palco, trabalhou em “Woyzeck”, peça de Georg Büchner. Na TV, num papel muito parecido com ela mesma, foi a Simone de “O Cafona”. Em ambas as tentativas não se deu tão bem assim. Adiou ou desistiu do sonho, não importa. A cantora permanece. Maysa e o amor continuam juntos. Já basta.

Por José Márcio Penido

Revista Veja – 26 de novembro de 1975



"[...] A casa é pequena, não mais que uma centena de lugares, embora nos fins de semana seja possível contar 130 cabeças, cada uma obrigada a uma consumação mínima de 200 cruzeiros. 'A Igrejinha nunca foi um lugar barato' concorda Luís Carlos. 'Mas veja as atrações desta noite de janeiro: Maysa, Maria Creuza e Tia Amélia. Quem oferece tanto?' Três estilos, três gerações da música brasileira, a consumir 10,000 cruzeiros diários de cachê. 'E pagos adiantadamente, antes de elas entrarem em cena', jura o lado árabe de Suad. Para 1976 também não faltam planos. Ultimam-se os preparativos de 'Júlio Medaglia: Concertos', um show com a participação do maestro, de Maysa e oito músicos de orquestra. 'Aí é que entra a piração', diz Suad. 'Vamos provar que boate também é cultura: Maysa cantando Villa-Lobos, como pretendemos, o que é? Tudo com muito humor, é lógico, para que ninguém se levante e vá embora. Vai ser uma coisa bastante divertida.'"

Veja - 28 de janeiro de 1976



Com Júlio Medaglia. 

Com Filomena Matarazzo Suplicy e Milton Franco.



12 de novembro de 2013

Imprensa: Maysa, o valor da interpretação - Jornal do Brasil, 01/1972


Maysa, o valor da interpretação


Depois de uma experiência em telenovela e o trabalho como atriz de teatro em Woyzeck, de Georg Buchner, Maysa volta à noite como cantora, levando ao público do Number One, em Ipanema, não só o passado e a fossa de Ouça e Dindi, mas também o ritmo e a vibração de Vera Cruz e Adeus América.
A partir de uma lista inicial de 30 números, Maysa selecionou uma dúzia para apresentar no show – uma escolha cuidadosa e preocupada, como tem sido toda a preparação do show desde que surgiu a ideia de faze-lo.
-         Seu forte é a interpretação. – diz Osmar Milito, que a acompanha no show – por isso as músicas já conhecidas não perdem o valor; ganham  uma nova qualidade.

Recado musical

Vestida de preto, cabelos revoltos, Maysa estreia nervosa. Limitada a pouco espaço por uma casa repleta (com muita gente do lado de fora sem poder entrar), ela começa com Tardes, de Milton Nascimento, e, aos poucos, vai ficando mais à vontade com o público. Tom Jobim, Caetano Veloso, Aloysio de Oliveira são os compositores que se seguem. É só música, nada de conversa. “Decorei umas coisas aí, mas prefiro deixar o recado só na música.”

E o recado musical tem a ajuda de Osmar Milito e seu conjunto, Quarteto Forma, e ainda uma percussionista que captava a atenção do público – Naíla Graça Melo, mulher do maestro. É um público exigente e crítico – se não a partir de padrões estéticos bem fundamentados, pelo menos em relação a seu gosto musical particular. É um teste rigoroso para uma artista que se considera tímida, mas que tem procurado enfrentar essa limitação.

Quando voltou da Europa, depois de quase cinco anos fora, Maysa já aparecia como uma pessoa em transformação. Sua temporada no Canecão, onde deveria enfrentar o desafio de uma plateia tão heterogênea, já era um principio. E ela teve de descobrir dentro dela mesma a coragem de enfrentar sua timidez. Coragem que utiliza para enfrentar o público do Number One. 


(Reportagem publicada originalmente no JORNAL DO BRASIL, em janeiro de 1972)


4 de novembro de 2013

Imprensa: Maysa abafou em Nova Iorque - Diário da Noite, 10/11/1960


Maysa abafou em Nova Iorque


NOVA YORK, 9 – (De Waldo Pinto, via Varig, especial para o DN) – Maysa recebeu uma estrondosa ovação, na noite de ontem, do público americano que lotava o “The Blue Angel”, um dos maiores “night-clubs” de Nova York, fazendo-a bisar duas vezes a canção “Ouça”, com quem encerrava seu “show”, cantando em português.

· ADERIRAM

Esquecendo-se um pouco das eleições, os ianques aderiram á nossa música popular e saíram cantarolando os sambas “bossa nova” do repertório da brasileira, que está enviando sua coluna no DN diretamente de Nova Iorque. A crítica nova-iorquina não poupa elogios à intérprete, referindo-se aos seus olhos grandes e tristes (“que constituem um espetáculo à parte”), à nostalgia que se desprende de suas canções e às “suas magníficas composições”.

· CONTRATO CARO

Maysa conta com três anos de contrato, e recebe o maior “cachet” que o “Blue Angel” já pagou a qualquer artista, devendo lá apresentar-se ainda por mais três semanas. As propostas já estão chovendo, principalmente para uma temporada em Las Vegas, onde seria a segunda cantora brasileira a apresentar-se na “cidade do pano verde”. A outra é Leny Eversong, que lhe telegrafou, transmitindo um convite de um hotel.

· “SOCIETY” APLAUDE

O “high-society” norte-americano também não tem se omitido em elogiar Maysa. Foi convidada para apresentar-se em duas noites musicais, em benefício de instituições de caridade. Os brasileiros em Nova York não têm perdido uma só de suas exibições: ainda ontem pudemos registrar, entre os presentes, o Cônsul Geral do Brasil, ministro e sra. Dora A. Vasconcellos, o diplomata Berenguer Cesar, embaixador Jayme de Barros e muitas outras personalidades.


(Reportagem publicada originalmente no DIÁRIO DA NOITE, em 10 de novembro de 1960)

30 de setembro de 2013

Imprensa: A nova Maysa de sempre - O Cruzeiro, 05/1969


A nova Maysa de sempre






Texto de AFRÂNIO BRASIL SOARES · Fotos de ROBSON DE FREITAS

O show “Maysa de Hoje” que o Canecão vem oferecendo a seus freqüentadores, está se constituindo num dos maiores êxitos que a popular cervejaria já promoveu desde sua criação. Na noite de estreia, sexta-feira última, 1.200 pessoas, que lotavam todas as dependências da casa, aplaudiram de pé a excelente cantora, que teve de voltar oito vezes, ao encerrar-se o espetáculo, para agradecer a euforia dos fãs mais entusiasmados. Maysa está demais. Seus famosos olhos verdes reluziam sob a luz do spotlight, enquanto seu repertório de canções se sucedia num crescente de agrado. Cada vez que uma nova canção era iniciada, entoada pela sua voz quente e seu tom coloquial, as palmas prorrompiam, em, delírio. Às vezes, a plateia parecia tomada por um frenesi coletivo. Em bossa 1969, Maysa reviveu os grandes momentos de sua carreira, interpretando velhos sucessos como “Ouça”, “Meu Mundo Caiu”, “Chão de Estrelas”, “Dindi”, “Eu e a Brisa”, “Canto de Ossanha”, “Se Todos Fossem Iguais a Você”, alternando-os com canções do momento, como foi o caso de “Novo Amor”, de Roberto Carlos, que ela interpretou vestindo uma minissaia preta transparente. Cantora de recursos múltiplos, a parte internacional do show foi um dos pontos altos, quando, como não podia deixar de acontecer, Maysa interpretou, com aquela expressão que a caracteriza, o “Ne Me Quitte Pas” de Jacques Brel. Nino Giovanetti, que a dirigiu, inovou muitos lances, dando maior grandiosidade às possibilidades de Maysa. A mudança de trajes em cena aberta está esplêndida. Por falar em trajes, Maysa veste, inicialmente, uma pantalona preta de cetim com túnica preta transparente. Em seguida, surge com uma túnica branca longa. Retira o manto e aparece com a minissaia negra transparente, ultra-sexy. Enquanto canta, veste por sobre a minissaia um longo branco. Quando interpreta e termina o “Dia das Rosas”, a plateia começa a perceber o fim do espetáculo e passa a aplaudi-la de pé, enquanto forma o coro: “mais um, mais um, mais um”. Ao descer o pano, a plateia não se conforma. As palmas não cessam e Maysa, oito vezes seguidas, tem de voltar para cantar trechos de canção e agradecer a ovação monstro. Sem dúvida, uma temporada para ficar na memória de quantos viram o show. Um show preparado para ser visto muitas e muitas vezes, com Maysa, desta vez, em versão cinemascópica. 


(Reportagem publicada originalmente na revista O CRUZEIRO, em maio de 1969)

29 de julho de 2013

Imprensa: Maysa muito mais Maysa - Jornal do Brasil, 29/05/1963


Maysa muito mais Maysa

Texto de João Luís de Albuquerque 
Com fotos de Hélio Santos 


O show devia começar na calçada. Uma limusine negra, La Salle 1935, com chofer japonês, estacionaria todas as noites em frente ao Au Bon Gourmet. De casaca vermelha, o porteiro, bom crioulo de 1,90m, estenderia a passadeira grená até o carro. Maysa, vestido preto e comprido, com as costas nuas e vison branco sobre os ombros entraria na boate escura.
Mas, o bom crioulo sumiu, o alfaiate não entregou a casaca e o japonês ficou sem ter o que fazer: na véspera da estreia a limusine quebrou o diferencial. Mas o show business brasileiro também must go on, e Maysa estreou na data marcada  para um público assustado.
Quem na noite já tem muitas horas de palco sabe que o maior prazer de Maysa sempre foi o de devorar platéias. Barulho de gelo no copo de uísque já foi motivo já foi motivo para que ela interrompesse e acabasse com muito show.
As músicas vão passando e cada um entendendo menos. No final todos se perguntam: “O que houve com Maysa?” sempre existiu o mito Maysa. A que mantinha o público à distância, a que transmitia sua poesia sem se importar com a opinião de ninguém.
-         Para mim não existe público e não quero que ele entenda ou sinta nada. Existe apenas minha vontade enorme de cantar.
Mas no Au Bom Gourmet o público vê Maysa pela primeira vez simpática, como se cantasse na mesa de cada um. Como se a todos perguntasse, “vocês estão me entendendo?” tudo sem a máscara de tragédia, sem canto da boca retorcido para baixo. Apenas com um sorriso. De simpatia.
Cantando alguns antigos sucessos, levando o público ao delírio com Buquê de Isabel, Dindi, Bom Dia Tristeza, Lamento, Maysa lota o Au Bon Gourmet até nas segundas e terças-feiras. Além da inegável qualidade artística do show, muita gente vai duas vezes ao Au Bon Gourmet “ver para crer” na transformação de Maysa.

(Reportagem publicada originalmente no CADERNO B do JORNAL DO BRASIL, no dia 29 de maio de 1963.)


3 de dezembro de 2012

Show: Au Bon Gourmet apresenta Maysa - 1963


Au Bon Gourmet apresenta Maysa

Maysa em show no Au Bon Gourmet acompanhada por Eumir Deodato e conjunto.

Maysa andava bastante distante do público brasileiro, quando resolveu retornar ao país para uma visita de poucos meses. A cantora, então, residia em Madri, ao lado do novo marido – o belga-espanhol Miguel Azanza. E tentava se adaptar à nova vida doméstica. Em 3 de abril de 1963, Maysa, – acompanhada do seu novo amor, e seus dois cachorrinhos Baltazar e Gaspar  –, desembarcou no porto de Santos, do navio inglês Amazon, vindo da Europa.
Emendando um novo contrato artístico, Maysa veio ao Brasil gravar dez videoteipes para a TV Tupi carioca. O musical – Maysa como ela é, seria retransmitido em cadeia nacional pelas Emissoras Associadas, todas as quartas-feiras, às 21:25 da noite.

Dias depois, Maysa deveria estrear uma temporada na boate Au Bom Gourmet do empresário Flávio Ramos, sob direção musical do veterano Aloysio de Oliveira. Na data marcada, ela chegou à boate vestindo um longo preto, de costas nuas e portando um vison branco sobre os ombros. Numa entrada cheia de rapapés, Flávio Ramos chegou a estender o tapete vermelho para Maysa passar, incluindo um Cadillac preto rabo-de-peixe, que ia busca-la em casa e traze-la ao Bon Gourmet todas as noites. Só a superestreia de Maysa, com dotada de requintes dignos de uma estrela internacional, já deu o que falar.
No show, Maysa era acompanhada pelo conjunto de Eumir Deodato (arranjos, piano e órgão), Ugo (vibrafone), Contra-baixo (Sergio), Copinha (Flauta) e João Palma (bateria). Na abertura, uma introdução magistral com a flauta de Copinha e o piano dedilhado por Eumir Deodato, tocava os primeiros acordes de “Ouça”, a plateia logo aplaudia, mas em seguida, de repente, tudo mudava e logo entrava a voz de Maysa interpretando “Demais”, de Antônio Carlos Jobim e Aloysio de Oliveira. Maysa se apropriara tanto daquela música, que de tão associada a ela, parecia até uma composição de sua própria autoria. Em seguida, dava luz á sua face jazzwoman, emendando uma versão turbinada de “I’ve Got You Under My Skin”, o grande clássico de Frank Sinatra.

O show seguia com outras interpretações de velhos sucessos dos últimos discos – “Por Causa de Você”, da falecida amiga Dolores Duran, “Dindi”, mais uma das parcerias entre Tom Jobim e Aloysio de Oliveira, “Quem Quiser Encontrar o Amor”, “Fim de Noite”, “O Amor Que Acabou”, “Bom Dia, Tristeza” e encerrava com “Bouquet de Izabel”, de Sergio Ricardo, lançada por ela cinco anos antes. No fim, o conjunto fazia um encerramento com os instrumentais de “Ouça”, – de autoria de Maysa –, e “Rio”, de Roberto Menescal e Ronaldo Bôscoli. Eram interpretações densas, carregadas de emoção e sentimentalismo, num show bastante intimista. Ela sequer se comunicava com a plateia.

Foi uma temporada de muito sucesso. Maysa conseguira lotar a boate Bon Gourmet todas as noites. Repercurtindo o sucesso do show, a imprensa também teve de dar o braço a torcer, e não poupou elogios a nova performance da cantora. Porém, não demorou muito para que os problemas do passado ressurgissem para estragar o presente. Maysa passou a faltar sistematicamente às apresentações. Maysa se atrasava, desaparecia, ou então sumia sem mandar dizer onde estava. O Cadillac que devia busca-la e leva-la ao Bon Gourmet, acabou por adiantar de nada.

Apesar do sucesso inquestionável, o dono da boate, Fávio Ramos, teve que encerrar a temporada antes do previsto. Não podia manter no cartaz uma cantora que ninguém sabia onde estava. Assim como a temporada no Bon Gourmet, o programa da TV Tupi acabou tendo o mesmo final. Os programas foram tirados abruptamente do ar, sem maiores explicações da emissora.

De tudo isso, restou o disco gravado ao vivo durante o show no Au Bon Gourmet, produzido e dirigido por Aloysio de Oliveira. O álbum lançado pela gravadora Elenco, de Aloysio de Oliveira, só sairia no ano seguinte, em 1964, quando Maysa já estava bem longe do Brasil. O layout da capa, assinada por César G. Villela, é uma das mais emblemáticas do selo Elenco, e também da discografia de Maysa. Trazendo apenas os olhos da cantora, em preto-e-branco e alto contraste. Na contracapa, um texto assinado por Aloysio de Oliveira dizia:

“Existem poucos artistas que possuem a terceira dimensão.
A terceira dimensão é uma força de personalidade que permite ao artista ‘hipnotizar’ o público.
Maysa tem essa força.
Por isso gravamos esse LP durante um dos seus shows, ao vivo, tal como aconteceu.
Um documentário musical desta fabulosa voz, desta fabulosa personalidade, desta fabulosa intérprete que é Maysa.”

Maysa e o marido Miguel Azanza nos bastidores das gravações da TV Tupi.

1 de outubro de 2012

IV Festival Internacional da Canção (1969)


IV FIC 


Realizado pela Secretaria de Turismo do Estado da Guanabara com o apoio da Rede Globo de Televisão (então TV Globo), a IV edição do Festival Internacional da Canção se realizou entre os meses de setembro e outubro de 1969, mais uma vez no Estádio do Maracanãzinho, na cidade do Rio de Janeiro. Apesar do sucesso retumbante das edições anteriores, o IV FIC foi uma das piores edições do Festival Internacional da Canção – o formato já começava a dar sinais de desgaste, e a decadência da Era dos Festivais.

Como a maioria dos grandes intérpretes e compositores das edições anteriores – Chico Buarque, Caetano Veloso e Gilberto Gil – haviam partido para o exílio, o IV FIC sofreu muito com a qualidade musical das canções inscritas na edição. Somado a isso, o endurecimento da Ditadura Militar no Brasil impunha uma certa censura ao festival. O temido AI-5 fora imposto pelo regime no ano anterior, e o ano de 1969 já vira a imposição de mais de cinco outros Atos Institucionais. Portanto, a IV edição do festival teve inscrições bem menores de canções de protesto. Além disso, vários convidados internacionais recusaram participar do festival, ou então cancelaram a vinda em cima da hora. Como foi o caso do Beatle George Harrison, que anunciou que não viajaria a um país onde o embaixador norte-americano – Burke Elbrick, acabara de ser seqüestrado por um grupo militante de esquerda. Sendo assim, o organizador do festival – Augusto Marzagão, temia um fracasso retumbante.

Marzagão foi pessoalmente à casa de Maysa, convence-la à participar da IV edição do festival, para isso, usou de um argumento tentador: a cantora seria homenageada pela direção do festival. O Troféu Galo de Ouro para o melhor intérprete da fase nacional receberia justamente o nome de Troféu Maysa Monjardim. Ela, que havia jurado nunca mais participar de um outro festival, acabou aceitando. Naquela época, o nome de Maysa andava muito em alta, a cantora era bem apreciada pela mídia e fazia grande sucesso de público. Portanto, seu nome serviria mais como uma tentativa de chamar atenção do público para o festival, numa edição carente de grandes nomes e aparições.

Não deu outra, seu nome foi um dos mais bem cotados do festival, e a música “Ave Maria dos Retirantes” foi logo apontada como uma das favoritas. A excelente canção da dupla de baianos Alcyvando Luz e Carlos Coqueijo, era de longe uma das de maior qualidade da edição. A temática de seca e imigração era inédita do repertório de Maysa, um atraente ao público, acostumado com as canções românticas da cantora. E mostrava um Maysa mais madura e segura de si, sem medo de experimentar o novo.

E foi assim, como favorita do IV FIC, que Maysa subiu ao palco do Maracanãzinho no dia 27 de setembro de 1969, para cantar “Ave Maria dos Retirantes”, com arranjo do tropicalista Rogério Duprat. Entre os outros destaques da edição, estavam Os Mutantes defendendo “Ando Meio Desligado”  (Arnaldo Batista/Rita Lee/Sérgio Dias),  Jorge Ben & Trio Mocotó com “Charles, Anjo 45” (Fritz Escovão/Nereu Gargalho/Joãozinho Paraíba) e Beth Carvalho cantando “O Tempo e o Vento” (Jorge Omar/Billy Blanco). O IV FIC contou ainda com a participação de Cláudia com o Quarteto Fórmula 7 – “Razão de Paz Para Não Cantar”, Marcos Valle – “Beijo Sideral”, Golden Boys – “Minha Marisa”, MPB-4 – “Minha Marisa” e Egberto Gismonti – “Mercador de Serpentes”.

Foi um festival sem brilho, sem muitos destaques, sem concorrência e que deixou muito pouco à que se recordar. A vaia permaneceu como a principal instituição do Festival Internacional da Canção. Na IV edição, ela coube a Jorge Benjor (ainda Jorge Ben), que cantou “Charles, Anjo 45” com o Trio Mocotó. Mas, a chuva de apupos só não foi maior que aquela que o estreante Jards Macalé recebeu quando cantou a atípica “Gotham City”, vestido num traje de gosto duvidoso, que fazia alusão ao herói Batman.

Passadas as duas eliminatórias, a final da fase nacional deu-se em 28 de setembro. “Ave Maria dos Retirantes” ficou em oitavo lugar na final nacional, um resultado bem abaixo do esperado. A fase nacional fora vencida por “Cantiga por Luciana” (Edmundo Souto/Paulinho Tapajós), interpretada pela cantora Evinha, que também ganharia a disputa internacional do festival. Maysa não gostou nenhum pouco, saiu ressentida e bradou: “É absurdo que a música brasileira, em seu estágio atual, tenha regredido a ponto de uma música como ‘Cantiga por Luciana’ ficar em primeiro lugar. Isso é a pior coisa que o Paulinho Tapajós já fez na vida. E este FIC não serviu pra porcaria nenhuma.” Contudo, o IV FIC não foi de todo ruim, e serviu para mostrar uma nova faceta de Maysa – agora, mais ousada. O que mais chamou mesmo a atenção do público, foi o figurino usado pela cantora. Um vestido com o busto feito de tecido transparente, que deixou seus seios quase à mostra. Numa das fases mais bonitas de sua vida, então com 33 anos, Maysa arrancou muitos suspiros e zooms das câmeras de televisão.

A fase internacional, foi tão insossa quanto a primeira. Com quarenta países representados, também foi vencida por Evinha, com “Cantiga por Luciana”. Um dos poucos grandes momentos do festival, foi à apresentação de “Love is All” (Lês Reede/Barry Mason), por Malcolm Roberts – cantor com pinta de galã, representante da Inglaterra. Num momento verdadeiramente emocionante, o cantor levantou o Maracanãzinho num coro de 30 mil pessoas, interpretando uma canção absolutamente romântica. Malcolm Roberts ficou em terceiro lugar na classificação da final internacional do IV FIC. E mais uma vez, o resultado não agradou nem a gregos, nem a troianos.









9 de abril de 2012

Especial: II Festival da Música Popular Brasileira (1966)


II Festival da Música Popular Brasileira (1966)




Em 1966, a música brasileira adentraria numa nova fase de grande popularidade e criação, conhecida como a era dos festivais. Após o sucesso estrondoso do I Festival de Música Popular Brasileira da TV Excelsior no ano anterior, vencido por Elis Regina com a inesquecível apresentação de “Arrastão” (Vinicius de Moraes/Edu Lobo), todas as emissoras queriam organizar seus próprios festivais e desfrutar da grande audiência e do rebuliço que tais eventos passaram a causar. Após o desentendimento dos patrocinadores com a TV Excelsior, em 1966, o seu diretor Solano Ribeiro migrou para a TV Record levando consigo na bagagem o Festival. Para dar a ideia de continuidade, o Festival daquele ano manteve o nome de II Festival da Música Popular Brasileira, realizado no Teatro Record.

 O casting de artistas da Record incluía cantores do porte de Elis Regina, Jair Rodrigues, Roberto Carlos, Elizeth Cardoso, Chico Buarque e até Maysa, recém-contratada da emissora paulista. A Record iniciava uma grande fase e despontava como líder de audiência. E como já era de se esperar, rumores de possíveis favorecimentos a artistas da casa já circulavam com frequência.
O II Festival da MPB, chama atenção pelo alto nível dos intérpretes e músicas escolhidas, entre os mais de mil inscritos estavam Elza Soares defendendo “De Amor ou Paz”; Maria Odete com “Um Dia”, de Caetano Veloso; Elis Regina com “Ensaio Geral” de Gilberto Gil e “Jogo de Roda” de Edu Lobo e Ruy Guerra.

Maysa, que acabara de retornar ao mundo artístico e estava distante da música brasileira havia um bom tempo, resolveu encarar a prova de fogo e entrar na roda, seria bom para testar a quanta andava sua popularidade mesmo após tanto tempo de ausência. Ela não era a única a se arriscar, gente com muito mais tempo de estrada, como Leny Eversong, a própria Elizeth Cardoso e Isaurinha Garcia, também entraram na onda dos festivais, disputando com cantores muito mais jovens e em início de carreira.

O II Festival da MPB, realizado nos meses de setembro e outubro, teria três eliminatórias, em dias distintos, com doze concorrentes em cada um. Pelo sorteio, Maysa participaria da segunda, defendendo a música “Renascença” de Cláudio Varella e José Pereira (infelizmente, não há nenhum registro gravado), e “Amor-Paz” composição sua em parceria com Vera Brasil, que havia se destacado no festival da Excelsior em 1965.

No dia anterior, logo na primeira eliminatória, já nascia a primeira grande favorita do festival: “Disparada” de Geraldo Vandré e Théo de Barros, interpretada por Jair Rodrigues. A antológica interpretação de Jair arrebatou todos e conquistou o público de primeira. Os versos “Boiadeiro muito tempo/Laço firme e braço forte/Pela vida segurei/Seguia como num sonho/E boiadeiro era um rei”, inscreveram Jair para sempre na historia da era dos festivais da MPB.

Maysa não conseguiu classificar “Renascença” para a final. A música passou despercebida perante o fervor que causou a apresentação da segunda favorita do festival: “A Banda” de Chico Buarque com Nara Leão. A música meio bobinha, mas contagiante, acabou por cair nas graças do público e dominou a noite. Na ocasião, Nara foi acompanhada por uma bandinha de verdade, o que causou ainda mais comoção na plateia. 
Na terceira eliminatória, Maysa cantou “Amor-Paz”. A música agradou a crítica e conseguiu se classificar para a final do festival sem maior alarde. O júri determinou que a apresentação de Nara Leão, mesmo já classificada para a final,  fora prejudicada por problemas técnicos, portanto, ela teve que se apresentar mais uma vez com “A Banda”, no mesmo dia em que Maysa apresentou “Amor-Paz”. A direção da Record, para acirrar ainda mais a disputa, também sugeriu que Nara se apresentasse junto com Chico Buarque ao violão, não teve para mais ninguém. “A Banda” acabou de conquistar os que ainda não haviam sido conquistados. E o festival finalmente se delineou entre as duas canções – “A Banda” e “Disparada”.

Poucas vezes uma disputa causou tanto frenesi na história da música brasileira. São Paulo estava dividida ao meio, o país estava dividido ao meio. A pergunta do momento era – Quem levaria o festival? “A Banda” ou “Disparada”?. Nos bares, nas repartições públicas, nas escolas, nos trens, nos ônibus...só se falava disso! E não parava por aí, formaram-se verdadeiras torcidas organizadas a favor e contra as duas músicas, o clima de tensão era imenso e foi se acirrando a cada dia que chegava mais perto do dia da final.

No dia da final, o público só tinha atenção para as apresentações de “A Banda” e “Disparada”, todas as outras músicas, mesmo que por melhor que fossem, foram completamente eclipsadas. Naquele ano, pode-se dizer que nascia definitivamente após vários ensaios, o que comumente chamamos de MPB – a música brasileira moderna, tal como conhecemos. Fruto de vários estilos musicais nacionais, como o Samba-Canção e a Bossa Nova. Uma nova geração trazida pelos festivais, também personificava isso. Elis Regina, Edu Lobo, Caetano Veloso, Gilberto Gil e Chico Buarque, eram apontados como representantes da novíssima música brasileira.

Elis e sua trupe, também se tornariam os maiores expoentes da música de protesto, que driblava a forte censura dos anos de chumbo da ditadura militar, em canções que marcaram época na história da MPB, e muitas delas, também tiveram seus momentos marcantes durante a era dos festivais. No lado oposto a tudo isso, estava Roberto Carlos, já intitulado o Rei do Iê-iê-iê. Roberto e sua trupe representavam a música jovem, descompromissada e desinteressada, sem nenhum propósito, com nítida inspiração nos Beatles.

Como se pode observar, Maysa não estava em nenhum dos dois lados. Pairava acima de todos, mas não inquieta. Não fazia a mínima questão de glorificar a música de protesto (“A canção brasileira está povoada de imbecis que querem fazer protesto e nem sabem por qual motivo estão protestando”). Mas, também, não poupava crítica a Jovem Guarda (“Isso é um modismo idiota, que quanto mais depressa passar, melhor”). Maysa não integrava nenhuma das duas facções reinantes na música brasileira daquela época, mas muito menos representava a Velha Guarda, da qual nunca pertenceu. No II Festival da Record, esse panorama da MPB começava a se delinear com força. De um lado, o engajamento quase social da “Disparada” defendida com força e garra por Jair Rodrigues. Do outro, o estilo escapista e bobo de “A Banda” de Chico Buarque e Nara Leão, mesmo que no futuro, seu autor tenha sido um dos maiores artistas contestadores do regime militar na MPB.

No dia da grande final, na sequência definida por sorteio, Maysa teve o azar de cantar logo depois das duas grandes favoritas, especificamente, depois da apresentação de Chico Buarque e Nara Leão. Ninguém mais naquela noite queria ouvir nenhuma música, a plateia ansiava loucamente pelo resultado da final, por isso, Maysa obteve uma amarga vaia quando entrou no palco para cantar “Amor-Paz”. Mas, uma vez Maysa, sempre Maysa! Com seu jeitão imperativo de costume, ela logo domou o público em questão de segundos. Abafando qualquer vaia.

A direção da Record, temendo que a turba enfurecida, em que se tornaria à torcida derrotada, destruísse o Teatro Record, optou por uma decisão inédita: empate entre “A Banda” e “Disparada”. Evitando assim, o vexame de que Chico Buarque, caso ganhasse, recusasse  o troféu Viola de Ouro, já que o próprio autor de “A Banda” reconhecia a superioridade da rival “Disparada”. Inclusive, a decisão original do júri do festival era que a música de Geraldo Vandré e Théo de Barros fosse a grande vencedora.

Entre mortos e feridos, Maysa escapou ilesa. Na classificação geral da final, “Amor-Paz” acabou em 6º lugar, atrás de “Ensaio Geral” de Gilberto Gil, cantada por Elis Regina, que obteve o 5º lugar. Em 2º lugar ficou Elza Soares, com “De Amor ou Paz” de Luiz Carlos Paraná e Adauto Santos.

 No fim das contas, o II Festival da Record e o I FIC (realizado pouco tempo depois), marcaram a chegada de uma nova era a MPB, mesmo que ainda fossem somente um prenúncio das disputas e momentos inesquecíveis que viriam acontecer na era dos festivais. E teriam seu auge nos dois anos seguintes, mais especificamente no III Festival da Record (1967) e III FIC (1968), considerados pela maioria absoluta como os melhores da era dos festivais, antes do esgotamento do modelo, nos anos 70.

 A apresentação de Maysa no II Festival da Record agradou bastante a imprensa, e apesar do domínio total que a “A Banda” e “Disparada” exerceram, a canção de Maysa e Vera Brasil também agradou muito e fez sucesso, sendo fortemente cogitada como uma das vencedoras. “Amor-Paz”, infelizmente, não teve o reconhecimento merecido, porque foi uma das melhores letras escritas por Maysa em sua carreira.  Até o vestido dela chamou atenção, como disse o jornal O Estado de São Paulo, pondo-a no 1º lugar das mais bem vestidas, ao lado de Elza Soares. No mais, Maysa fez bonito e provou que estava a par das renovações musicais, como observou a revista Fatos & Fotos, acrescentando:
“A nova onda – que manteve na crista o compositor Geraldo Vandré e os intérpretes Jair Rodrigues e Elis Regina, assim como o Quarteto em Cy e o MPB-4 – revalorizou Maysa. [...] Maysa retornou em plena forma, demonstrando capacidade de adaptação às novas formas surgidas.”