21 de maio de 2013

Imprensa: Depois de amanhã, todo dia é de Maysa - Correio da Manhã (19/05/1970)


Depois de amanhã, todo dia é de Maysa


O Dia D Maysa foi ontem, em São Paulo. Maysa só exigiu uma equipe para trabalhar e o resto ficou por conta do recado que as câmeras do canal 7, TV Record de São Paulo, mandaram para quase todo o Brasil.

Agora é hora de voltar ao Rio. Quinta-feira é dia de Maysa no Canecão.

-        A gente tem que ser coerente, mais nada. Se foi aqui que eu recebi tanto carinho e o meu recado foi tão bem entendido, porque mudar?

A “Maysa de hoje”, ela mesma diz, não existe.

-        Nada mudou. As pessoas continuam me agredindo, tendo preconceitos em relação a mim. E eu continuo me defendendo delas, agressivamente. Na verdade, o que pode ter mudado – é, isso realmente mudou – é que hoje, eu evito essas pessoas o mais que eu posso, procuro ter o mínimo contato possível com essa gente.

Mas hoje existe uma Maysa obcecada por seu trabalho, entusiasmada com as canções que vem ensaiando para o show do Canecão, com os arranjos de Luiz Eça, com os jovens do conjunto que vai acompanha-la.

-        Há dez anos, nós já fizemos isso: éramos eu, o mesmo Luizinho Eça, Menescal, Hélcio Milito, Bebeto, Luís Carlos Vinhas. Foi a época do Barquinho e todos eles, apesar de ainda desconhecidos, já eram da pesada. Hoje, eu volto a trabalhar com uma turma de garotos sensacionais, orientados pelo Eça, estou muito à vontade com eles.

No repertório, há San Juanito e há Roberto Carlos.

-        Também isso não é uma mudança. Eu sempre cantei o que sentia, minha única condição para cantar uma música é ser tocada por ela, acreditar nela. Se há 10 anos me aparecesse uma canção de Roberto Carlos, eu cantaria, desde que gostasse. Nunca tive preconceitos, principalmente, em relação à música.

Os planos para o futuro só falam em cantar, até que a voz acabe. Maysa assinou agora um contrato com a Phillips, primeira experiência de um programa de divulgação de Maysa no exterior: o novo disco tem a direção artística de Roberto Menescal, tem arranjos modernos e tem músicas que Maysa vai cantar no Canecão. Apesar de estar num esquema de se lançar no exterior, Maysa nem quer ouvir falar no Festival da Canção.

-        É simples: até agora, o Festival só trouxe vantagens para a música estrangeira.

Antes do show do Canecão, Maysa deveria fazer uma temporada no Teatro da Praia, sob a direção de Miéle e Bôscoli. Faltando cinco dias para a estreia, o espetáculo foi cancelado.

- Não tenho físico para trabalhar daquele jeito. Em cima do dia da estreia não havia nem texto. Ronaldo e Miéle são excelentes produtores e estão acostumados a trabalhar na base da improvisação. Mas eu não aguento, não sou gênio. Talvez os dois, de uma certa forma, o sejam. Mas para mim não dá, embora isso não diminua minha admiração por eles. 


(Reportagem publicada originalmente no jornal CORREIO DA MANHÃ - Rio de Janeiro, 3ª feira, 19 de maio de 1970)

13 de maio de 2013

Imprensa: A voz que vem do Coração, Fernando Sabino - Jornal do Brasil (11/11/1974)


Fernando Sabino

A voz que vem do coração


Aperto o botão da campainha e espero. Tive de subir um lance de escada, o elevador não vem até aqui. É um prédio antigo numa rua transversal de Copacabana. O vestíbulo é amplo – reparo que o papel de parede está descolado junto ao chão, mostrando uma cicatriz no reboco. Quando começo a acreditar que a campainha não esteja funcionando a porta se abre:
-         Ela está para chegar a qualquer momento. Entre, por favor.
É Leila, sua dedicada amiga e secretária. Sigo-a através de várias dependências, inclusive um quarto de dormir. O apartamento, de cobertura, me parece fino e comprido como um navio.
-         Não repara, estamos em obras.
Ela me serve um uísque e me deixa à vontade. Enquanto espero tenho tempo de reparar em tudo, mas estou inquieto, como um mistério que terei de enfrentar de um momento para outro. Vou até o terraço, que se prolonga em todo o comprimento da fachada, extenso e vazio, como uma plataforma de estação. Debruço-me na parte que dá para o mar, fronteira à janela do apartamento onde morou Augusto Frederico Schmidt. A lembrança do poeta morto me deprime, a altura me dá vertigem. Volto para a sala e continua a pesar-me uma sensação de insegurança, emanada dos próprios móveis que me cercam, marcados pelo uso, dos quadros que cobrem a parede, densos de sofrimento, dos livros na estante, todos de espiritismo e ciências ocultas (que mais tarde ficarei sabendo não serem dela). Meia-noite em ponto – hora fatídica das velhas histórias de assombração. Mal tenho tempo de acomodar-me e tomar o meu uísque para sossegar o espírito: ela acaba de chegar.
De repente tudo se ilumina. Como uma curva de estrada sob os faróis de um carro, a sala se acende. Tudo se ilumina com a presença magnética de uma mulher que acaba de entrar, fremente de simpatia, descontraída, aberta, comunicativa, e que se aproxima de mim pedindo desculpas pelo atraso. Sua maneira de me apertar as mãos me liberta instantaneamente da inquietação. Só que não vai ser nada fácil escrever sobre ela. Vejo apenas dois olhos diante de mim, que são como os de Teresa no poema de Bandeira: mais velhos que o resto do corpo – os olhos nasceram e ficaram 10 anos esperando que o resto do corpo nascesse. E entendo sobre o que o poeta disse sobre os dela própria:
“Os olhos de Maysa são dois não sei que, dois não sei como diga, dois oceanos não pacíficos. Maysa são dois olhos e uma boca.”
A boca de Maysa falando e meus ouvidos escutando. Procuro em suas palavras um sentido lógico que complemente a emoção escolhida na sua voz de cantora. É estranho como a admiração à distância pode às vezes queimar etapas: não nos conhecemos senão indiretamente, através de amigos comuns como Aloysio de Oliveira ou Vinicius de Moraes – no entanto, nem um minuto é passado e ela já me fala de sua vida como se eu fosse um amigo de infância. Corremos o risco de só conversarmos assuntos sobre os quais eu não poderia escrever.
-         Porque não? Pode escrever sobre o que você quiser.
Ela vem de uma seção de análise – a análise de grupo: parece embalada na franqueza ali exercida, prolongando-a em tudo que me diz. Prefere análise individual:
-         Já tenho os meus problemas, porque vou me chatear aguentando os dos outros? O que eu quero é viver a minha vida, amar, ser amada, fazer amor. Sofro de solidão. Sou uma romântica.
Como um analista improvisado, vou tentando explicar o seu temperamento, a partir da qualidade que parece presente em tudo na sua vida: a necessidade de amar e a fatalidade da solidão; a força da mulher erigida em mito e a imaturidade de criança; a moça de sociedade e a vida boêmia; a artista profissional e a amadora que gosta de pintar e escrever; até mesmo a mulher magra com tendência a engordar.
-         Não foi tendência a engordar: foi bebida mesmo. Tomei um pileque que durou de 58 a 62. Fiquei com 96 quilos. Deixei de beber e perdi litros e litros.
Eu bebendo, e ela tomando uma xícara de café a cada uísque meu.
-         Beber é muito bom. Muito melhor que não beber. Mas eu não podia: ficava impossível, agredia as pessoas. Um dia vi um amigo nosso saindo pelos fundos para fugir de mim, fiquei chateada, resolvi parar.
A surpreendente desinibição com que ela fala no problema é a prova de que soube enfrentá-lo. Quando todos a supunham com a carreira encerrada, ressurgiu como se tivesse renascido. Não é sem razão que admira Sarah Vaughan ou Ella Fitzgerald, mas sua admiração maior é mesmo por Judy Garland.
-         Eu me casei muito moça: com 17 anos. Ele era 18 anos mais velho que eu, para mim muito mais pai do que marido. Não levei propriamente vida de sociedade, mas me sentia muito tolhida no meio daquela gente toda. Acabava tendo de jogar buraco, pif-paf, ir a boates... o que eu gostava era de cantar.
Aprendeu piano e aos 12 anos compôs a sua primeira música. Que acabou em disco, quando tinha 19 anos, sugerido um dia por um produtor em visita à sua casa. O sucesso deixou a família desconcertada: não era exatamente o que esperavam dela. Por essa ocasião teve um filho (hoje com 18 anos). A família inteira compareceu a sua estreia na TV Record. Daí para frente a situação ficou insustentável. Deixou a família e continuou cantando: no Rio, em Buenos Aires, em Paris, dois anos na boate Blue Angel em Nova Iorque. Sete anos de cura e repouso na Espanha. Outros casamentos, quatro ao todo. E voltou a cantar.
O novo long-play que está lançando esta semana talvez seja o mais importante dos 25 que já gravou: representa a sua nova maneira de cantar e a sua verdadeira maneira de ser. Tentou o teatro, tentou a novela, tentou o show popular, com jogos de luzes e pernas de fora, numa obstinada procura de renovação. Mas não encontrou como agora a verdade da sua arte, despojada de artifícios, na voz nascida nota por nota diretamente do coração. É ela própria que está ali, autêntica, vivida e amadurecida. Não esconde idade: está com 38 anos feitos. Não tem medo de envelhecer nem de morrer. Tem medo é de enfrentar o público. Mesmo indiretamente através de uma entrevista ou do que escrevam sobre ela. Hoje, por exemplo, pensou seriamente em inventar uma desculpa para adiar nosso encontro, dizer que o pai estava passando mal, ou que ela tinha ido para Maricá (onde ela está construindo uma casa que é atualmente o seu sonho de uma nova vida e de um novo amor). Mas acaba conversando comigo até quatro e meia da manhã, e quando lhe digo, ao despedir-me, que não saberei como escrever sobre ela, sugere que eu ouça seu novo disco, preste atenção nas palavras:
-         Eu estou toda ali.


(Publicado originalmente no CADERNO B do JORNAL DO BRASIL - Rio de Janeiro, 2ª feira, 11 de novembro de 1974.)

6 de maio de 2013

Curiosidades: Contracapa de Maysa sings songs before dawn (1961)


Maysa sings songs before dawn


Texto de contracapa (TRADUÇÃO)

Esta é a voz de Maysa. A cantora mais popular e emocionante do Brasil. Sua voz – quente, infinitamente sedutora, – é calorosamente convincente, suas performances são hipnóticas. Com extraordinária arte (e um punhado de sotaque) Maysa se estabelece imediatamente neste, seu disco norte-americano de estreia, como uma das grandes estrelas internacionais. Nascida numa das mais distintas famílias do Rio de Janeiro, Maysa foi “descoberta”, enquanto cantava numa de suas próprias festas. Roberto Corte-Real, diretor artístico e de repertório da gravadora Columbia no Brasil, estimulou-a a gravar algumas de suas canções e Maysa concordou, estipulando que os direitos autorais deviam ser cedidos ao Instituto Brasileiro do Câncer. O resultado do disco foi um sucesso instantâneo, e Maysa se encontrou lançada numa nova e inesperada carreira. Como Maysa Matarazzo (ela é esposa do conde André Matarazzo) esta cantora vibrante apareceu nos principais clubes do Rio de Janeiro, São Paulo, Buenos Aires e Uruguai. Os discos subsequentes trouxeram-na mais sucesso, e ela estrelou o elenco de programas de rádio e televisão por toda América do Sul. Maysa também apareceu na famosa casa de shows Olympia em Paris, no Japão e no Blue Angel de Nova Iorque. Ela ganhou por duas vezes consecutivas todos os quatro maiores prêmios do Brasil: O Disco de Ouro, A Antena de Prata, o prêmio de Melhor Cantora da TV do ano e o Troféu Roquette Pinto, nomeada para um dos maiores artistas do Brasil, como melhor cantora de boate, rádio e televisão. Neste programa provocante, Maysa canta em inglês, francês, espanhol e na sua língua nativa, português. As três canções talvez desconhecidas do público norte-americano são a exótica brasileira Night of my Love, a mordaz francesa Ne Me Quitte Pas do compositor-cantor Jacques Brel e a balada chilena La Barca. Autumn Leaves, que é cantada em francês e inglês, combinando os talentos do poeta francês Jacques Prevert e do letrista americano Johnny Mercer, é a única outra canção não-nativa. As outras, todas standards norte-americanos, foram deliberadamente escolhidas por suas qualidades dramáticas. Todas as canções gravadas neste disco dão a Maysa a oportunidade de cantar com paixão, envolvimento pessoal e soberba musicalidade, qualidades que tem trazido a ela um séquito fervente e fiel em sua pátria. 



22 de abril de 2013

Imprensa: O grande amor de Maysa Matarazzo - Diário de Notícias, 29/09/1957


O grande amor de Maysa Matarazzo 


Um vestido vermelho entre violinos –
Recordações do colégio de freiras –
Cantar não é pecado – Romance inacabado – A tentação do teatro – O momento sagrado – Tudo em paz – Renunciar? Nunca

Entrevista exclusiva para a Revista Feminina

(Especial para a Revista Feminina)

O auditório estava às escuras. O ensaio havia começado. A orquestra, no palco. Maysa Matarazzo cantava Mea Culpa. O repórter sabia que a entrevista só podia ser feita durante o ensaio. Maysa devia ir ao hotel trocar de roupa, depois atuaria no programa de televisão e, logo a seguir, tomaria o avião de volta para São Paulo. O repórter chegou até a beirada do palco, lápis e papel na mão.

-         Maysa!
A orquestra tocava outra música. O maestro indicava os andamentos aos instrumentistas. E, assim, entre as pausas dos violinos, fez-se a entrevista.
-         Maysa, você sabe que parece uma menina com esses cabelos despenteados?
-         Não tive tempo para ir ao cabeleireiro.
-         Tem uma cabeça de artista jovem e bonita.
-         Jura?
-         Então! Onde nasceu?
-         No Rio. Minha família foi residir em São Paulo quando eu contava três anos de idade.
-         Onde estudou?
-         No Colégio Sacre-Coeur de Marie.
-         Quando começou a cantar?
-         No coro do colégio. Ali também aprendi que cantar não é pecado.
-         Não é, não. A arte resume o que de mais puro existe em todas as religiões.
-         Você disse tudo. Sabia que estudei seis anos de piano?
-         Ótimo. E como iniciou a carreira?
-         Em casa, sem pensar em me tornar profissional. Ouviram-me uns amigos de meu pai, gravaram minha voz em fita. Pouco depois, fiz o primeiro long-playing para a fábrica RGE, em novembro do ano passado.
-         E a sua estreia para o público?
-         Foi no dia 13 de abril, pela TV-Canal 7, da Rádio Record de São Paulo. Nem queira saber a surpresa de muitos, a minha alegria, os debates na família, os comentários dos jornais. Estreia emocionante.
-         É verdade que destina tudo que ganha a instituições de caridade?
-         Sim.
-         E quanto ganha?
-         Vinte e cinco contos em cada programa de televisão no Rio, vinte e cinco contos em cada programa de televisão em São Paulo. Falando em cruzeiros, cinqüenta mil cruzeiros semanais. Cantar não é pecado...
-         Pretende fazer tournées?
-         Mais tarde, talvez.
-         Algum dia pensou em escrever romance?
-         Comecei, parei no meio, não tinha título.
-         Que heroína de peça teatral desejaria viver?
-         Alma, personagem surrealista da comédia de Sophie Rosenhaus O Ambutis.
-         Sophie Rosenhaus?
-         É uma autora desconhecida, mas que terá fama, breve.
-         Qual o trabalho em casa que você mais gosta?
-         Nenhum. Em casa, o meu prazer é cuidar do filho e ouvir música.
-         O que mais aprecia no Rio?
-         Tudo. O Rio.
-         E em São Paulo?
-         Detesto o clima.
-         Qual a mulher mais elegante, a carioca ou a paulista?
-         A mulher brasileira.
-         Como se inspira para compor suas músicas?
-         Em casa. A melodia surge em mim, distante, até que se apossa de toda a minha sensibilidade. Canto a melodia, fazendo a gravação na fita. Depois, eu mesma escrevo a letra. É um momento sagrado. Vou ao piano e faço o acompanhamento. Minhas canções são dolentes, sentimentais: Tarde triste, Adeus, Mundo novo... a última intitula-se Felicidade triste. A música é o meu grande amor.
-         Maysa, reconstituiu definitivamente o seu lar?
-         Sem, graças a Deus.
-         Ninguém, falará mais em desquite?
-         Ninguém, graças a Deus.
-         Algum dia poderá renunciar à carreira artística?
-         Isso, nunca.
A sonoridade vibrante dos violinos no palco era como um convite irresistível à música. Maysa Matarazzo despediu-se do repórter. 


(Publicado originalmente no jornal DIÁRIO DE NOTÍCIAS, em 29 de julho de 1957.)

15 de abril de 2013

Imprensa: (Discoteca) Um novo estilo melódico - Correio da Manhã, 18/05/1958


Discoteca
Claribalte Passos


Um novo estilo melódico

Comentamos o disco long-playing RGE (selo preto), de nº XRLP-5.013, em gravações de alta fidelidade, 33 1/3 r.p.m., exemplar de 12'' (doze polegadas), vocal, sob o título de: "CONVITE PARA OUVIR MAYSA Nº 2". Temos, aqui, nada menos de doze criações da discutida intérprete MAYSA MATARAZZO, acompanhada por HENRIQUE SIMONETTI E ORQUESTRA "RGE". Na face A, desfilam: "Meu Mundo Caiu", de Maysa Matarazzo; "No Meio da Noite", de Aloysio Figueiredo e J. M. da Costa; "Bronzes e Cristais", de Alcyr Pires Vermelho e Nazareno de Brito; "Por Causa de Você", de Antônio Carlos Jobim e Dolores Duran; "Bom Dia, Tristeza", de Adoniran Barbosa e Vinicius de Moraes, e "Felicidade Infeliz", de Maysa Matarazzo. Na face B: "Bouquet de Isabel", de Sérgio Ricardo; "Mundo Novo", de Maysa Matarazzo"; "E a Chuva Parou", de Ribamar, Esdras Pereira da Silva e Victor Freire; "Caminhos Cruzados", de Antônio Carlos Jobim e Newton F. de Mendonça; "Meu Sonho Feliz", de Nanai, e, finalmente, "Diplomacia", de Maysa Matarazzo. Em vários discos desta etiqueta, observamos, mencionadas no selo os nomes das editoras. Achamos, na verdade, um hábil sistema não só de resultados comerciais profícuos, como também útil no tocante ao ponto de vista informativo. Neste seu novo long-playing a cantora paulista MAYSA MATARAZZO oferece-nos um expressivo recital de páginas melódicas, no ritmo do samba-canção. Algumas delas, de sua própria autoria, revelando-se mais uma vez excelente e inspirada compositora. "MEU MUNDO CAIU", por exemplo, constitui insuspeito testemunho e provavelmente teria o mesmo êxito de "OUÇA", não fosse a falta de "consciência" dominante nas "falsas paradas de sucesso" de nossas emissoras, nas quais o critério de seleção não é orientado pela qualidade, autêntico sucesso de vendagem, mas cavilosamente através de uma suspeita simpatia... Quem escuta rádio hoje em dia, no Rio, não pode esconder a repulsa diante de tão pouca vergonha! Infelizmente, trata-se de mal irremediável. Salve-se quem puder. Voltando a intérprete MAYSA, temos a salientar que reedita neste LP, "performances" anteriores e exterioriza com méritos um estilo diferente e personalíssimo no gênero melódico brasileiro. "Meu mundo caiu", "Caminhos cruzados", "Bouquet de Isabel", "Bronzes e cristais", "Por causa de você", figuram entre as melhores criações de Maysa. Louvamos também, os bonitos trabalhos orquestrais o que mais contribui a fim de aumentar as boas qualidades do presente microssulco da RGE. Ótimo, o nível de sonoridade das gravações, somente prejudicada em certos momentos pela massa empregada na fabricação acusando chiado. Muito sugestivo, em cores de real beleza, a foto da capa do LP. Cotação: ÓTIMO. - C.P.

(Publicado originalmente no jornal CORREIO DA MANHÃ, domingo, 18 de maio de 1958.)

26 de março de 2013

Especial: Petite biographie en français.


Petite biographie en français

Maysa


Maysa Figueira Monjardim − souvent appelée par son nom de mariée, Maysa Matarazzo  ou tout simplement par Maysa −, née le 6 juin 1936 à Rio de Janeiro et morte le 22 février 1977,  est une chanteuse, actrice et compositrice brésilienne. Pendant sa vie et sa carrière elle est devenue l'une des plus importantes chanteuses de la musique brésilienne.

Naissance et enfance          

Fille d'Alcebíades Guaraná Monjardim et d'Inah Figueira Monjardim, Maysa appartenait à une famille de l'aristocratie de l'Espirito Santo (État brésilien). Son grand-père, Alfeu Adolfo Monarjardim de Andrade e Almeida, Baron de Monjardim, a été pour cinq fois le gouverneur de cet État. Pendant son enfance, sa famille se déménageait souvent, mais elle a grandi et a passé la plupart de sa jeunesse dans la ville de São Paulo.

Maysa fréquentait les pensionnats les plus traditionnels et prestigieux de São Paulo, dont la plupart des élèves étaient issue de la haute société brésilienne. Pendant les vacances, elle avait l'habitude de partir à Vitória (capitale de l'Espirito Santo) pour retrouver ses cousins et ses oncles.

Mariage

Agée de 17 ans, elle se marie avec André Matarazzo, fils du Comte Andrea Matarazzo et membre de la très connue italo-brésilienne famille Matarazzo, à l'époque le clan le plus riche et puissant du Brésil. André est dix-sept ans plus vieux qu'elle. Leur mariage a lieu le 24 janvier 1955 et devient l'un des plus fastueux et inoubliables événements mondains des années 1950.

En 1956, Maysa accouche de Jayme Monjardim Matarazzo, son fils unique, qui deviendra plus tard un célèbre directeur de cinéma et de télévision.


Début de carrière

En 1956, Maysa est encore enceinte lorsque qu'elle rencontre, lors d'une réunion familiale, Roberto Côrte-Real, un grand producteur musical. Très vite, il est absolument fasciné par sa voix et ses compositions. Il lui propose donc d'enregistrer un album avec ces chansons.

 L'album s'appelle Convite para ouvir Maysa (Invitation pour écouter Maysa) et n'est enregistré qu'après la naissance de son fils Jayme. À cause de sa position sociale, qui l'empêche de travailler, Maysa se trouve obligée par son mari à destiner tout le profit de son disque à une institution de charité. Elle a choisi donc l'Hôpital du Cancer pour lequel elle avait une profonde admiration.  Dès que le disque commence à circuler, Maysa devient un immense succès dans toutes les stations radios de Rio de Janeiro et de São Paulo. Son mari n'est pas content. Il ne comptait pas sur ça. Au début il a été d'accord pour l'enregistrement du disque, mais il ne voulait pas que sa femme en fasse une carrière. Cependant, Maysa est vraiment décidée de continuer à chanter, elle ne voit donc qu'une solution: la séparation.


 En 1957 elle se sépare d'André (le divorce n'est instauré au Brésil qu'en 1977) et sa carrière se développe très rapidement. Maysa commence a gagner plusieurs prix musicaux, figurer dans la couverture de plusieurs magasines et commence à être persécuté par la presse people. En 1957 elle présente aussi sa propre émission télévisé. Diffusé para la chaine TV Record à São Paulo, elle s'appelait Convite para Ouvir Maysa, tout comme son premier disque. Elle sort la même année son plus grand succès Ouça (Entends) qui parle de séparation e qui est dédié à son ancien mari. 

En 1958 elle se déménage à Rio de Janeire, la capitale culturelle et la ville la plus emballante du Brésil pour présenter une nouvelle émission à la chaine télévisé TV Rio. En février de cet année-là elle sort son troisième album Convite para ouvir Maysa nº2 considéré par le public et la presse comme son meilleur album enregistré jusque-là. Il sera aussi le disque le plus vendu de toute sa carrière. Ce qui fera d'elle à l'époque la chanteuse la mieux payé du pays. Aussi en 1958, elle reçoit le Prix Roquette Pinto (le plus important du Brésil pendant plusieurs années) et souffre d'un accident de voiture qui l'a presque tué et qui a fait la une de toutes les magasines people. Quoi que Maysa était une très grande star à l'époque, elle avait de grands troubles d'esprit. Le succès, la popularité et l'argent ne lui étaient pas suffisants. De plus, sa séparation qui bouleversait la haute société brésilienne et la constante persécutions des médias lui font faire des grosses dépressions qui l'emmènent donc à l'alcoolisme et l'obésité. Pour s'échapper de tous ces conflits, Maysa décide en 1959 de faire un petit voyage en France et au Portugal.

1960s

Au début 1960, très grosse et très déprimée Maysa est admise dans un hôpital pour faire un programme de desintoxication et une térapie du sommeil. En pleine conscience de sa vie problématique, elle y reste plusieurs mois. Pendant ce temps-là elle se fait faire une chirurgie esthétique dans le but de masquer les cicatrices de son accident automobile. En conséquence de son traitement elle a perdu plus de 10kg. Maysa fait son retour musical et enregistre Voltei (Je suis revenue), son septième album. Dans la même époque elle est invité par la compagnie aérienne Real Aeorovias pour faire un concert à Tokyo en l'honneur du vol inaugural de ligne Rio de Janeiro-Tokyo. Lorsqu'elle arrive au Japon elle est invitée par la télévision japonaise pour aller dans une émission. Elle devient donc le premier artiste brésilien à faire une performance au Japan. 

De retour au Brésil, elle annonce dans une conférence de presse qu'elle est embauchée par ABC (Associated Booking Corporation) pour faire de nombreux concerts aux États-Unis pendant trois ans. Plusieurs journalistes ont estimé qu'elle recevait environ US $ 5 000 par semaine - un très grand salaire à l'époque. Maysa part aux États-Unis le 25 octobre 1960, elle y fait son premier concert le 1er novembre 1960 dans la boîte de nuit Blue Angel, situé 152 East 55th Street à New York. Le Bue Angel, managé par Max Gordon et Herbert Jacoby est à l'époque la boîte de nuit la plus sophistiquée de Manhantam. Des stars comme Barbra Streisand et Woody Allen y ont commencé leur carrière. Maysa signe aussi un contrat avec Columbia records, où elle enregistre son mythique album Maysa Sings Songs Before Dawn (Maysa chante des morceaux avant l'aube), qui est sorti en juillet 1960. Ce disque est devenu un mythe puisqu'il n'est jamais sorti au Brésil, mais curieusement dans d'autres pays d'Amérique Latine comme l'Argentine, l"Uruguay et le Perou. MalheureusementMaysa Sings Songs Before Dawn n'a pas été un grand succès malgré son très bon répertoire qui contient des chansons connues de l'ancienne musique américaine, comme par exemple: You Better Go NowSomething to Remember You ByThe End of a Love Affair et The Man That Got Away. Dans la couverture, Maysa est appellée "la nouvelle star de Columbia Records". La vérité c'est qu'elle n'a pas vraiment eu le temps de développer ce succès. Au mois d'aout, ses anciens troubles d'esprit lui ont poussé vers un retour presque définitif au Brésil. 

Au Brésil, Maysa commence à se relationer avec un nouveau mouvement musical brésilien - la Bossa Nova - qu'en principe n'était qu'un mouvement très régional, quasiment limité à la ville de Rio. La Bossa Nova avait donc besoin d'une grande voix, d'une chanteuse célèbre qui pourrait faire pousser le mouvement. Maysa accepte très vite ce nouveau rythme et en enregistre un merveilleux album appelé Barquinho (Petit Bateau) (sorti en octobre 1961). Ce disque a été très critiqué par la presse qui n'acceptait pas le nouveau style de Maysa. Par conséquant, il n'as pas fait grand succès, malgré sa très grande qualité. À cet époque, Maysa a eu une courte relation amoureuse avec Ronaldo Bôscoli, l'un des principaux compositeurs de la Bossa Nova. 

En 1962, encore une fois sa vie était cahotique. Maysa décide donc de s'échapper de tout le monde dans une tentative de se trouver la paix. Elle se soumet à des nouvelles thérapies du sommeil dans le but de perdre du poids. Maysa est admise dans une clinique à Buenos Aires. Lorsqu'elle sort elle réalise quelques concerts dans quelques boîtes de nuit de cette ville. En octobre 1962, Maysa sort Canção do Amor Mais Triste (Chanson du plus triste amour) son onzième album qui mélange des morceaux de Jazz, Bossa Nova et Samba-Chanson. À la fin de la même anné, Maysa part au Portugal où elle fait une performance à la télevision portugaise et quelques concerts. Elle y était beaucoup appréciée. Ensuite, Maysa part en France où elle fait un concert à l'Olympia, le très célèbre music hall parisien. Elle a été très bien reçue par la presse française qui l'a surnommé "L'impératrice de la Bossa Nova". Maysa a eu aussi l'occasion de participer à quelques émissions de la télévision française et d'enregistrer un disque chez Barclay. Au Portugal, Maysa rencontre l' homme d'affaires belgo-spagnol Miguel Azanza et l'épouse très vite. Part en voyage de noces à Paris et le mariage dure dix ans. En 1963, 1964 et 1965 Maysa va au Brésil plusieurs fois, mais elle vie principalement à Madrid. Le couple se sépare en 1972. 

En 1966, après une considérable absence, Maysa retourne au Brésil. Elle est blonde, très mince et encore plus belle. Ce retour, ce changement surprend à tous. Maysa voulait reprendre sa carrière et faisait de grands projets dont une sophistiquée série télevisé et un superbe album musical qui célébrerait ses dix ans de carrière. Avec Miguel, elle crée aussi sa propre compagnie de production musicale appellé Guelmay. En travaillant sur les scripts de sa série télevisive, Maysa conçoit un grand spectacle musical. Pour faire celà, elle embauche plusieurs grands musiciens, chefs-d'orchestre, une compagnie de ballet, un célèbre créateur de costumes et l'école de samba Salgueiro (dont les musiciens ont participé d'un numéro de samba style carnavalesque). Elle a tout financé elle même car son intention était de présenter cette série de sa propre manière − c'était cela en fait la motivation de Guelmay: conduire la carrière de Maysa de façon libre, sans l'interférence des grands labels discographiques et chaînes télevisivé.Malheureusement, aucune chaine télévisé a voulu acheter  sa série à l'époque et les videotapes sont inconnues par le public jusqu'à présent.

Au moins le disque commémoratif Maysa a pu sortir. Il est sorti en juillet 1966 par RCA Victor en coproduction avec Guelmay. Ce disque est vraiment sublime, l'un des meilleurs disques enregistrés par Maysa. Il contient de fastueux arrangements musicaux et le comble du pouvoir vocal de Maysa. À la fin 1966, à São Paulo, Maysa participe au II Festival da Musica Popular Brasileira (Deuxième Festival de la Musique Populaire Brésilienne) produit et présenté par la chaîne TV Record. Cet époque était le temps de grands festivaux, le temps où la musique brésilienne a atteint une grande qualité et popularité à travers le monde. La participation de Maysa au festival a été beaucoup apprécié, mais elle a présenté une chanson plutôt modeste et pas très connue aujourd'hui : Amor-Paz (Amour, Paix) dont la mélodie a été composée par Vera Brasil et les paroles par Maysa.Au dernier jour de présentation, le 11 octobre 1966, elle est placée au sixième rang. Plus tard, Maysa participe au Premier Festival International de la Chanson, lequel était divisé en deux phases: une internationale et une nationale. Il a été produit et diffusé par la chaine TV Rio en direct du stade de Maracanãzinho à Rio de Janeiro. Sa présence a été un frisson. Elle a chanté Dia das Rosas (Le Jour de Roses) une chanson de Luiz Bonfá spécialement composé pour elle. À la fin du festival, Maysa a mené Dia das Rosas au troisième rang et a été considérée comme la meilleure chanteuse brésilienne qui participait. Elle présentait à la même époque, une émission sur TV Record qu'elle détestait. Après quelques conflits avec la chaine, son émission a été cancellée soudainement. En novembre 1966, Maysa quitte le Brésil avec son fils et son mari. 

Entre 1967 et 1969 Maysa parcoure plusieurs endroits - dont Milan, Lisbonne, Madrid, Buenos Aires, Montevideo, Lima, Caracas, Bogotá, Mexique, Porto Rico, Morocco and Angola - où elle enregistre quelques albums et fait quelques concerts à des chaines télévisées et des boîtes de nuit.

En 1967, Maysa passe beaucoup de temps en Italie où elle loue une maison à Viareggio, ville située au nord de la Toscane, devant la merTyrrhénienne, et construit un grand réseau de contacts à Milan, en devenant très proche de Caterina Valente, une célèbre vedette de l'époque. En Italie, Maysa invitée par le chef-d'orchestre Ennio Morricone à enregistrer deux morceaux pour la bande sonore du film Grand Slam (Ad Ogni Costo), sorti en 1967, dirigé par Giuliano Montaldo et joué par Janet Leigh, Robert Hoffman, Klaus Kinski, Edward G. Robinson et Adolfo Celi. Maysa fait une performance à la Bussola, une célèbre boite de nuit à Marina di Pietrasanta, près de Viareggio, et participe aussi de plusieurs émissions télévisées. 

En 1968, Maysa fait une tournée musicale en Amérique Latine où elle est très respectée et admirée. En Argentine, Uruguay, Pérou et Colombie elle est reçue comme une vraie superstar. Ses albums y étaient beaucoup vendus depuis le début de sa carrière. Puisqu'elle avait déjà fait des concerts au Portugal, au début de 1969 Maysa a été invitée à visiter l'Angola. Elle y fait des concerts pendant deux mois à Luanda et Lobito. Le public est très réceptif et gentil. On voulait qu'elle y retourne, mais malheureusement Maysa ne retournerait jamais en Afrique.

En mars 1969, Maysa définitivement au Brésil. Au même mois elle présente une nouvelle série télévisée appellée Maysa Especial, diffusé par TV Tupi. Cette série a été très bien réçu et avait la participation d'Ítalo Rossi, l'un des plus grands acteurs du théâtre brésilien, qui était aussi un ami très proche de Maysa.

En avril, elle désiste de faire des concerts dans une boîte de nuit très huppé, appelée Sucata, pour réaliser l'un des projets les plus audacieux de sa carrière. Le 9 mai 1969, Maysa commence une saison de concerts nommé A Maysa de Hoje (La Maysa d'ajourd hui) au music-hall Canecão, une espèce de Carneggie Hall brésilien. Tout est absolument parfait dans ce spectacle. Maysa chante accompagnée par une grande orchestre de trente musiciens, change de vêtements plusieurs fois et s'enfile une minijupe très sexy qui fait délirer le public. À cet époque-là les grands chanteurs brésiliens se présentaient dans des petites boîtes de nuit pour un public très fermé, essentiellement composé par les riches et les mondains. Maysa a donc brisé ce grand tabou en se présentant dans un music hall.


A Maysa de Hoje est resté au Canecão pendant un mois. Ensuite Maysa a fait une autre saison de trois mois au music-hall Urso Branco, celà a été aussi un grand succès. Durant cette saison à São Paulo, Maysa enregistre en direct l'album Canecão Apresenta Maysa (Canecão présente Maysa). Cet album a été l'un des plus célèbres albums de sa carrière. Elle n'avait jamais été si respecté par la presse et bien réçue qu'à ce moment-là. Maysa va déclarer plus tard que 1969 a été l'an le plus heureux de sa vie.


En mars 1969, le label Copacabana sort son quatorzième album, appelé Maysa. Cela a été un très grand disque puisqu'elle travaillait avec une très douée nouvelle génération de musiciens, comme Antonio Adolfo et Egberto Gismonti. Cependant, cela a été les de ses disques les moins vendus.


À la fin 1969, Maysa participe au jury du V Festival da Musica Popular Brasileira (Cinquième Festival de la Musique Brésilienne). Elle avait déjà participé de l'édition précédente et a chanté Ave Maria dos Retirantes, une très belle chanson qui malheureusement l'a placé dans un très bas rang. On dit que ces deux festivals ont été horribles et qu'ils n'ont rien ajoutée à la musique brésilienne.


70s

En 1970, Maysa enregistre à Philips Records Ando só numa multidão de amores (Je suis seule dans une foule d'amoureux) un album qui est considéré par beaucoup de gens, son chef-d'oeuvre mais qui hélas a été un vrai échec commercial. Même si il a été très apprécié par la presse. 

Maysa est très déçue, elle commence vite à se désintéresser pour la musique. Toutefois, en mai 1970 elle fait une nouvelle saison au Canecão. Ce n'a pas été si bien réçue que celle de 1969. Maysa est fachée encore une fois et décide de faire un nouveau chemin. Elle commence à faire des participations sporadiques dans une émission journalistique appelée Dia D (Jour J) sur TV Record à São Paulo. Les émission étaient un grand succès et Maysa devient présentatrice après avoir interviewé la chanteuse Maria Bethânia. Elle était très réussite comme journaliste et celà l'interessait beaucoup.

Maysa a fait quelques reportages sur des faits de grande importance comme l'assassinat du général Pedro Aramburu en Argentine en juin 1970, la mort de Salazar au Portugal en juillet 1970 et le jugement de Charles Manson − elle a été le seul journaliste brésilien à couvrir cet événement − à Los Angeles en août 1970. Malgré son succès comme journaliste, sa carrière ne se développe pas. 

Lorsque Maysa faisait une tournée au Méxique au début 1970, et qu'elle participait à des émissions télévisées, elle a été invitée par Ernesto Alonso, surnommé El señor Telenovela (Monsieur Feuilleton) à jouer dans sa nouvelle production. Elle a décliné l'invitation, mais l'idée de devenir actrice lui plaisait beaucoup. Maysa devenait très intéressée à l'interprétation.


En 1971, elle accepte une invitation pour jouer dans O Cafona (Le ringard) un feuilleton de Rede Globo. Ce feuilleton a commencé le 24 mars 1971 et a été un grand succès de la chaîne. Maysa jouait son espèce d'alter ego, l'alcoolique Simone, une riche femme de la haute société de São Paulo, qui se sépare de son mari et se déménage à Rio de Janeiro. Ce personnage s'est inspiré de la vie de Maysa. Ensuite elle a joué dans un autre feuilleton − Bel Ami − qui a commencé à être transmis le 6 juin 1972 sur TV Tupi et qui a été un grand échec. 


Le 8 octobre 1971, Maysa fait sa première performance au théâtre en jouant le personnage Marie de la pièce Woyzeck de George Büchner. Pour cela, Maysa a conçu un grand projet, une grande production et a rassemblé tout ce qu'il y avait de mieux en décors, costumes, musiciens etc., Elle a embauché vint acteur, un choeur, des chefs-d'orchestres et a loué un théâtre pour six mois. Encore une fois, elle a tout financé de sa poche, mais la pièce était trop complexe, trop ardu pour une actrice débutante. La presse et le public ne l'ont pas bien reçu et l'on beaucoup critiqué. Par conséquent, la pièce a été un énorme échec. Maysa était dans une très mauvaise situation financière.


En 1972, Maysa écrit et enregistre avec le grand acteur brésilien Raul Cortez, Palavras, Palavras, la version portugaise du hit italienParole, Parole. La même année, son mariage avec Miguel Azanza est fini. Il est rentré en Espagne et elle ne l'a plus jamais vu. 


Lors des tournages de Bel Ami, Maysa rencontre Carlos Alberto, le celèbre jeune premier de tous les feuilletons de l'époque, dans les studios de TV Tupi à São Paulo. Ils tombent amoureux et commencent à sortir ensemble. 


Après avoir fait quelques concerts dans des boîtes de nuit de Rio de Janeiro et São Paulo, Maysa s'éloigne de la télévision et la musique et commence à faire construire une maison d'été sur la petite ville de Maricá, situé à l'État de Rio de Janeiro. Elle y passe beaucoup de temps jusqu'à la fin de ses jours. Elle passe, d'ailleurs, presque toute l'année 1973 à la plage. 


En novembre 1974, Maysa sort son seizième e dernier album qu'elle enregistre pendant presque une année entière. À ce moment-là elle partage son temps entre la peinture et la sculpture, mais elle participe assez fréquemment à des émissions télévisées. 


En 1975, sa relation avec Carlos Alberto est finie. Elle devient, plus tard, la copine du célèbre chef-d'orchestre Julio Medaglia, son dernier amoureux. Maysa a fait officiellement sa dernière saison de concerts aussi en 1975, dans la boîte de nuit Igrejinha à São Paulo. Après sa disparition, cette saison sera surnommée A tournê do adeus (La tournée des adieux). Sa dernière visite à Vitoria eut lieu à la fin de 1976. Elle y a revu ses cousins, ses oncles et tantes, juste quelques mois avant sa mort. À ce moment-là elle faisait des longs voyages en voiture, en se déplaceant à des endroits assez loin de Rio. 


Le 22 janvier 1977, Maysa est morte dans un accident de voiture sur le pont Rio-Niterói, qui relie Rio avec des petites villes voisines. Elle était en train d'aller à sa maison de plage à Maricá. 


Genre musical 


La période avant l'apparition de la Bossa Nova, notamment la fin des années 50, Maysa et son amie Dolores Duran étaient les deux plus importantes compositrices de la musique brésilienne. Maysa est devenue une chanteuse icône du genre Samba-Chanson, aussi surnommée dor-de-cotovelo et fossa, un genre plutôt romantique et très influencé par le Boléro, les Blues et le Fado. Une sorte de boléro ralenti, rien à voir avec les sambas de carnaval. Cependant, plus tard, elle est aussi très apprécié par ses interprétations de Bossa Nova un genre qu'elle a aidé à diffuser à travers le monde lors de ses plusieurs voyages internationals.


Quoi que Maysa ait tojours préférée des chansons sentimentales et romantiques, elle a été aussi une fabuleuse interprète de plusieurs genres musicaux, dont le Jazz et la Samba, disons, plus rythmée et gaie. Elle chante d'une façon très particulière, avec tous ses sentiments et émotions. Elle chante avec le coeur et les gens s'en apercoivent. Elle transmite tous les sentiments aux chansons qu'elle chante: passion, amour, solitude, joie et tendresse. Maysa se place au même rang que d'autres merveilleuses chanteuses étrangères, comme Amália Rodrigues, Ella Fitzgerald, Edith Piaf et Mina Mazzini. Son style musical a influencé de très importants chanteurs et compositeurs d'autres générations, comme Ângela Ro Ro, Leila Pinheiro, Fafá de Belém, Simone et Cazuza. 


Les paroles de ses chansons sont presque autobiographiques et parlent de sentiments qu'elle éprouve au long de sa vie. Ses plus grands succès en tant que compositrice sont les Smba-Canção OuçaMeu Mundo CaiuTarde Triste, AdeusO que?Felicidade InfelizDiplomaciaet Tema de Simone. En tant qu'interprète, ses grands hist sont Ne me quitte pasChão de EstrelasDindiPor Causa de VocêSe Todos Fossem Iguais a VocêFranquezaSuas MãosBouquet de IzabelO BarquinhoMeditaçãoDemaisPreciso Aprender a Ser SóTristeza,Canto de OssanhaDia das Rosas et Bonita.


18 de março de 2013

Especial: "Ouça" por Jean Sablon


"Ouça" por Jean Sablon


Jean Sablon (1906 – 1994), foi um dos maiores nomes da música francesa no século XX, um dos mais aclamados cantores franceses de todos os tempos, considerado segundo em popularidade, somente atrás de Maurice Chevalier. Ao longo de sua carreira vendeu milhões de discos, Sablon era considerado o equivalente francês do norte-americano Bing Crosby. Curiosamente, ele mantinha uma estreita ligação com Brasil; visitou nosso país inúmeras vezes durante sua vida, e sempre teve uma ótima receptividade aqui, onde manteve um público cativo por décadas. Em 1959, Jean Sablon gravou num disco 45 RPM – do tipo compacto duplo – uma canção chamada “Toi Si Loin de Moi”, uma versão em francês para o hit “Ouça”, de autoria de ninguém, ninguém menos, que Maysa. Além da versão francesa para o clássico da cantora, Sablon também gravou uma versão em francês para "Manhã de Carnaval", um dos maiores clássicos da música brasileira, transformada em sucesso internacional através do filme ítalo-franco-brasileiro Orfeu Negro, de 1959.

Portanto, o nome de Maysa começava a ecoar – cada vez mais alto – do outro lado do atlântico. Em 26 de outubro de 1960, o Caderno B do Jornal do Brasil noticiava que a jovem cantora francesa Jacqueline Boyer, de apenas 18 anos de idade, obteve o prêmio ‘Aquarela do Brasil’, que a Embaixada Brasileira em Paris confere anualmente aos melhores intérpretes franceses de canções brasileiras. Naquele ano, os dois agraciados com a jangada de marfim – símbolo do prêmio, gravaram canções escritas por Maysa. Jacqueline Boyer ganhou com “Tu Es le Soleil de Mon Coeur”, versão para “Deserto de Nós Dois” – lançada por Maysa no long-play Convite para ouvir Maysa Nº 4, 1959. O prêmio de melhor interpretação masculina foi entregue a Jean Sablon, pela gravação já referida “Toi Si Loin de Moi” (Ouça). Os prêmios foram entregues pelo Embaixador do Brasil na França, Sr. Carlos Alves de Sousa, durante um coquetel na Maison de L’Amerique Latine, em Paris. Perguntando durante o coquetel, sobre como havia descoberto a canção, Sablon respondeu: “Eu estava passando uns tempos no Brasil, de férias, quando vi na televisão aquela moça de olhar perturbador e voz quente. Gostei tanto da música que ela cantava que a incluí em meu repertório.”


"Toi Si Loin de Moi" ORIGINAL


Toi si loin de moi
Es-tu fidèle à notre amour?
Toi loin de mes lèvres
Sens-tu parfois coeur trop lourd
N'as-tu pas oublié notre danse
Et l'air que nous chantions?
Les baisers, les douces confidences
Que nous échangions


Dans ma mémoire
Ces instants sont gravés.
J'ai peur de croire
Qu'ils appartiennent à mon passé,
Et je ne vis plus que d'un espoir :
Te revoir bientôt ; demain ; ce soir,
Car je ne peux plus vivre sans toi.
Sans toi tout près de moi.


Mais j'ai confiance
Demain m'apportera
Ma récompense
Dans un message venant de toi
La plus belle des lettres d'amour
Puisqu'elle m'annoncera ton retour
Et que pour toujours tu restera
Tout près, tout près de moi.


TRADUÇÃO

Você, tão longe de mim,
É fiel ao nosso amor?
Você, longe dos meus lábios,
Sente, às vezes, o coração pesado demais?
Você não esqueceu nossa dança
E a cantiga que cantávamos?
Os beijos, as doces confidências
Que trocávamos.

Na minha memória,
Esses momentos estão gravados.
Tenho medo de acreditar
Que eles façam parte do meu passado,
E vivo apenas de uma esperança:
Rever-te muito em breve; amanhã; esta noite.
Pois não posso mais viver sem você
Sem você junto a mim


Mas tenho certeza:
O amanhã trará
A minha recompensa
Numa mensagem vinda de você,
A mais bela das cartas de amor,
Porque me anunciará a sua volta.
E  porque você ficará pra sempre
Junto a mim, bem junto a mim.


Jornal do Brasil - 26 de outubro de 1960

Jornal do Brasil - 6 de novembro de 1960

Jacqueline Boyer - "Tu Es le Soleil de Mon Coeur"