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23 de setembro de 2013

Imprensa: Maysa: meus erros chegaram ao fim - Radiolândia, 1959


Maysa: meus erros chegaram ao fim



Texto LIBA FRYDMAN · Fotos HILDO PASSOS

Maysa já se encontra na Europa, tendo viajado na tarde de terça-feira, dia 16 deste.
Falando à imprensa antes do embarque, Maysa declarou que ao voltar será outra pessoa. Concordou em que tinha cometido uma série de erros nos últimos tempos, mas que tudo isso seria coisa do passado. Ao regressar, Maysa afirmou que sua vida tomará um sentido diferente e que os erros cometidos não se repetirão. Assim, essa viagem servirá como uma espécie de pausa para reabilitação. Reabilitação para consigo própria, é preciso que se diga, pois os erros de Maysa são, na verdade, de sua única e exclusiva responsabilidade, e se prejudicam a alguém, é a ela própria.
Dias antes, Maysa despedira-se dos parentes e amigos de São Paulo, numa festa que tinha dupla significação: a despedida e a comemoração do seu vigésimo terceiro aniversário. Eis como que se deu a festa:
No amplo salão de festas do Hotel Jaraguá reuniram-se amigos, colegas e representantes da imprensa, para a comemoração do vigésimo terceiro aniversário de Maysa. Atacada por muitos, defendida por outros tantos, Maysa parece não dar muita bola para nada disto em sua festa, elegantíssima em sua “toilette” preta, com um penteado que apesar de ser o último grito da moda, traz sua marca registrada, pois foi feito com suas próprias mãos. Várias “corbeilles”, de amigos que não puderam comparecer, chegaram durante o coquetel, presidido pela cantora e seus pais, o casal Alcebíades Monjardim. Só faltava o pequenino Jayme, que havia cumprimentado sua mamãe com grandes beijos e abraços durante o dia, e já se encontrava repousando em sua caminha, no apartamento dos avós Monjardim.

O estado-maior da RGE compareceu incorporado nas pessoas de José Scatena, Jacques Netter, Henrique Simonetti, Geraldo Lacerda, Orlando Matiaso e os divulgadores Eduardo Sousa Costa e Alberto Ferreira. Mário Duarte, da Organização Vítor Costa, veio trazer seu abraço à amiga e colega, assim como o cantor Abílio Herlander e o compositor Mansueto. Das “Unidas” comparecem Randal Juliano, o rádio-repórter Irineu Sousa Francisco e sua esposa, a atriz e comediante Nair Belo, e a anunciadora Jussara Menezes, José Roberto Lima, “public-relations” da Light e grande amigo do mundo artístico, também compareceu, mais a novata Riva Rosen, que em breve estará estreando no papel-título da peça teatral “O Diário de Anne Frank”. Muita gente da alta sociedade veio dar seu abraço a Maysa, que muito antes de ser cantora profissional já encantava o grupo com sua voz, especialmente nas festas beneficentes. Aliás, os leitores devem estar lembrados que Maysa, no início de sua carreira profissional, doava tudo o que recebia a diversas associações de caridade, só passando a ficar com seus salários integralmente depois do seu desquite. 


(Matéria publicada originalmente na revista RADIOLÂNDIA, em 1959)


18 de março de 2013

Especial: "Ouça" por Jean Sablon


"Ouça" por Jean Sablon


Jean Sablon (1906 – 1994), foi um dos maiores nomes da música francesa no século XX, um dos mais aclamados cantores franceses de todos os tempos, considerado segundo em popularidade, somente atrás de Maurice Chevalier. Ao longo de sua carreira vendeu milhões de discos, Sablon era considerado o equivalente francês do norte-americano Bing Crosby. Curiosamente, ele mantinha uma estreita ligação com Brasil; visitou nosso país inúmeras vezes durante sua vida, e sempre teve uma ótima receptividade aqui, onde manteve um público cativo por décadas. Em 1959, Jean Sablon gravou num disco 45 RPM – do tipo compacto duplo – uma canção chamada “Toi Si Loin de Moi”, uma versão em francês para o hit “Ouça”, de autoria de ninguém, ninguém menos, que Maysa. Além da versão francesa para o clássico da cantora, Sablon também gravou uma versão em francês para "Manhã de Carnaval", um dos maiores clássicos da música brasileira, transformada em sucesso internacional através do filme ítalo-franco-brasileiro Orfeu Negro, de 1959.

Portanto, o nome de Maysa começava a ecoar – cada vez mais alto – do outro lado do atlântico. Em 26 de outubro de 1960, o Caderno B do Jornal do Brasil noticiava que a jovem cantora francesa Jacqueline Boyer, de apenas 18 anos de idade, obteve o prêmio ‘Aquarela do Brasil’, que a Embaixada Brasileira em Paris confere anualmente aos melhores intérpretes franceses de canções brasileiras. Naquele ano, os dois agraciados com a jangada de marfim – símbolo do prêmio, gravaram canções escritas por Maysa. Jacqueline Boyer ganhou com “Tu Es le Soleil de Mon Coeur”, versão para “Deserto de Nós Dois” – lançada por Maysa no long-play Convite para ouvir Maysa Nº 4, 1959. O prêmio de melhor interpretação masculina foi entregue a Jean Sablon, pela gravação já referida “Toi Si Loin de Moi” (Ouça). Os prêmios foram entregues pelo Embaixador do Brasil na França, Sr. Carlos Alves de Sousa, durante um coquetel na Maison de L’Amerique Latine, em Paris. Perguntando durante o coquetel, sobre como havia descoberto a canção, Sablon respondeu: “Eu estava passando uns tempos no Brasil, de férias, quando vi na televisão aquela moça de olhar perturbador e voz quente. Gostei tanto da música que ela cantava que a incluí em meu repertório.”


"Toi Si Loin de Moi" ORIGINAL


Toi si loin de moi
Es-tu fidèle à notre amour?
Toi loin de mes lèvres
Sens-tu parfois coeur trop lourd
N'as-tu pas oublié notre danse
Et l'air que nous chantions?
Les baisers, les douces confidences
Que nous échangions


Dans ma mémoire
Ces instants sont gravés.
J'ai peur de croire
Qu'ils appartiennent à mon passé,
Et je ne vis plus que d'un espoir :
Te revoir bientôt ; demain ; ce soir,
Car je ne peux plus vivre sans toi.
Sans toi tout près de moi.


Mais j'ai confiance
Demain m'apportera
Ma récompense
Dans un message venant de toi
La plus belle des lettres d'amour
Puisqu'elle m'annoncera ton retour
Et que pour toujours tu restera
Tout près, tout près de moi.


TRADUÇÃO

Você, tão longe de mim,
É fiel ao nosso amor?
Você, longe dos meus lábios,
Sente, às vezes, o coração pesado demais?
Você não esqueceu nossa dança
E a cantiga que cantávamos?
Os beijos, as doces confidências
Que trocávamos.

Na minha memória,
Esses momentos estão gravados.
Tenho medo de acreditar
Que eles façam parte do meu passado,
E vivo apenas de uma esperança:
Rever-te muito em breve; amanhã; esta noite.
Pois não posso mais viver sem você
Sem você junto a mim


Mas tenho certeza:
O amanhã trará
A minha recompensa
Numa mensagem vinda de você,
A mais bela das cartas de amor,
Porque me anunciará a sua volta.
E  porque você ficará pra sempre
Junto a mim, bem junto a mim.


Jornal do Brasil - 26 de outubro de 1960

Jornal do Brasil - 6 de novembro de 1960

Jacqueline Boyer - "Tu Es le Soleil de Mon Coeur"




24 de setembro de 2012

Maysa julgada pelos próprios artistas - Revista do Rádio (1959)

Maysa julgada pelos próprios artistas


Aqui estamos, mais uma vez, com um “julgamento” de artista. Em que o júri é todo, também, de astros e estrelas do rádio e da TV. Não há “crime”, apenas as opiniões de gente famosa, analisando um aspecto da carreira ou particularidade de alguém do seu próprio meio. Razões para suscetibilidades? Nenhuma. Porque, inteligente e sensato, o artista sabe que todos lhe querem bem. E que não seria esse “julgamento” que iria torna-lo menos querido de todos. Por isso mesmo, Maysa não ficará zangada quando os colegas respondem a esta indagação:

Os acontecimentos da vida particular de Maysa prejudicam seu prestígio artístico?

Paulo Gracindo


-         Não, não acredito. Haja visto, que Elizabeth Taylor, com uma vida particular muito pior, até agora não foi prejudicada. Maysa tem personalidade demais e se sobrepõe a isto tudo. Parece até que melhoram suas composições e interpretação.

Julie Joy


-         Não, não prejudicam, muito ao contrário. Ela é cada vez mais popular, vende mais discos, etc. Acho até que Maysa faz tudo isto deliberadamente com o fim de conseguir maior publicidade e maior divulgação. Até agora ainda não falhou...

Ivon Curi


-         Eu gosto demais de Maysa, mas reconheço que ela não procura se fazer simpática ao público. Ela não se preocupa com o que possam pensar a seu respeito e a falta de cumprimento de certos compromissos, prejudicam seu prestígio.

Bibi Ferreira


-         Aqui no Brasil parece que não prejudica. Na Europa, e principalmente em Portugal, o caso é diferente, mas manda a verdade que se diga, que lá os fãs se ocupam muito é com as atividades artísticas, somente.

Ângela Maria


-         Prejudica a Maysa como prejudica a qualquer outra cantora, que faça a mesma coisa que ela faz, sem refletir no que possa acontecer com sua carreira artística. A vida particular do artista é uma das coisas que mais o público se preocupa.

José Vasconcelos


-         Absolutamente. Uma coisa independe completamente da outra. Para ela foi uma publicidade positiva. Agora, se ela fosse uma péssima cantora ou sem personalidade, a divulgação dos fatos de sua vida particular poderiam prejudica-la.

Dóris Monteiro


-         Não, não acho. Porque ninguém tem nada a ver com a vida particular de Maysa e sim com a sua vida artística. Os escândalos que inventam apenas podem prejudica-la perante os que não a  conhecem bem.

Marlene


-         Poderão afetar um pouco, se bem que ninguém tem nada a ver com a vida particular dos outros. Se Maysa corresponder artisticamente ao público, sua vida particular – esta é a minha opinião – não afetará nunca seu prestígio artístico.

Vera Lúcia


-         A publicidade em torno da vida pública de um artista às vezes ajuda a projetar o seu nome, como foi o caso do principio da carreira de Maysa. Mas, a publicidade em torna de sua vida particular, vai fatalmente prejudica-la.

Sylvinha Telles


-         Acho que Maysa tem um grande valor como cantora e como compositora, por isso não posso compreender, que ela permita que sua carreira seja prejudicada por faltas a compromissos e por publicidade em torno de sua vida particular.

Dolores Duran


-         Não acredito que isso possa acontecer, em absoluto. Ao público o que interessa realmente é que a artista cante bem. Enquanto ela puder cantar e compor com agrado, o público a aceitará de qualquer forma.

Carminha Mascarenhas


-         Absolutamente, pois foi o que mais deu oportunidades à ela. Acho que Maysa está certa, porque faz tudo com simplicidade, sem qualquer fim deliberado e não está buscando conseguir publicidade. Às vezes desvirtuam as suas boas intenções.

Ary Barroso


-         Acho que não, porque apesar de tudo o que aconteceu com ela, continua sendo uma grande estrela. Isto deve ser porque ela é uma grande artista e compositora, do contrário a publicidade negativa que tem recebido já a teria derrubado.

Neuza Maria


- Acho Maysa uma grande cantora, com uma bela e grande personalidade. Na minha opinião ela não precisava de escândalo para vencer. Ela apareceu assim, e as “ondas”, em vez de a prejudicarem, aumentam ainda mais seu cartaz.



Originalmente publicado na Revista do Rádio, em 1959.

27 de agosto de 2012

Maysa chega ao Rio de Janeiro vinda de São Paulo - Última Hora (05/04/1959)


Desembarque de Maysa no aeroporto Santos Dumont, Rio de Janeiro, vinda de São Paulo.

Fotos de J. Gomes































Data: 05/04/1959
Acervo: Arquivo Público do Estado de São Paulo.

12 de dezembro de 2011

Coluna: Disco da semana


Disco da semana

Maysa (compacto duplo)


Ano: 1959

Gravadora: RGE (EP-90.000)
Faixas:
1-    Get Out Of Town (Cole Porter)
2-  Chanson D’amour (Hein Gietz / Kurt Feltz)
3-  Malatia (Armando Romeo)
4-  Uska Dara (Folclore turco)

Análise:
Lançado no começo do ano de 1959, o compacto duplo Maysa, foi o primeiro gravado da cantora exclusivamente de músicas internacionais. Para o apetite do público que gostava de suas interpretações estrangeiras, a cantora ofereceu um leque de canções de vários idiomas. Mas o disco não vinha só com este propósito. Uma de suas motivações era recuperar a boa impressão do público e da crítica após o malogro total do álbum anterior – Convite para ouvir Maysa Nº 3, e também uma forma de satisfazer os fãs sempre ávidos de Maysa.
O disco abre com um clássico de Cole Porter (de quem Maysa era fã confessa)  – “Get Out of Town”, a introdução luxuosa ao piano do maestro Enrico Simonetti (mais uma vez responsável pela regência e arranjos do disco de Maysa), nos remete a um estilo Broadway – refinado e elegante. Maysa interpreta o beguine com maestria e muita sensualidade, impecável.
A seguir vinha à francesa “Chanson d’amour” que ganhou um tratamento extremamente delicado e diferente das gravações habituais, o que a faz se assemelhar bastante a uma canção natalina.
No lado B do disco, estavam “Malatia” e “Uska Dara”. A napolitana “Malatia” primeira era um lançamento recente de grande sucesso e que viria a se tornar um grande clássico da música popular italiana. Cheia de sentimento, é uma canção que se assemelha bastante aos sambas-canção interpretados usualmente por Maysa, o arranjo solitário acentuou muito a interpretação melodramática e quente de Maysa. Por último e para surpresa de todos, Maysa desencavou uma canção popular milenar do longínquo folclore turco: “Uska Dara”. É interessantíssimo ouvir a interpretação – maravilhosa, por sinal – de Maysa para uma canção de um país oriental de um idioma tão distante do nosso, mas o melhor é mesmo o arranjo magnífico do maestro Simonetti com orquestração verdadeiramente soberba.
Este disco é realmente um achado maravilhoso, uma relíquia que nos mostra mais uma vez a pluralidade de Maysa e o seu requinte interpretativo em vários idiomas em que podemos apreciar sua voz, sempre romântica e acima de tudo: originalíssima.

Download:


22 de novembro de 2011

Imprensa: Maysa ensina sua filosofia de vida em doze passos.


MAYSA ensina sua filosofia de vida em doze passos.






1º. — "Todos os dias, quando acordo, só penso em fazer aquilo que tenho vontade, somente isso".


2º. — "Não gosto de ouvir ninguém tentando corrigir-me de qualquer falha... Somos todos uns “falhados”... E, afinal, estamos no mundo para pagar nossos pecados."


3º. — "Quando me sinto aflita apelo para o meu "Anjo da Guarda", e só "vou" a Deus em última instância. Sei que as minhas aflições são causadas por mim mesma.”...


4º. — "Não me meto com a vida de ninguém para que ninguém se meta com a minha. Embora se metam. Mesmo assim, o que me interessa é o meu juízo".


5º. — "Tenho exata noção dos dias presentes. Do amor, da alegria, e (para que negar?) do sofrimento".


6º. — "Sei que a mocidade é um sopro da vida que só pode ser julgado quando caminhamos para a velhice".


7º. — "Se querem ver em meus cabelos um toque de minha personalidade, até isso admito. Uso-os com a mesma espontaneidade com que guio a minha vida".


8º. — "Se minhas músicas representam o estado da minha alma, até isso é verdade. Vivo-as todas as vezes que as interpreto. Se sou excessivamente romântica, não vejo desdouro nenhum nessa afirmativa. A vida sem amor é uma queda no vácuo".


9º. — "Aqueles que dizem que não penso no futuro, revelam apenas um dom frustrado de profeta. Faço o que quero, quando quero
e porque quero!”



10º. — "Faço minhas as palavras de Vinicius de Morais: — "O poeta só é grande se sofrer".


11º. — "Os fãs, na ânsia de confortar seus favoritos, mais aumentam os sofrimentos, já que deles jamais poderão participar.”


12º. — "Sou assim: minha vocação explodiu dentro de mim como um vulcão. Por isso me considero inconsequente, incoerente, leviana, matusquela. Falam como se tudo isso pudesse mesmo de longe atingir os meus sofrimentos. Um dia, e na esperança desse dia, muitos dirão que "afinal de contas não sou má pessoa."



(publicado na Revista do Rádio no fim dos anos 50)

26 de outubro de 2011

O álbum de Maysa: Maysa vai viajar (1959)


O jornal carioca Última Hora fotografou os preparativos do embarque de Maysa para a Europa, na casa da cantora, em 1959 (fotos: José Gomes - 12/06/1959)
















21 de setembro de 2011

Especial: Maysa nos bastidores (1959)


No dia 27 de abril de 1959, o jornal carioca Última Hora, publicou uma extensa sessão de fotos, revelando os bastidores das gravações de Maysa, na TV Rio. (fotos: Luiz Santos)