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6 de maio de 2026

Maysa no alvorecer de Brasília


 


    Antes que todos os prédios projetados estivessem prontos, antes mesmo que os operários que construíram aquela cidade tivessem suas residências fixas, a inauguração de Brasília não poderia esperar. O dia 21 de abril de 1960 marcou além de mais um feriado de Tiradentes, a inauguração da nova capital do Brasil, construída em tempo recorde no coração do planalto central. Inaugurada incompleta e já marcada por desigualdades sociais gritantes, Brasília poderia prescindir de muita coisa, mas não de uma emissora de televisão e muito menos de vida noturna. E aí que Maysa entra nessa história.


Noite inaugural de Brasília. Fotografia de René Burri, 1960. 


    Em 1960 Maysa estava no auge. Ao assinar com as Associadas de Assis Chateaubriand naquele ano, a cantora e compositora embarcou em viagens do norte ao sul do Brasil para se apresentar nas rádios e TVs do que era, então, o maior conglomerado de imprensa e mídia do país. Menos de um mês depois da inauguração da cidade, Brasília entrou na rota de Maysa. A novíssima capital do Brasil já nascera com uma trilha sonora própria: a Sinfonia da Alvorada, criação pouco badalada da dupla Tom & Vinícius, lançada em disco em 1961 e que caiu no esquecimento nos anos seguintes. Não era esse o tipo de música que os congressistas e outra gente graúda do governo federal estava acostumada a ouvir nas célebres boates de Copacabana.







    Para colorir a vida diária que começaria terrivelmente monótona, supunha-se, foi inaugurada concomitantemente à nova capital o seu primeiro jornal impresso, o Correio Braziliense, e a TV Brasília, ambas pertencentes aos Diários Associados. A noite de sábado, dia 14 de maio de 1960, não deve ter sido nada monótona naquela cidade construída em meio ao bioma do cerrado. Naquele dia o Correio Braziliense anunciou várias vezes a apresentação de Maysa, em pessoa, na TV Brasília, às 21 horas, patrocinada pela Cacic S.A Indústria e Comércio. O uso do termo “em pessoa” servia para destacar que Maysa apareceria para os telespectadores diretamente dos estúdios em Brasília, não se tratando de gravação em vídeo-tape –, um recurso tecnológico que começava a ser utilizado com frequência na TV brasileira à época. O jornal ainda anunciava que, naquele mesmo dia, Maysa faria um show na boate Pillango apresentado pela TV Brasília. O Pillango era um restaurante e boate que naqueles dias iniciais de Brasília, funcionava diariamente das 11h da manhã às 4h da madrugada, no início da W3, avenida que seria por décadas um importante ponto comercial e social da cidade, até entrar em decadência. Na semana seguinte ao show, a coluna social do Correio Braziliense declarou o show de Maysa um sucesso absoluto, notando o especial bom humor da cantora, por ter suportado uma plateia mal-educada sem devolver as típicas retaliações que ela reservava ao público nessas ocasiões.




"Antes de partir para uma longa temporada nos Estados Unidos, a famosa cantora Maysa que estreará em outubro no Blue Angel, foi recebida no Palácio da Alvorada pelo Presidente Juscelino Kubitschek. O chefe da nação, depois de inteirar-se dos detalhes do plano da popular artista de divulgar nossa música nos Estados Unidos, através de uma intensa atuação em televisão, rádio e boates, desejou-lhe um grande êxito. Na foto, o presidente cumprimentando a estrela". Correio Braziliense - Brasília, 14 de setembro de 1960.

    Uma curiosidade é que, dezesseis anos depois do instante capturado na imagem, Maysa relembrou o episódio em sua última entrevista, concedida ao jornalista Aramis Millarch em novembro de 1976. Na ocasião, ainda no início da abertura política da Ditadura Militar e poucos meses depois da morte do ex-presidente, Maysa fez questão de afirmar que foi JK o único presidente do Brasil a parabeniza-la em seus vinte anos de carreira. É um fato notório que JK adorava Maysa.


     
Correio Braziliense - 14 de novembro de 1961.       


    Depois do encontro com o Presidente Bossa Nova, Maysa voltaria à Brasília para cantar em pelo menos duas ocasiões, em uma delas repetiu a dobradinha de shows na TV Brasília e depois em casa noturna – dessa vez na boate Macumba. Na derradeira, Maysa cantou no lindíssimo Brasília Palace Hotel supostamente acompanhada pelo conjunto de bossa novistas com quem gravara o álbum Barquinho alguns meses antes.


Correio Braziliense - 8 de março de 1961.


            Não foram encontrados registros posteriores da presença de Maysa em Brasília. Assim como não há nenhuma outra imagem conhecida dela na capital federal, além da foto tirada ao lado de Juscelino Kubitschek. A Brasília que Maysa viu praticamente nascer, com odor misturado de mato e tinta fresca, também não existe mais. Transformou-se. É instigante tentar imaginar o que Maysa viu lá. As imagens que sobreviveram de uma Brasília recém-nascida são desconcertantes – prédios monumentais pairando sobre imensos descampados; outros ainda em construção. Uma paisagem aonde o vermelho da terra tantas vezes revolvida se mistura ao verde que tentava domar. Poucas árvores. Brasília representou desde o início o melhor e o pior do Brasil.









4 de novembro de 2013

Imprensa: Maysa abafou em Nova Iorque - Diário da Noite, 10/11/1960


Maysa abafou em Nova Iorque


NOVA YORK, 9 – (De Waldo Pinto, via Varig, especial para o DN) – Maysa recebeu uma estrondosa ovação, na noite de ontem, do público americano que lotava o “The Blue Angel”, um dos maiores “night-clubs” de Nova York, fazendo-a bisar duas vezes a canção “Ouça”, com quem encerrava seu “show”, cantando em português.

· ADERIRAM

Esquecendo-se um pouco das eleições, os ianques aderiram á nossa música popular e saíram cantarolando os sambas “bossa nova” do repertório da brasileira, que está enviando sua coluna no DN diretamente de Nova Iorque. A crítica nova-iorquina não poupa elogios à intérprete, referindo-se aos seus olhos grandes e tristes (“que constituem um espetáculo à parte”), à nostalgia que se desprende de suas canções e às “suas magníficas composições”.

· CONTRATO CARO

Maysa conta com três anos de contrato, e recebe o maior “cachet” que o “Blue Angel” já pagou a qualquer artista, devendo lá apresentar-se ainda por mais três semanas. As propostas já estão chovendo, principalmente para uma temporada em Las Vegas, onde seria a segunda cantora brasileira a apresentar-se na “cidade do pano verde”. A outra é Leny Eversong, que lhe telegrafou, transmitindo um convite de um hotel.

· “SOCIETY” APLAUDE

O “high-society” norte-americano também não tem se omitido em elogiar Maysa. Foi convidada para apresentar-se em duas noites musicais, em benefício de instituições de caridade. Os brasileiros em Nova York não têm perdido uma só de suas exibições: ainda ontem pudemos registrar, entre os presentes, o Cônsul Geral do Brasil, ministro e sra. Dora A. Vasconcellos, o diplomata Berenguer Cesar, embaixador Jayme de Barros e muitas outras personalidades.


(Reportagem publicada originalmente no DIÁRIO DA NOITE, em 10 de novembro de 1960)

28 de outubro de 2013

Imprensa: Maysa estreia no Blue Angel - Diário da Noite, 31/10/1960


Maysa estreia no Blue Angel


NOVA IORQUE, 31, (de João Rezende, pelo telefone) – As colunas especializadas dos jornais nova-iorquinos abrem espaço, hoje, para noticiar a estreia, logo mais, na boate “Blue Angel” da cantora brasileira Maysa Matarazzo. Há grande expectativa entre o público: mesas foram reservadas por antecipação e a boate, horas antes da estreia da nossa cantora está com a lotação esgotada.

Nos seus comentários sobre o “debut” de Maysa, os colunistas se referem ao seu jeito manso de cantar, aos seus olhos grandes e tristes, à nostalgia que se desprende de suas canções – e salientam que este será um espetáculo diferente dos que costumam apresentar aqui, artistas brasileiros.

Não se trata de puro exotismo, de balangandãs, e chapéus enfeitados com bananas – mas de uma cantora de fama internacional, dentro do estilo norte-americano mas nem por isso sem perder as suas qualidades brasileiras. “Teremos o outro lado do samba, o samba triste” – dizem as colunas.

ESTÁ COM TUDO

Ao chegar a Nova York muito bem disposta, Maysa foi surpreendida com a longa programação que lhe reservaram. Seu contrato que era de três meses, já se estende por oito e provavelmente será cumprido também um giro pelas principais capitais da Europa.

A cantora “associada” e colunista do DN desembarcou de um avião das Aerolíneas Argentinas. Estavam a espera vários membros da colônia brasileira, que logo mais estarão no Blue Angel. 


(Reportagem publicada originalmente no DIÁRIO DA NOITE, em 31 de outubro de 1960)

16 de setembro de 2013

Imprensa: Norte-americanos vão pagar milhões por Maysa - Revista do Rádio, 1960.


Norte-americanos vão pagar milhões por Maysa

A estrela, em diversos momentos, inclusive em fotos realizadas nos Estados Unidos: lá comprou um guarda-roupa (caríssimo) e visitou Nova Iorque toda. Gostou.


Maysa voltou ao Brasil depois de uma enorme viagem. Esteve duas vezes em Tóquio, percorreu grande parte dos Estados Unidos, e foi a Paris com o fim unicamente de se divertir uma semana com uma amiga! Disse ela contando fatos com orgulho:
-         Voltando do Japão fiquei nos Estados Unidos. Fui direto a Las Vegas, onde perdi todo o dinheiro no jogo. Quis apostar as minhas pérolas no número 13, mas não aceitaram...
-         E daí?
-         Mandei pedir dinheiro a papai. Demorei-me 2 dias em São Francisco e 3 dias em Los Angeles. Ofereceram-me um contrato que não interessava. Conheci Cary Grant, que apesar dos seus 60 anos pareceu-me um “broto”...
-         Nova Iorque, nada?
-         A passagem por Nova Iorque transformou a minha vida de cantora. Fui procurada por empresários. Coube a Irvin Arthur, da Associetad Booking Corporation oferecer-me o contrato mais conveniente para mim. Durantre três anos atuarei nos Estados Unidos e Europa, para boates, televisão, teatro musicado, rádios, discos e cinema.
-         Passará três anos fora do Brasil?
-         Isso não seria possível. Meu filho ficará aqui sob os cuidados de mamãe. De três em três meses terei uma folga para visitar o Brasil e tratar dos meus negócios.

Maysa comentou que tem a sua estreia na Broadway, marcada para o próximo dia 31 de outubro. O seu contrato com a boate “Blue Angel” (conseguido através da ABC), assegurar-lhe-á quatro semanas, com opção para mais oito semanas. E por imposição da cantora, a boate mandará buscar no Brasil, um pianista e um baterista, especialmente para acompanha-la.
-         Quer dizer, Maysa, que você ganhará milhões?
-         Não quero dar cifras do meu contrato. Porém, asseguro que desde Carmen Miranda, os americanos não pagam tão bem a uma artista brasileira.
-         Teve oportunidade para conhecer bem Nova Iorque?
-         A cidade é maravilhosa. Um dia fui ao Champagne Room, do “El Morocco”. Lá estavam Ibrahim Sued, Glorinha, Jackson Flores, Adalgisa Colombo e Alfredo Tomé. Só Alfredo veio falar comigo.
-         Zangada com o colunista social?
-         Não. São coisas do Ibrahim...
-         E agora?
-         Estou no Brasil acompanhada do Odillo Licetti. Sua principal ocupação é fazer-me adaptar ao rigor do contrato americano, além de “treinar-me” no inglês.

Maysa citou dezenas de pessoas ilustres com quem jantou e conheceu. Revelou-nos fatos curiosos dos dias passados no estrangeiro, para onde voltará faturando milhões. Todavia, o mais curioso, é que aqui no Brasil está proibida de falar alto. Tem de manter uma só tonalidade de voz. E com as pessoas que falam inglês, ela só fala mesmo o inglês.


(Reportagem publicada originalmente na REVISTA DO RÁDIO, em 1960)



26 de agosto de 2013

Imprensa: Maysa-1960: à base de leite - O Cruzeiro, 30/04/1960


Maysa-1960: à base de leite

Maysa detona a “bomba” artística do ano: deixa o uísque e assina com as Associadas.

Texto de ARY VASCONCELOS · Fotos de JORGE AUDI e GEORGE TOROK

Maysa acaba de tomar duas decisões revolucionárias em sua vida idem: assinou com as Associadas e passou a matar a sede, não mais com uísque, mas com leite. Essas decisões vieram após um período de tratamento em hospital de São Paulo, em que 8 médicos procederam a uma quase total remodelação em seu corpo e espírito. Maysa submeteu-se a várias operações plásticas, fez um rigoroso regime para emagrecer, consultou regularmente um psicanalista. Considera, hoje, esses dias entre os mais deliciosos de sua existência: repousou milhões sob uma árvore negra do quintal, fez tricô, leu Pearl Buck, ouviu Sammy Davis Jr., escreveu três sambas novos. Aprendeu a gostar de leite, reaprendeu a gostar de gente. Saiu de lá com 12 quilos a menos e com novo gosto pela vida. já está, aliás, trabalhando como enfermeira no Hospital Nossa Senhora do Carmo (São Paulo) e assistente do seu psicanalista, pois os médicos acharam que, interessando-se pelos problemas dos outros, estaria mais capacitada a resolver os dela. Traz muitos planos. Um deles: ser assistente da direção do Teatro do Juqueri (sanatório para doentes mentais) em São Paulo. Outro: terminar um livro autobiográfico já na 15ª página e que deverá chamar-se “Com Os Comigos De Mim”. Uma enfermeira, Sônia, como um anjo da guarda, acompanha-a por toda parte, velando incessantemente por sua saúde. Maysa dobrou a quantidade de cigarros que fumava por dia, liquidando diariamente quatro maços; espera porém estar em breve de volta à dose antiga. Considera hoje todas as suas músicas anteriores, com exceção de “Felicidade Infeliz” e “Escuta, Noel”, totalmente démodées. Não pretende deixar-se afetar em nada pela bossa nova. Para ela, Elizete Cardoso e Silvio Caldas ainda são o máximo, ou, como ela diz “caindo de morrendo de divinos”. Quer sair de sua atual gravadora, a RGE, e gravar como freelancer um LP cantando serestas antigas em orquestração moderna.
Está a Maysa-1960, mais bela e fascinante do que nunca e cujo talento de grande e consagrada cantora entrou novamente em erupção no dia 18 deste mês, ocasião em que fez a sua sensacional estreia na TV-Tupi do Rio de Janeiro.








(Reportagem publicada originalmente na revista O CRUZEIRO, de 30 de abril de 1960)


18 de março de 2013

Especial: "Ouça" por Jean Sablon


"Ouça" por Jean Sablon


Jean Sablon (1906 – 1994), foi um dos maiores nomes da música francesa no século XX, um dos mais aclamados cantores franceses de todos os tempos, considerado segundo em popularidade, somente atrás de Maurice Chevalier. Ao longo de sua carreira vendeu milhões de discos, Sablon era considerado o equivalente francês do norte-americano Bing Crosby. Curiosamente, ele mantinha uma estreita ligação com Brasil; visitou nosso país inúmeras vezes durante sua vida, e sempre teve uma ótima receptividade aqui, onde manteve um público cativo por décadas. Em 1959, Jean Sablon gravou num disco 45 RPM – do tipo compacto duplo – uma canção chamada “Toi Si Loin de Moi”, uma versão em francês para o hit “Ouça”, de autoria de ninguém, ninguém menos, que Maysa. Além da versão francesa para o clássico da cantora, Sablon também gravou uma versão em francês para "Manhã de Carnaval", um dos maiores clássicos da música brasileira, transformada em sucesso internacional através do filme ítalo-franco-brasileiro Orfeu Negro, de 1959.

Portanto, o nome de Maysa começava a ecoar – cada vez mais alto – do outro lado do atlântico. Em 26 de outubro de 1960, o Caderno B do Jornal do Brasil noticiava que a jovem cantora francesa Jacqueline Boyer, de apenas 18 anos de idade, obteve o prêmio ‘Aquarela do Brasil’, que a Embaixada Brasileira em Paris confere anualmente aos melhores intérpretes franceses de canções brasileiras. Naquele ano, os dois agraciados com a jangada de marfim – símbolo do prêmio, gravaram canções escritas por Maysa. Jacqueline Boyer ganhou com “Tu Es le Soleil de Mon Coeur”, versão para “Deserto de Nós Dois” – lançada por Maysa no long-play Convite para ouvir Maysa Nº 4, 1959. O prêmio de melhor interpretação masculina foi entregue a Jean Sablon, pela gravação já referida “Toi Si Loin de Moi” (Ouça). Os prêmios foram entregues pelo Embaixador do Brasil na França, Sr. Carlos Alves de Sousa, durante um coquetel na Maison de L’Amerique Latine, em Paris. Perguntando durante o coquetel, sobre como havia descoberto a canção, Sablon respondeu: “Eu estava passando uns tempos no Brasil, de férias, quando vi na televisão aquela moça de olhar perturbador e voz quente. Gostei tanto da música que ela cantava que a incluí em meu repertório.”


"Toi Si Loin de Moi" ORIGINAL


Toi si loin de moi
Es-tu fidèle à notre amour?
Toi loin de mes lèvres
Sens-tu parfois coeur trop lourd
N'as-tu pas oublié notre danse
Et l'air que nous chantions?
Les baisers, les douces confidences
Que nous échangions


Dans ma mémoire
Ces instants sont gravés.
J'ai peur de croire
Qu'ils appartiennent à mon passé,
Et je ne vis plus que d'un espoir :
Te revoir bientôt ; demain ; ce soir,
Car je ne peux plus vivre sans toi.
Sans toi tout près de moi.


Mais j'ai confiance
Demain m'apportera
Ma récompense
Dans un message venant de toi
La plus belle des lettres d'amour
Puisqu'elle m'annoncera ton retour
Et que pour toujours tu restera
Tout près, tout près de moi.


TRADUÇÃO

Você, tão longe de mim,
É fiel ao nosso amor?
Você, longe dos meus lábios,
Sente, às vezes, o coração pesado demais?
Você não esqueceu nossa dança
E a cantiga que cantávamos?
Os beijos, as doces confidências
Que trocávamos.

Na minha memória,
Esses momentos estão gravados.
Tenho medo de acreditar
Que eles façam parte do meu passado,
E vivo apenas de uma esperança:
Rever-te muito em breve; amanhã; esta noite.
Pois não posso mais viver sem você
Sem você junto a mim


Mas tenho certeza:
O amanhã trará
A minha recompensa
Numa mensagem vinda de você,
A mais bela das cartas de amor,
Porque me anunciará a sua volta.
E  porque você ficará pra sempre
Junto a mim, bem junto a mim.


Jornal do Brasil - 26 de outubro de 1960

Jornal do Brasil - 6 de novembro de 1960

Jacqueline Boyer - "Tu Es le Soleil de Mon Coeur"




23 de outubro de 2012

Maysa está na área do dólar - Diário da Noite (22/08/1960)


Maysa está na área do dólar


Maysa entrou na área do Dólar, como cantora. Após longa ausência (mais de um mês), regressou ontem à tarde, num Super-H da Real, procedente de Tóquio e de algumas cidades norte-americanas, trazendo um cãozinho, “Talismã”, que lhe custou nos Estados Unidos, 250 dólares, e que tem dado sorte à sua dona, desde que ela o adquiriu.
Foi somente depois de comprar “Talismã”, que Maysa assinou contrato de três anos com uma organização norte-americana, que lhe proporcionará vultoso cachê. Sua primeira temporada artística nos “States”, durará três meses e está prevista para breve. Maysa, por isso, voltou feliz e consciente de que penetrou mesmo na área do Dólar, trouxe um novo secretário.

Chegou ontem dos “States” – assinou contratos fabulosos – passou pelo Rio rumo a São Paulo

· Viagem cara

O rapaz é brasileiro com forte sotaque norte-americano. Ela o descobriu nos Estados Unidos, onde ele residia a cerca de dez anos. O novo secretário mostrou-se desembaraçado, durante as negociações de Maysa com o Blue Angel, onde ela atuará brevemente (Nova York) e foi logo contratado pela cantora. Maysa, o secretário e Talismã, não se demoraram, ontem à tarde no Galeão: estavam em trânsito para São Paulo.
A viagem de Maysa (partiu de São Paulo dia 5 de julho) foi das mais dispendiosas: gastou desde o dia de sua partida mais de Cr$ 1 milhão e meio – mas isso não a deixa triste:
-         O contrato que obtive com o Blue Angel compensará perfeitamente esses gastos e ainda vai sobrar alguma coisa – disse ela ao DN.

· “Globe-Trotter”

jamais artista algum brasileiro cumpriu tão estranho e longo programa, em tão curto tempo, quanto Maysa. Senão, vejamos: ela partiu dia 5 de julho, rumo a Tóquio, no vôo inaugural da linha da Real entre o Brasil e o Japão. Depois de alguns dias de permanência em Tóquio, resolveu “dar um pulinho” (36 horas de vôo) a Nova York, para tratar, com o seu empresário, uma temporada nos “States”. Demorou-se 43 horas e regressou a Tóquio, para cumprir programa na TV. Neste vai-e-vem de 72 horas, escalou duas vezes no Alasca e “pousou” menos de dois dias em N.Y.
Findo o contrato com a TV Japonesa, embarcou em Tóquio no Super-H da Real (que trouxe seus companheiros de viagem inaugural), mas interrompeu o vôo em Los Angeles. Dali foi a Las Vegas – e retornou a Los Angeles. Tomou um jato e desceu em Nova York, onde ultimou as negociações iniciadas em sua viagem-relâmpago de dias anteriores.

· Volta ao Rio

Maysa voltará a atuar nas Emissoras Associadas do Rio, Porto Alegre e Belo Horizonte, e nas Emissoras Unidas de São Paulo durante só três semanas, porque já no dia 15 de setembro estará estreando em Montevidéu, numa temporada de 15 dias. Na sua curta permanência em nosso país antes de partir para o Blue Angel em Nova York, cantará ainda em Salvador, Recife, Campina Grande e João Pessoa.
Esta semana, a intérprete de “Meu Mundo Caiu” cantará amanhã em Belo Horizonte, quarta-feira em São Paulo, quinta-feira em Porto Alegre, sexta na TV Tupi e na rede Tupi-Mayrink, no Rio. Portanto, a viagem de Maysa continua, desta feita, entre nós. E suas crônicas para o DN refletirão as impressões da artista dos lugares onde ela estiver. 


22 de dezembro de 2011

Imprensa: Maysa, o drama de uma vida (Fotonovela Sétimo Céu - 1960)


Maysa, o drama de uma vida
Sétimo Céu - Maio de 1960

(clique nas fotos para ampliá-las e facilitar a visualização)