31 de março de 2010

Especial: É mais que beleza, é surreal

É mais que beleza, é surreal
Por: Marina M.





A beleza de Maysa é algo fantástico, exótico, hipnotizante; é uma mistura de tudo que pode haver de mais belo. O rosto de Maysa parece arquitetado, desenhado planejado com carinho e muito, mas muito bom gosto. É de uma harmonia perfeita, a assimetria da boca dá um ar de fragilidade, é intrigante; o nariz escultural; Os olhos que são tudo de mais maravilhoso que Maysa tem: duas grandes esmeraldas polidas por tantos prantos; os olhos de Maysa canalizam todo um mistério, a sensualidade felina inefável, e sua tamanha pureza – se os olhos são a janela da alma, não é preciso comentar como seria Maysa do avesso... ­–


Não se podem esquecer os cabelos de Maysa, tantas vezes julgada por causa deles, devido a sua apatia total aos salões de beleza... O famoso cabelo leoa, uma fonte de charme e sensualidade, que esteve sempre em constante mudança ao longo de sua vida, mas sempre sem perder o charmoso desalinho; Gritantes. Sem contar no estilo das vestimentas que Maysa exibia em suas apresentações, ou em uma simples caminhada na praia. Vestidos, túnicas, calças longas, botas de cano, saltos de plataformas absurdas, os tantos acessórios que completavam o visual, tornando-a ainda mais bela, principalmente seus adereços de pérolas, que lhe caiam como uma luva. Nada de exageros, porque sua beleza já era excessiva.

Mas tudo isso seria nada sem o corpo Maysa. Esse corpo feito destruições e reconstruções, passado por tantas fases de mudanças físicas e espirituais, com suas defesas, recaídas e voltas triunfantes. A beleza de Maysa é como sua personalidade: única. Essa beleza se eternizou em memórias, vídeos, fotografias; Não sei se há como compará-la, não se pode definir...

A beleza de Maysa é como uma brisa, ao passar pelos olhos é sentida; é de uma atração intensa; imagino sua beleza como a luz, o brilho, um calor interno; cada sorriso ilumina, irradia... É como o por do sol, podemos desfrutá-lo sempre, e nunca nos cansamos; é uma beleza colorida, viva. É beleza de mulher bonita, de mulher vivida, de mulher madura, mas sem perder a essência da eterna criança; é natural, é pura, é verde, é azul... É a beleza da noite, do sol, céu e de mar refletido em seus enormes olhos. Uma beleza capaz de ofuscar tudo de mais belo.

E mesmo com tantas palavras, ainda não há definição concreta, o que fica é sua presença, e tudo que está presente nela. É como disse Manuel Bandeira: “Como é então que Maysa me comove me sacode, me buleversa, me hipnotiza?! Muito simplesmente...” Maysa, você é; Maysa você é... Maysa; você... AHH!!!

(Mas o que realmente penso a respeito de sua beleza, não conseguiria escrever aqui, não há possibilidade de dar forma a tal sentimento; fico confusa, ao mesmo tempo em que quero escrever, me distraio com sua imagem já eternizada em minha mente. Não sei, não consigo; beleza demais, me cala.)

25 de março de 2010

Coluna: Disco da Semana


Et Maintenant 


Gravadora: GTA Records 
Ano: 1968
Faixas:
1- Et Maintenant (G. Maniscalco / L. Straniero / G. Bécoud)
2- Per Ricominciare (Parazzini / Crewe / Gaudio)

Análise:
E
A outra música do disco era a maior surpresa, Maysa interpretava a versão italiana "Per Ricominciare" do t Maintenant é uma verdadeira preciosidade. Um achado magnífico que ilustra perfeitamente a faceta internacional de uma cosmopolita Maysa. Gravado durante a fase milanesa dela na Itália, o compacto era seu segundo disco italiano, precedido por Ad Ogni Costo, com as canções "Dirgli Solo No" e "Vai Via Malinconia", trilha sonora do filme homônimo de Giuliano Montaldo. Nele, Maysa interpreta duas verdadeiras pérolas, pouquíssimo conhecidas de sua discografia. A primeira, era a versão italiana da música francesa "Et Maintenant" de Gilbert Bécoud. Para os ouvintes era de se espantar mais uma vez a desenvoltura espantosa e a pronúncia refinada, mostrando domínio do idioma. 
hit  "Can’t Take My Eyes Off You" de Bob Crewe e Bob Gaudio, lançada naquele ano. A canção é um verdadeiro clássico, que viria a receber gravações nos mais diversos idiomas pelos mais inimagináveis intérpretes.

Realmente era um disco curioso e até divertido, que ilustrava a já dita face internacional de Maysa e suas desventuras pelo mundo. O ouvinte se alegra com a batida animada e glamourosa da inimaginável "Per Ricominciare", afinal quem imaginaria Maysa cantando "Can’t Take My Eyes Off You" em italiano?

Ao contrário de todos os discos internacionais anteriores, este que foi gravado na Itália pela GTA Records, seria lançado no Brasil pela gravadora Copacabana, em 1968, sob tiragem limitada. Mesmo assim não deixa de ser uma das maiores raridades da discografia de Maysa.


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20 de março de 2010

Especial: Maysa em Jazz

Maysa em Jazz


Hoje vamos falar um pouco das versões standards de Maysa. Pouca gente sabe mas ela tinha uma grande veia jazzística, vamos tentar desvendar a face jazzística da cosmopolita Maysa.


Primeiramente é necessário esclarecer que até hoje no Brasil nunca se viram vozes como a de Maysa que transitam tão bem dos ritmos nacionais até os mais distantes como a Chanson Française e o bolero. Pois ela era assim. Fluente em 5 idiomas com uma desenvoltura assustadora, uma pronúncia elegante e refinada, notável pela total ausência de sotaque, Maysa interpretava clássicos do bolero á exemplo de La Barca assim como espantava cantando I’Ve Got You Under My Skin, uma das maiores canções do jazz.


Desde o segundo álbum, Maysa já demonstrava sua face internacional ao cantar em outros idiomas quando incluiu as estrangeiras To The End Of The Earth e Un Jour Tu Verras no LP. A primeira é um dos maiores clássicos de Beguine, grande sucesso na voz de Nat King Cole. A segunda por sua vez é uma das maiores letras da Chanson Française, composta por um nome do peso de Moloudji, que anos depois se derramou em elogios á Maysa.

Dali a dois anos não havia como não se espantar com uma surpreendente Maysa cantando 4 gravações inéditas de diferentes idiomas em um compacto de 1959. Eram elas a norte-americana Get Out Of Town do grande Cole Porter, a francesa Chanson D’Amour, a italiana Malatia e pasmem: ela desencavou do folclore turco Uska Dara, uma gravação inédita e muito pouco conhecida de sua discografia.

Em Maysa, Amor...e Maysa de 1961 ela registrou a glamourosa I Love Paris de Cole Porter, grande sucesso da Broadway.

No mítico disco norte-americano Sings Songs Before Dawn Maysa interpretava clássicos da música norte-americana em uma releitura de grandes sucessos do Jazz Standard como You Better Go Now, When Your Lover Has Gone , The End Of a Love Affair e The Man That Got Away. Músicas de grandes nomes do Jazz como Robert Graham, Eina Swan, Ira Gershwin e Frank Sinatra. Foi uma das primeiras excursões de Maysa ao mundo do Jazz em interpretações intensas e provocantes com a sua inconfundível voz grave e rouca.

Em 1962 Maysa fez mais duas gravações maravilhosas de grandes standards do Jazz, a primeira é uma verdadeira preciosidade: a misteriosa What’s New? da dupla Johnny Burke e Bob Haggart composta em um já distante 1939. A segunda é o maior clássico do Jazz Standard: a noturna e enigmática Round Midnight (também chamada de Round About Midnight) composta por um monstro sagrado do gênero Thelonius Monk e embelezada pelas mãos de Bernie Hanighen e Cootie Williams. É uma canção noturna, provocante e enigmática interpretada por meia dúzia dos maiores nomes da música americana como Sarah Vaughan, Ella Fitzgerald e Miles Davis. A voz rouca e quente de Maysa deu á canção uma interpretação personalíssima, extremamente sensual e entorpecente, é sem dúvidas o melhor standard em sua voz, na minha opinião ela chega a superar a versão da grande Ella para este clássico do jazz.

Em 1964 Maysa fez uma histórica temporada na boate Au Bon Gourmet, felizmente celebrada em um LP ao vivo. Na primeira faixa ela emendava Demais -que veio a se tornar um dos maiores clássicos de sua carreira- com uma interpretação agressiva e passional de I’ve Got You Under My Skin. Um dos maiores clássicos do Jazz de Cole Porter na voz do grande Frank Sinatra. Ela nunca chegou a gravar a música em estúdio, mas este registro histórico deu a Maysa um status único de Jazz Woman na música brasileira, sua voz rouca e quente casava perfeitamente com o ritmo noturno e a batida glamourosa do gênero norte-americano caracterizado pelo improviso. Ela é sem dúvidas ao lado de Dolores Duran e Dick Farney os maiores representantes do Jazz no Brasil.

Uma de suas últimas gravações jazzísticas foi o clássico Just in Time. Nele, Maysa faz uma de suas melhores interpretações do gênero acompanhada de um arranjo magnífico de saxes e trombones semelhante aos dos mais soberbos musicais da Broadway.

Além de todas essas interpretações estonteantes temos que destacar outras que não foram citadas como: Autumn Leaves, What Are You Doing The Rest Of Your Life? e o Pot-Pourri Fantasia de Trombones.

18 de março de 2010

Coluna: Disco da semana


Maysa



Ano: 1974
Gravadora: Odeon
Faixas:
1- Bloco da Solidão (Jair Amorim / Evaldo Gouveia)
2- Agora é Cinza (Bide / Marçal)
3- Não Sei (No Other Love) (Russel / Weston / Vrs: Aloysio de Oliveira)
4- Castigo / Fim de Caso (Dolores Duran)
5- Não é Mais Meu (Maysa / David Nasser / Erlon Chaves)
6- Morrer de Amor (Oscar Castro Neves / Luvercy Fiorini)
7- Você Abusou (Antônio Carlos / Jocafi)
8- Rasguei a Minha Fantasia (Lamartine Babo)
9- O Grande Amor (Tom Jobim / Vinicius de Moraes)
10- Os Olhos da Madrugada (Carlos Lyra)
11- Até Quem Sabe? (João Donato / Mercedes Chies / Lysias Ênio)
12- Hoje é Dia de Amor (Luiz Bonfá / Maria Helena Toledo)

Análise:
Ninguém jamais imaginaria que este fosse o último disco de Maysa, sereno, romântico e autobiográfico. O LP imprime em 12 faixas quase 20 anos de carreira, em uma auto-reflexão. Após 10 anos Maysa voltava a trabalhar com o amigo Aloysio de Oliveira a frente da produção do disco, que também coordenava o selo Evento dentro da gravadora Odeon pela qual o LP seria lançado. Na capa apenas seu nome em letras garrafais laranjas e quatro gatos aquarelados pintados pela própria cantora. Com arranjos dos maestros Oscar Castro Neves e Lindolpho Gaya, o disco começava com dois sucessos carnavalescos, "Bloco da Solidão e "Agora é Cinza", na primeira é notável uma grande carga de sofrimento, na segunda, a contracapa já alertava sobre a "falsa alegria" da interpretação de Maysa. Em seguida vinha a harpa de "Não Sei" de Bob Russell e Paul Weston, baseada na peça "Tristesse" de Chopin, com versão para o português de Aloysio de Oliveira. Seguiam-se lindas releituras de canções de Dolores Duran, Tom Jobim e Vinicius de Moraes. Maysa imprimia uma versão definitiva num lindo pot-pourri de "Castigo"/"Fim de Caso" de Dolores; e voltava novamente ao samba com a popularíssima "Você Abusou", sucesso de Antônio Carlos e Jocafi, e outro clássico de carnaval: "Rasguei a Minha Fantasia", do grande Lamartine Babo. Da Maysa compositora, havia apenas "Não é Mais Meu", uma parceria inédita com David Nasser e Erlon Chaves. "Morrer de Amor" é a melhor e mais emocionante faixa do disco, quase autobiográfica, fala de um coração cheio de angústias e cansado de sofrer que só queria "Morrer de muito amor por ti", é como uma sofrida reflexão existencial. Maysa esta toda no disco, após quase 20 anos de carreira sua voz está mais grave e madura, parecendo cantar aos nossos ouvidos. É um belíssimo desfecho muito emocionante. Viva Maysa!

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15 de março de 2010

Coluna: Música da semana


Título: "Marcada"
LP: Convite Para Ouvir Maysa (1956)


Autora: Maysa
Análise:
"Marcada" é a primeira faixa do histórico Convite Para Ouvir Maysa de 1956, muitos gostam de dizer que essa foi a primeira música gravada por Maysa, como não temos fontes seguras sobre isto, preferimos dizer que é nela que Maysa mostra porque preenche tão bem o cenário da música brasileira. A canção é provavelmente um dos vários poemas que ela teve de musicar para preencher as 8 faixas do primeiro álbum. Desde o começo Maysa já demonstrava a intensidade e entrega ao interpretar qualquer canção que fosse, concedendo a "Marcada" uma interpretação personalíssima que combinava perfeitamente com os versos melancólicos e angustiados de uma Maysa triste e solitária, perdida em meio a solidão, resignada com sua dor e buscando em uma ilusão um pouquinho sequer de alegria. Em "Marcada", descobrimos a Maysa compositora, grande compositora por sinal, descobrimos para o que Maysa veio e porque ela conquistou a todos e principalmente: descobrimos o que Maysa sentia! Porque Maysa não é apenas uma voz intimista, Maysa é toda uma alma que canta. Viva MAYSA!

11 de março de 2010

Coluna: Disco da semana


Ando Só Numa Multidão de Amores



Gravadora: Philips
Ano: 1970
Faixas:
1- Molambo (Jayme Florence / Augusto Mesquita)
2- Yo Sin Ti (Arturo Castro)
3- Me Deixe Só (Roberto Menescal / Maysa)
4- Chuvas de Verão (Fernando Lobo)
5- Três Lágrimas (Ary Barroso)
6- Assim Na Terra Como No Céu (Roberto Menescal / Nonato Buzar / Paulinho Tapajós)
7- Eu (Marcos Valle / Paulo Sérgio Valle)
8- Suas Mãos (Antônio Maria / Pernambuco)
9- Bonita (Tom Jobim / Ray Gilbert)
10- Resposta (Maysa)
11- Que Eu Canse e Descanse (Marcos Valle Paulo Sérgio Valle)
12- As Praias Desertas (Tom Jobim)
13- Quando Chegares (Carlos Lyra)

Análise:
 Ando Só Numa Multidão de Amores é um dos discos de maior expressão em toda carreira de Maysa. De título célebre e capa antológica é um LP essencialmente romântico, porém sem dúvidas o mais sofisticado e contemporâneo de toda sua carreira. O disco possui arranjos sofisticados de Roberto Menescal e Luiz Eça, que lhe conferem uma aparência conpletamente moderna. Maysa gravava tanto canções de compositores consagrados como Ary Barroso, Fernando Lobo, Tom Jobim e Antônio Maria como de compositores jovens da MPB. Nele, a cantora retorna ao boleros com "Molambo" e o bolero mexicano "Yo Sin Ti" que abrem o LP. Maysa também faz regravações de clássicos de sua carreira como "Suas Mãos" de Antônio Maria, "Resposta" de sua autoria, e "As Praias Desertas" de Tom Jobim. Seguiam-se interpretações magistrais para clássicos como "Chuvas de Verão" de Fernando Lobo e "Três Lágrimas" de Ary Barroso. Havia também uma soberba interpretação para Bonita, em inglês, versão definitiva de Maysa. A compositora aparecia apenas em duas músicas: a autobiográfica "Me Deixe Só", em parceria com Menescal, e a regravação de "Resposta". Era um ‘resgate pessoal’ como a própria Maysa diria, um disco verdadeiramente esplêndido, muitíssimo bem produzido e irretocável, que arrancou muitos elogios da crítica. A Philips investiu alto em divulgação, porém, em um ano que os sucessos da temporada seriam as patriotadas idiotas como "Eu Te Amo Meu Brasil" e "Pra Frente Brasil", o álbum de Maysa infelizmente acabou passando despercebido pelo público e logo foi tirado de catálogo pela gravadora. Mas nada disso pode ofuscar a beleza e a sofisticação de Ando Só Numa Multidão de Amores, o disco definitivo de Maysa.


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6 de março de 2010

Especial: Maysa pelo mundo


Maysa pelo mundo 

Todos sabem que Maysa foi uma artista de intensa carreira internacional, talvez, a mais bem sucedida e complexa entre as cantoras brasileiras. Mas há muitos mitos e vamos tentar dissecar e contar essa história.

Já no final dos anos 50, Maysa fazia inúmeras turnês pela Argentina e pelo Uruguai, onde realizou sua primeira turnê internacional em Punta Del Este. Ainda em 1959 Maysa cantou pela primeira vez na Europa, chegando ao velho continente para uma temporada de descanso e logo fechou um contrato para apresentações no Cassino Estoril em Lisboa. Foi o início de um longo casamento entre Maysa e o público português. Logo ela seguiu para Paris em uma época marcada por excessos, lá ela se apresentou na boate La Lousianne e cantou o clássico Ne Me Quitte Pas pela primeira vez.

Mas foi somente a partir 1960 que Maysa girou por todo mundo com destinos seguros e rumos certos. Logo era a primeira cantora brasileira a se apresentar no Japão, em outra hora, Maysa já partia para conquistar a América. Em 1960 assinou contrato com a ABC (Associated Booking Corporation) para apresentações nos Estados Unidos durante três anos. Lá, ela realizou uma temporada no famoso Blue Angel, um marco da noite nova-iorquina. A temporada, terminada antes do previsto não foi de glórias, mas muito menos de fracassos. Lá ela assinou contrato com a poderosa Columbia Records onde gravou o primeiro LP totalmente estrangeiro: Maysa Sings Songs Before Dawn, gravado em Nova York, raríssimo e muito sofisticado. Infelizmente nunca chegou a ser lançado no Brasil. A Columbia investiu alto em Maysa, que era apresentada como a maior cantora brasileira, "The new star of Columbia Records" (A nova estrela da gravadora Columbia). Infelizmente os contratos não foram renovados por motivos que veremos a frente, mas muitas glórias viriam pelo caminho.

No final de 1962, a cantora fez uma nova turnê de sucesso no Cassino Estoril acompanhada do pianista Pedrinho Matar. Ainda em Portugal ela recebeu um convite para se apresentar na mítica casa de espetáculos parisiense Olympia. Foi apenas uma única apresentação, encerrada com aquela que foi um dos maiores clássicos de sua carreira: Ne Me Quitte Pas. Foi um sucesso estrondoso, foi aplaudida de pé por mais de 5 minutos e ainda voltou para repetir o número mais 3 vezes! Os jornais parisienses lhe renderam bons elogios, que fariam com que ela fosse convidada a gravar um disco na famosa gravadora Barclay. Como o último disco americano este também nunca foi lançado no Brasil.

Enquanto isso no Brasil, começavam a chegar as boas novas européias, disseram que Maysa conquistou Paris, mas ainda vieram muitas conquistas pelo caminho.

Em 1963, logo depois das apresentações em Portugal e na França, Maysa fez um grande sucesso na Boate Flórida, na época, a mais famosa casa de espetáculos de Madri. Neste mesmo ano a cantora assumiu de vez o relacionamento com o empresário espanhol Miguel Azanza, fixando residência na Espanha. No início de 1964, Maysa regressou ao Brasil para uma temporada histórica no Au Bon Gourmet, felizmente lembrada em um LP ao vivo.

O ano de 1966, foi muito agitado em sua vida. Em junho foi lançado seu famoso LP sem título comemorando 10 anos de carreira, produzido pela RCA Victor e pela Guelmay -a produtora independente de Maysa. Em setembro, ela voltou as telinhas com Maysa para ver e ouvir na TV Record de São Paulo -canal 7. Neste mesmo mês Maysa participou de um movimento que sacudiu a música brasileira nos anos 60: os festivais de música.

Ela participou do II festival da TV Record defendendo duas canções: Renascença e Amor-Paz. Em outubro Maysa também participou do I festival internacional da canção, o popular FIC defendendo a marcha-rancho Dia das Rosas de Luiz Bonfá e Maria Helena Toledo. Neste FIC ela ganhou o prêmio de melhor intérprete da fase nacional, mas logo no fim do ano Maysa arrumou as malas novamente e partiu para Europa com outro destino. Antes deixou uma famosa e corajosa declaração á revista Manchete: "Eu preciso de Sol. Descobri que o Brasil não tem mais Sol. Parece que cassaram o Sol no Brasil."

De 1967 a 1969, o mundo estava a volta de Maysa e ela queria explorá-lo. Lisboa, Paris, Madri, Milão estavam aos seus pés, as platéias do velho mundo se encantavam com o magnetismo e o talento da cantora brasileira, Maysa queria ver gente, queria conhecer gente, ela estava disposta a conquistar a Europa. Na Itália, morou em Milão em uma ótima temporada em Viareggio, no belíssimo litoral da Toscana. Lá fez uma temporada na Boate Bussola e pela mesma época seria convidada pelo renomado Enio Morricone para gravar duas canções como trilha sonora do filme Ad Ogni Costo de Giuliano Montaldo, foram essas: Vai Via Malinconia e Dirgli Solo No -duas gravações inéditas lançadas em compacto simples pela GTA Records, mais uma vez nunca lançadas no Brasil. A temporada italiana resultou também em mais um compacto lançado pela GTA Records, a primeira canção é uma verdadeira pérola: Per Ricomenciare a versão italiana para o clássico norte-americano Can’t Take My Eyes Off You de Bob Gaudio e Bob Crewe que ganhou versões em todos os idiomas e intérpretes possíveis. A outra canção era Et Maitenant, uma outra versão italiana para a música francesa de Gilbert Bécoud. Ao contrário do último compacto este foi lançado no Brasil pela gravadora Copacabana em tiragem limitada. Ainda em Milão a cantora fez uma pequena participação no filme Il momento de la veritá, do aclamado diretor napolitano Francesco Rossi.

Para Maysa tudo aquilo era muito pouco afinal, no Brasil ela ainda desfrutava do status de maior cantora do país e por isso ela e Miguel voltariam a Madri no final de 67, lá as perspectivas eram melhores e logo Maysa gravou um novo compacto para a RCA Victor espanhola com as canções Pálida Ausência de Luís Eduardo Aute e Reza de Edu Lobo e Ruy Guerra, que também não foi lançado no Brasil. Maysa ainda voltou mais vezes a Itália para turnês e apresentações na televisão. Tais apresentações resultaram no relançamento do disco Barquinho, com o nome de Tempo di Samba. Todos estes discos ilustram bem a face internacional de Maysa. Ela realmente era uma "cantora do mundo". Fluente em 5 idiomas com uma pronúncia totalmente ausente de sotaque ela excursionava desde o francês com que já fazia fama no Brasil, até o quase desconhecido italiano do seu repertório. Tudo isso contribuia para uma melhor desenvoltura nos palcos internacionais, aliado a um repertório todo especial para tais turnês. Nunca no Brasil se viu outra cantora que navegava com tamanha desenvoltura desde o samba-canção e a bossa nova até o sofisticado Jazz americano e a chanson française como Maysa. Enquanto girava pelo mundo vendo e encantando gente, ela conhecia e vivia experiências únicas que amadureceram sua carreira como artista lhe dando um refinamento e uma elegância única no modo de cantar, tudo isso era para ela um grande aprendizado que lhe proporcionou momentos únicos na carreira profissional e na vida pessoal, 30 quilos mais magra, jovem e belíssima. Os olhos e a voz da cosmopolitana Maysa brilhavam em Madri, Paris ou até no longínquo Japão.

Ela logo se tornou íntima da elite artística de Madri, mas não chegou a obter um sucesso estrondoso na capital espanhola. Diante desta situação ela planejou uma enorme excursão pela América Latina a ser cumprida no segundo semestre de 1968, lá seus discos eram continuamente relançados e Maysa tinha um público fiel. Começou pela Venezuela, logo depois Peru, Argentina, México, Porto Rico e Colômbia com uma breve passagem pelo Brasil e por fim voltou a Lisboa. Maysa estava prestes a fazer a excursão de maior sucesso de sua vida, por todos os países que passou foi recebida como uma celebridade internacional arrebatando todas as platéias para as quais se apresentou, foi um sucesso extraordinário. No Peru logo com a chegada da cantora, a subsidiária local da RCA Victor logo mandou prensar uma grande coletânea incluindo sucessos e gravações pouco conhecidas como Berimbau. Os peruanos também tiveram a sorte de receber uma edição do mítico LP norte-americano Sings Songs Before Dawn.

A apresentação de Maysa na TV Panamericana -o canal 5 de Lima-, foi anunciada como um acontecimento histórico celebrado em todos os jornais da capital. Maysa repetiu o sucesso e o êxito da turnê peruana por todos os países que passou. Já no fim da turnê em Lisboa ela recebeu um convite inusitado para viver uma experiência inédita em sua carreira, cantar na África acompanhada do Thilo’s Combo durante um mês de janeiro de 1969 até fevereiro. Maysa enfrentou uma série de shows e apresentações em boates, clubes e teatros de Angola. Ela não tinha a menor idéia de como era o público angolano e como este a receberia, mas boas novas estariam por vir. Maysa foi celebrada em todos os grandes jornais de Luanda, enfrentou platéias enormes em teatros e até cinemas populares da periferia da capital, sendo ovacionada em todas as apresentações, o público de Angola se rendeu aos pés da cantora. Foi uma das maiores experiências da carreira de Maysa. Na hora da volta, os jornais não davam adeus. mas sim, até logo. Infelizmente não haveria volta, Maysa jamais voltaria á África.

Ao regressar definitivamente ao Brasil em pleno carnaval de 1969 voltava a ser tratada como uma DIVA pela mídia. Seria um ano agitado, no auge da carreira, Maysa retornou a TV com Maysa Especial pela TV Tupi carioca, lançou um novo LP pela gravadora Copacabana, fez os shows Brasileiro, Profissão: Esperança no Canecão e Urso Branco em temporada antológica, foi homenageada pela direção do IV FIC e foi jurada do V Festival da TV Record. Maysa estava no auge da carreira. No começo de 1970 fez uma turnê pelo México altamente comentada pela mídia local, fazendo apresentações na TV e lotando boates da capital mexicana. Eles foram os primeiros a contemplar os célebres olhos verdes de Maysa com a transmissão a cores, dois anos adiantadas a frente do Brasil. Ela ainda fez uma última turnê na Argentina em 1971. Infelizmente foi sua última turnê internacional, encerrando assim uma carreira de sucesso por todo mundo.

Um dos maiores problemas apontados para o engate de uma carreira sólida na Europa e nos EUA era o gênio imprevisível e temperamento forte de Maysa. Oren Wade contou que a cantora chegou a destruir o cenário do programa que se apresentava na TV espanhola ao vivo, por que não achou nada adequado ao seu estilo o cenário tropical a lá Carmen Miranda. Na temporada americana em Nova York, Maysa chegou a dar vários canos em Max Gordon -dono do Blue Angel- quando sumia sem avisar na noite. Se durante sua apresentação o público conversava ou falava em voz alta, ela ficava revoltada ameaçando parar o show ou até tacar o microfone nos falastrões como fazia no Brasil. O problema é que o público norte-americano jamais aceitaria ser repreendido por uma cantora de origem latina em início de carreira nos EUA, sendo assim ficava impossível Maysa ser agenciada por uma gravadora do porte da Columbia Records, o mesmo aconteceu na Europa. Caso não fossem essas "incompatibilidades de gênero", ela com certeza teria alcançado uma carreira muito mais sólida no exterior. Mas seu êxito pelo mundo é inegável, principalmente por toda América Latina e Portugal. Maysa ainda hoje é conhecida por muitos países que passou, prova disso é que muitos de seus LPs foram relançados em CD até no Japão, país em que ela curiosamente fez apenas uma apresentação! Este é o brilho eterno da estrela. Viva MAYSA!


Compacto Italiano gravado durante a temporada de Maysa em Milão - ano de 1967 -, as canções foram tema do filme Ad Ogni Costo.

Maysa em Nova York: a temporada americana resultou no mítico LP Sings Songs Before Dawn.

Maysa em Madri já se preparando para a turnê na América Latina no fim de 1968.



Maysa se apresenta na TV Mexicana em 1970 em uma de suas últimas turnês internacionais.




Capa do LP Sings Songs Before Dawn, gravado em Nova York no ano de 1961. O LP jamais foi lançado no Brasil.


Segundo compacto italiano de 1968: trazia pérolas como a versão italiana do clássico norte-americano "Can’t Take My Eyes Off You".


Maysa na Angola: uma experiência única em toda sua carreira.


Compacto duplo francês de 1963: Maysa cantava em francês e gravava o clássico "Chega de Saudade", jamais registrado no Brasil.

Capa do compacto duplo português de 1968, lançado pela RCA Victor lusitana, para Maysa o público português era o mais carinhoso.


4 de março de 2010

Especial: Maysa na Sinfonia Carioca


Maysa na Sinfonia Carioca

Em 1960 Maysa seria convidada ao lado de grandes nomes da música brasileira como Jamelão, Ted Moreno, Luely Figueiró entre outros para o relançamento na gravadora Continental da clássica Sinfonia do Rio de Janeiro que imortalizaria a beleza da aclamada praia carioca nos versos ''Rio de Janeiro que eu sempre hei de amar/Rio de Janeiro, a montanha, o Sol, o mar''.


Obra de Billy Blanco e Tom Jobim, a grandiosa Sinfonia teria sua primeira versão em 1954 acompanhada de um time precioso de intérpretes nas vozes de Nora Ney, Doris Monteiro, Dick Farney, Elizeth Cardoso, Emilinha Borba e outros. Assim como sua primeira versão, o relançamento de 1960 apesar de imitar a primeira na pompa e no glamour, acabou se tornando um fiasco com pouquíssimas cópias vendidas. Nesta segunda versão coube a Maysa a interpretação de ''A Montanha'' e o ''O Morro'' canções antes confiadas á Emilinha Borba e Nora Ney respectivamente em sua primeira gravação.


Aqui você curte agora essa gravação pouquíssimo conhecida da discografia de Maysa, um verdadeiro tesouro para ávidos colecionadores! Viva MAYSA.


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Agradecimentos: Fotos gentilmente cedidas do acervo de um grande e querido amigo colecionador, muito obrigado!

1 de março de 2010

Coluna: Música da semana


Título:  Meu Mundo Caiu
LP: Convite para ouvir Maysa Nº 2 (1958)



Canecão apresenta Maysa (1969) - Trecho em medley com Demais e Preciso Aprender a Ser Só e medley com Tarde Triste e Ouça


Maysa (1966) - Trecho em medley com Demais e Preciso Aprender a Ser Só



Autora: Maysa
Análise:

Assim que começam a tocar os primeiros soberbos acordes de trombones de Meu Mundo Caiu já sabemos que essa não é uma canção qualquer. A música é o maior sucesso da carreira de Maysa, um dos maiores clássicos do samba-canção e também da música popular brasileira. Meu Mundo Caiu é uma canção arrasadora. É e a ‘ferida exposta a carne viva’, em seus versos Maysa admite que o mundo a sua volta caiu, mas ela continua altiva, de pé e se seu mundo caiu, ela há de aprender a levantar. Carro chefe de um LP irretocável de sucesso absoluto, Convite Para Ouvir Maysa nº 2, que é um disco antológico, célebre e muito comentado por tantos sucessos. Em Meu Mundo Caiu, Maysa mostra ser a maior expoente do gênero samba-canção, ela canta com muita segurança, embasbacando a todos, com arranjos elegantes de trombones a gravação mostra ter uma imponência espantosa. O título se tornou bordão nacional, foi sem dúvidas o maior hit de 1958. E se o mundo dela caiu, não se preocupe, pois ela aprendeu a levantar. Viva MAYSA!



PS: A música também foi registrada em medley com Demais e Preciso Aprender a Ser Só nos LPs, Maysa (1966) e Canecão Apresenta Maysa (1969). O LP do Canecão ainda contou com a música inteira em medley com Tarde Triste e Ouça.