27 de fevereiro de 2010

Coluna: Curiosidades


Maysa de A a Z, no Dia D


Maysa gostava de experimentar diferentes aventuras, tanto que embarcou numa de jornalista do programa Dia D, exibido pela Record Canal 7. O programa misturava reportagens, música e variedades, apresentado até então por Cidinha Campos. Após a saída de Cidinha o Canal 7 faria uma alternação de convidados para substituí-la, mas Maysa se saiu tão bem na primeira noite entrevistando Maria Bethânia, que passou a ser titular da atração já na semana seguinte. Maysa tomou gosto pelo novo ofício; o programa era imprevisível como ela. Em junho cobriu a noticia do assassinato do general Pedro Aramburu. Em julho em Lisboa, cobriu também com exclusividade o funeral do ditador Salazar. Uma semana Maysa entrevistava Dercy Gonçalves, em outra conversava com Augusto Rademarker, o vice do general Emilio Garrastazu Médici. Retratava curiosidades como o primeiro salão de beleza masculino no Brasil; ou reportagens investigativas, como o navio pesqueiro chinês, que aportou no Paraná com 21 tripulantes mortos. Embarcava também em reportagens curiosas e engraçadas como a do homem que jurava ter vindo de Netuno, ou do grupo de pessoas que morava dentro de uma caverna. A lista completa de entrevistados incluiria de Chacrinha inistro dos transportes Mário Andreazza; do Mazzaropi ao governador da Guanabara, Negrão de Lima; do governador de São Paulo, Abreu Sodré ao estilista Clodovil... Diversidade era o lema.


Mas no final da década de 60, um crime de extrema crueldade chocaria o mundo; tratava-se da chacina comandada pela psicopata Charles Manson com a ajuda de suas “discípulas”. Crime que ficou conhecido como chacina de Tate-Labianca. O mundo incrédulo esperava pelo julgamento. Em 1970 chegou o tão esperado julgamento de Manson. Então em agosto de 1970, diretamente dos Estados Unidos, uma inexperiente repórter foi cobrir o julgamento de Manson, exclusivamente para o Brasil. No crachá com a credencial, lia-se o nome “Maysa Monjardim”. O empenho de Maysa até causava dúvidas nos fãs de sua continuidade como cantora; mas eles podiam respirar aliviados, não iriam perdê-la para o jornalismo. O câmera Laerte Rosa, acompanhava Maysa em suas matérias e viagens. Maysa sentia grande admiração por Laerte, admiração essa que logo ganharia contornos de maior intimidade. Nas viagens dividiam os mesmos quartos de hotel... “A cantora Maysa está de romance novo, com o companheiro de tevê.”, anunciavam notinhas a respeito do caso com Laerte. Já em Los Angeles para a cobertura, ao lado de Laerte, Maysa não se preparou para entrevistar o advogado de defesa de Manson. Com a câmera pronta e com o microfone na mão, Maysa fez uma única pergunta:


“O que o senhor tem a dizer sobre o caso?”

“A senhora podia fazer uma indagação mais específica?” retrucou o advogado de Manson.

“Ah, fale qualquer coisa...”

Foi um vexame, assumiu a própria Maysa. A entrevista foi ao ar na íntegra. “Eu vi o teipe no Rio de Janeiro logo que cheguei de viagem e tive mesmo vontade de morrer.”, confessou “Se eu pudesse desligar o botão da minha televisão e tirar o programa do ar, teria tirado. Infelizmente a gente não viaja por conta própria, mas com o dinheiro dos outros. E o programa que dá mais ibope, não importa se bom ou ruim, eles levam ao ar. A tevê brasileira não existe para ser muito inteligente.”, desabafou Maysa.

Laerte e Maysa tinham vários planos para tevê, inclusive um filme, que nunca foi realizado. Mas não foram só projetos que não deram certo; o caso de Maysa e Laerte teve um trágico desfecho. Laerte entrou em coma nos braços de Maysa; havia tomado um coquetel alucinógeno misturado com álcool e os comprimidos para emagrecer da cantora. Foi demais para ele, Laerte veio a falecer no hospital, ao lado de Maysa. “Laerte morreu e, com ele, mais um pedaço de mim” anotou Maysa em seu diário. Cada vez mais Maysa foi se afastando do ofício, e para ela o programa perdeu o sentido sem Laerte. Os dias da cantora no Dia D não seriam os mesmos... Enfim, Maysa teve grandes realizações como apresentadora, algumas frustrantes, mas é isso que faz a diferença. Com certeza, Dia D foi daqueles programas de não sair de casa, pra não perder um só trecho! Acima de tudo, como disse Maysa: “o jornalismo é o futuro de tudo”.

25 de fevereiro de 2010

Coluna: Disco da semana


Maysa


Gravadora: RGE
Ano: 1957
Faixas:
1-   Se Todos Fossem Iguais a Você (Tom Jobim / Vinicius de Moraes)
2-   Ouça (Maysa)
3-   Escuta Noel (Maysa)
4-   To The End Of The Earth (J. Sherman / N. Sherman)
5-   O Que? (Maysa)
6-    Franqueza (Denis Brean / Oswaldo Guilherme)
7-    Segredo (Fernando Cesar)
8-   Un Jour Tu Verras (Van Parys / Mouloudji)

Análise:
 O Segundo disco de Maysa é impecável da primeira à última música. O disco trazia três canções de autoria de Maysa: "Ouça", "Escuta Noel" e "O Que?". A primeira seria o maior hit do ano de 1957, vendendo mais de 5 mil cópias e entrando para a história da música brasileira; "Ouça" embalou os romances de muitos casais apaixonados e outros separados nos Anos Dourados. "Escuta Noel" era uma singela homenagem ao poeta da Vila, um dos maiores ídolos de Maysa, nos versos "Sambista só sabe sambar pra grã fino e a poesia acabou", ela fazia uma clara crítica à sociedade da época. "O Que?" é sem dúvidas uma das melhores composições de Maysa. Além das três composições de sua autoria, o disco vinha com Se "Todos Fossem Iguais a Você", o primeiro sucesso de Tom Jobim e Vinicius de Moraes gravada por Maysa, logo, se tornaria um clássico do repertório da cantora. "Franqueza" se tornou um clássico da música brasileira e eternizada na voz de Maysa, tanto é que até hoje muita gente acredita que a letra é dele mesma. Em seguida vinha a delicada "Segredo", de Fernando César, a primeira composição de outro autor gravada por Maysa. Dando início ao seu famoso cosmopolitismo ao cantar em outros idiomas, ela incluiu duas canções estrangeiras no LP: um beguine - "To The Ends Of The Earth" de J. Sherman e N. Sherman, e "Un Jour Tu Verras", chanson  fraçaise, de Van Parys e Moloudji; a primeira se tornou um clássico na voz de Nat King Cole, interpretadA com muito glamour por Maysa. O segundo disco da cantora foi na verdade um trabalho de transição entre o primeiro e o próximo, que a consolidaria como a melhor e mais bem paga cantora do Brasil.

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22 de fevereiro de 2010

Coluna: Música da Semana


"Tema de Simone"


Autora: Maysa
LP: Compacto simples Tema de Simone (Philips - 1971)

Análise: 
Maysa compôs o Tema de Simone para a sua personagem homônima na novela O Cafona de 1971. Seus versos giram em torno dos temas vividos pela personagem e pelos temas que a telenovela abordava. Essa é sem dúvidas a letra mais inteligente e complexa de Maysa. Lançada em compacto simples, a letra era um poema musicado pela cantora, infelizmente essa seria sua última composição solo gravada. Tema de Simone fala de inúmeros temas: futilidade, solidão, beleza e angústia. É uma letra moderna e um tanto quanto enigmática, por vezes indecifrável. Sobretudo, é uma letra inteligente e que imprime uma enorme sensação de verdade. Maysa se mostra angustiada e confusa em alguns versos e já naquela época parece prever “Que somos todos juntos, que estamos todos juntos, na busca inútil de sermos separados", a solidão e o desespero que afligem o ser humano nos dias de hoje. É como uma profunda reflexão sobre nosso interior, uma reflexão sobre o ser humano. Não há como se auto questionar depois de ouvir essa gravação fulminante.


"Não sei que rosto
Eu vou usar de noite

Em qual desgosto
Eu vou curtir meu papo
Em que cordão eu vou
Eu vou sair sem hora
Pra que amor eu vou
Eu vou voltar errado
Se vou falar
Do meu cabelo longo
É bom saber se é moda
Morrer tão de repente
Ou se é melhor calar
Pra fazer hora
Pra dizer as coisas
Ou calar porque
O medo é geral
O medo é geral
Talvez melhor será
Fazer-me um quando
Pra olhar pras coisas
Dos desesperados
Que somos todos juntos
Que estamos todos juntos
Na busca inútil
De sermos separados."




20 de fevereiro de 2010

Especial: Maysa e a imprensa, uma relação conturbada


Maysa e a imprensa, uma relação conturbada

Hoje vamos falar um pouco da conturbada relação de Maysa com a imprensa nos anos 50. Uma relação famosa e polêmica, vamos contar e explicar um pouco dessa história várias vezes comentada! Logo após a separação de Maysa e André Matarazzo, no primeiro semestre de 1957, a mais nova estrela da música brasileira passou de queridinha a vítima da imprensa, em pouquíssimo tempo. Nunca um artista teve a vida tão devassada pela mídia como Maysa, foi algo espantador. A sociedade brasileira retrógrada e hipócrita dos anos 50 não admitia que uma mulher recém separada decidisse tomar as rédeas da própria vida na mão. Em pouco tempo Maysa virou saco de pancadas da mídia, à medida que seu espantoso sucesso crescia, ela era ainda mais agredida. Passaram a critica-la por absolutamente tudo, falavam mal de seu figurino, seu penteado, suas atitudes. Maysa virara o alvo predileto da imprensa marrom. Eram críticas maledicentes, maldosas, ultrajantes. Uma das coisas que mais provocava a língua venenosa da imprensa era que Maysa insistia em continuar com o mesmo comportamento e com as mesmas atitudes, tida por eles como condenáveis e repugnantes.

Acima de tudo Maysa era uma mulher verdadeira e obstinada, que tinha certeza de suas convicções e não se importava com os comentários maldosos dessa gente. Ela jamais mudou suas atitudes ou deixou de fazer o que queria por causa de maledicências ou fofocas, ela até se divertia com tantos mexericos! Colecionava todas as notinhas de jornais e revistas e seguia em frente como era de costume.

Com o tempo a situação só foi se agravando. Em 57 chegaram a dizer que Ouça, o hit do ano, era apenas um plágio descarado de Dream Lover de 1929 interpretado por Jeanete Mac Donald. Um impropério sem tamanho, pois tal acusação não tinha base nem fundamento e fugia totalmente do que se caracteriza um plágio.

Quando se pensa que a invasão de privacidade que as celebridades sofrem hoje em dia por parte da mídia é algo constrangedor, inaceitável, absurdo, é difícil imaginar que há 50 anos atrás a situação era ainda mais chocante e absurda. Maysa estampou várias manchetes e publicações de título sugestivo e deplorável como nas revistas Escândalo e Confidencial. Publicações que devassavam a vida de vários artistas com o único intuito de vender tiragens,fazer um sensacionalismo baixo e medíocre e que muitas vezes usavam mentiras descaradas. Vários diretores e redatores de tais revistas estiveram envolvidos em casos de chantagem com artistas. Em uma dessas publicações Maysa estampava a manchete com o seguinte texto: "MAYSA, a mulher que trocou o aconchego do lar pelo MUNDO DO VÍCIO". Mas não era só de sensacionalismo que as revistas abordavam sobre Maysa, várias publicações de qualidade e seriedade incontestáveis como nas revistas Manchete, O Cruzeiro e outras rendiam várias páginas exaltando o sucesso e o talento incontestável de cantora, edições que marcaram época com ensaios fotográficos de página inteira com destaque para os aclamados olhos verdes de Maysa.

Uma das críticas mais pertinentes e maldosas que a imprensa insistia em fazer era julgar o modo como Maysa se apresentava diante das câmeras e até sobre seu penteado, famoso pelo leve desalinho. Chegavam á dizer que Maysa encarava o público com um olhar arrogante e desafiador, que o sucesso lhe subira a cabeça e que a platéia não merecia o semblante de desprezo da cantora. Sobre isso, certa vez diante das câmeras Maysa lançou uma frase célebre com sua peculiar acidez ao fim do programa: "Gostaram? Se não gostaram não tem problema, porque semana que vem vai ser a mesma coisa! Boa noite". Nos dias seguintes choveriam críticas e comentários sobre a frase. Eram coisas como essa que atiçavam a imprensa e fazia com que Maysa se tornasse um alvo fácil e predileto para a mídia.

Em 1958, Maysa se tornaria a maior e mais bem paga cantora do Brasil. Nesse ano as coisas pioraram totalmente de figura, ao mesmo tempo que a crítica celebrava o sucesso extraordinário de Meu Mundo Caiu e do LP Convite Para Ouvir Maysa Nº2, a mídia insistia em agredir Maysa de todas as formas! Todas as suas atitudes passaram a virar manchete de jornal, com títulos maledicentes. A cantora virara o alvo predileto da famosa coluna Mexericos da Candinha da Revista do Rádio. Ali, o assunto predileto era criticar o figurino, o penteado e o excesso de peso de Maysa (fato que se agravaria com o tempo) parecia um complô contra ela, a cada vez os comentários iam ficando mais maldosos e cruéis contra a cantora. Suas tentativas de suicídio viravam manchetes escabrosas para os jornais que viraram assuntos para dias á fio.

A situação piorou ainda mais após o acidente de carro com Maysa na Avenida Atlântica em Copacabana no final de 58. O episódio daria manchetes e publicações por semanas ininterruptas. Assim que a cantora pode retomar as atividades cotidianas, viu-se as cicatrizes que o acidente lhe provocara, á partir daí começaram a atirar chumbo grosso contra Maysa. Foram várias as piadas e comentários maldosos sobre seu peso -o ponto fraco da cantora- e as cicatrizes do acidente. Em 59 Maysa chegou á beirar os 90 kilos, algo que atiçava a imprensa com notinhas cruéis , começaram á chamá-la descaradamente de gorda, alcoólatra, infeliz, especulava-se sobre seus namorados, sobre seus problemas com o álcool e até questionava-se sua sanidade mental. A situação havia atingido um ponto insuportável, até para a própria Maysa, não mais mediam palavras, eram críticas mentirosas, cruéis, grosseiras, maldosas, dolorosas. Parecia que queriam destruir-la completamente.

Pouco depois, no primeiro semestre de 1959, Maysa embarcaria em busca de paz e descanso para a Europa, de fato, até o começo dos anos 60 Maysa ainda daria muita manchete maldosa para a imprensa. Esse foi um dos motivos dos quais ela passou quase toda década de 60 no exterior excursionando pelo mundo. Mas a cantora já fazia falta e quando, depois de idas e vindas, retornou definitivamente em 69 e todos a receberam como uma deusa, como a grande diva da música brasileira que ela é. Dali por diante Maysa seria e é tratada até hoje como um mito que entrou para a história do país. Uma vida cheia de quedas e reconstruções, mas sempre Maysa soube se levantar. Viva MAYSA!



"Escândalo": uma das tantas publicações de baixíssimo nível que exploravam Maysa na capa.



Edição histórica de "O Cruzeiro". A foto da capa seria escolhida pouco tempo depois para ser capa do famoso LP Convite Para Ouvir Maysa nº 2.


A primeira capa de Maysa na revista Manchete. Fotos como esta se tornaram marcos do foto-jornalismo, iniciando o destaque para os olhos de Maysa.

18 de fevereiro de 2010

Coluna: Disco da Semana


Maysa


Ano: 1963
Gravadora: Barclay
Faixas:
1-   Les Inconscients (Eddy Marnay / Guy Magenta)
2-   Fin du Jour (Eddy Marnay e Guy Magenta)
3-   100.000 Chansons (Eddy Marnay / Michel Magne)
4-   Chega de Saudade (Tom Jobim / Vinicius de Moraes)

Análise:
No início de 1963, o sucesso e a repercussão da apresentação de Maysa na mítica casa de espetáculos parisiense Olympia, faria com que ela fosse convidada a gravar um disco na famosa gravadora francesa Barclay. Era um compacto duplo com quatro canções, duas de cada lado, três canções francesas, duas, da dupla Eddy Marnay e Guy Magenta e uma último de Marnay em parceria com Michel Magne, e por último o clássico da bossa nova "Chega de Saudade", de Tom Jobim e Vinicius de Moraes. Maysa cantou acompanhada da orquestra de Franck Aussman. A cantora gravou a contagiante bossa em francês "Les Inconscients", com um magnífico acompanhamento de violão; em seguida vinha a melancólica "Fin du Jour";  a terceira canção era "100.000 Chansons", música que estrou no disco oficial da trilha sonora do filme Le Repôs du Guerrier (no Brasil, O Repouso do Guerreiro), de Roger Vadim, estrelado pela sex-symbol Brigitte Bardot. Por fim, Maysa interpretou o clássico "Chega de Saudade", numa única gravação histórica, jamais lançada no Brasil. O disco era esplêndido. Maysa interpretava com delicadeza as chansons françaises, com muita emoção como em todas as suas gravações. Sua pronúncia em francês era perfeita, com total ausência de sotaque. Infelizmente o álbum jamais foi lançado no Brasil, se tornando uma preciosidade para colecionadores fanáticos.


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15 de fevereiro de 2010

Coluna: Música da semana


Título: Bonita

LP: Ando só numa multidão de amores (1970)



Autor: Tom Jobim / Ray Gilbert (versão para a língua inglesa)

Análise:

O clássico de Tom Jobim, com tradução para o inglês de Ray Gilbert, ganhou uma versão moderna e sofisticada na voz de Maysa. Poucos sabem, mas a cantora era poliglota e tinha uma fluência perfeita em inglês, francês, espanhol e italiano. Maysa tinha uma ótima dicção e por isso cantava sem sotaque, resultando no seu já famoso cosmopolitismo. Bonita é daquelas canções que se ouve uma vez e nunca mais se esquece, é singela, delicada e suave. A música ganhou ainda mais beleza na voz arrebatadora de Maysa. Nona faixa do antológico LP Ando Só Numa Multidão de Amores de arranjos suaves e sofisticação espantosa, onde Maysa conquista todos os ouvintes em uma interpretação encantadora e estonteante. A canção se integra perfeitamente ao conjunto moderno, calmo e romântico do disco, Bonita pode ser perfeitamente um auto-retrato da própria Maysa como diz os seus versos em português: "...Bonita, não tenha medo de se apaixonar por mim, eu te amo! Eu falo, eu te amo! Bonita...". Viva MAYSA!



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13 de fevereiro de 2010

Coluna: Disco da Semana


Convite Para Ouvir Maysa Nº 2


Gravadora: RGE
Ano: 1958
Faixas:
1-   Meu Mundo Caiu (Maysa)
2-   No Meio Da Noite (J. M. da Costa / Aloysio Figueiredo)
3-   Bronzes e Cristais (Nazareno de Brito / Alcyr Pires Vermelho)
4-   Por Causa de Você (Dolores Duran / Tom Jobim)
5-   Bom Dia Tristeza (Adoniran Barbosa / Vinicius de Moraes)
6-   Felicidade Infeliz (Maysa)
7-   Bouquet de Izabel (Sérgio Ricardo)
8-   Mundo Novo (Maysa)
9-   E a Chuva Parou (Ribamar / Esdras Pereira da Silva / Victor Freire)
10- Caminhos Cruzados (Tom Jobim / Newton Mendonça)
11- Meu Sonho Feliz (Nanai)
12- Diplomacia (Maysa)

Análise:
Convite Para Ouvir Maysa nº 2 é um disco único e absoluto na carreira de Maysa, que lhe podem ser atribuídos vários ‘recordes’: foi o primeiro LP de doze polegadas da cantora, o recordista de vendas e de sucessos, suas músicas eram incessantemente tocadas nas rádios no ano de 1958; através dele, Maysa se tornou a mais bem paga e a maior cantora do Brasil. Era musicalmente irretocável, e até a capa era antológica; foi tirada de uma sessão de fotos de Indalécio Wanderley para a revista O Cruzeiro, a foto marcou época e deixou e terminou por coroar o álbum com um ar ainda mais soberano do que já possuía. Seu carro chefe era "Meu Mundo Caiu", de autoria da própria Maysa, o maior sucesso de sua carreira e uma das músicas mais executada do ano de 1958; definitivamente, um clássico do cancioneiro popular do Brasil. O disco vinha com três composições de Maysa além de "Meu Mundo Caiu", pelo menos duas dessas se tornaram grandes sucessos, são as clássicas "Felicidade Infeliz" e "Diplomacia". Outras interpretações de destaque são "Bronzes e Cristais", "Por Causa de Você" e "Bom Dia, Tristeza", "Bouquet de Izabel" e "Caminhos Cruzados"; todas são versões definitivas. Musicalmente o LP era irretocável, seus sucessos permaneceram meses nas paradas. Troféu Chico Viola por Melhor Disco do Ano de 1958. 

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9 de fevereiro de 2010

Coluna: Música da semana


"O Barquinho"


Autores: Ronaldo Bôscoli / Roberto Menescal
LP: Barquinho (1961)

Análise:
 A ensolarada e inovadora "O Barquinho" daria o que falar na vida e na carreira de Maysa. A música é uma composição de Roberto Menescal e Ronaldo Bôscoli, dois dos maiores expoentes da bossa nova. Este clássico é um dos maiores sucessos do gênero bossa nova, e teve sua primeira gravação na voz de Maysa, e não de Nara Leão ou qualquer outro intérprete, como muitos acreditam. É uma canção ensolarada, pacífica, alegre, que tem literalmente um frescor que nos faz lembrar um dia no sol na praia, com um belo mar azul, por exemplo. O arranjo suave e o divino piano dedilhado por Luiz Eça, nos faz lembrar o mar e suas ondas. Sem dúvidas, é uma dos maiores clássicos na voz de Maysa.

7 de fevereiro de 2010

Curiosidades: Maysa na terra do sol nascente


Maysa na terra do sol nascente

Maysa foi a primeira artista brasileira a por os pés na terra do sol nascente. Ela foi procurada pela Real Aerovias – uma das principais companhias aéreas nacionais da época – para participar como convidada ilustre do voo  inaugural Rio de Janeiro - Tóquio; em julho de 1960. (Dona Inah, mãe de Maysa, foi-lhe fazendo companhia).

Ficou agradecida e orgulhosa por ter sido a pioneira de tamanha proeza, porém, ficou muito insatisfeita com o resultado de sua apresentação dos dois números “Meu Mundo Caiu” da própria Maysa, e “Manhã de Carnaval” de Antônio Maria e Luiz Bonfá. – afinal, os playbacks gravados pela orquestra japonesa não conseguiram reproduzir os arranjos originais de Simonetti. Ao final da apresentação, Maysa fez questão de esclarecer o que havia acontecido:

“Estou muito emocionada de estar aqui, pois soube que sou a primeira cantora brasileira a cantar aqui no Japão. Correto?” indagou ao intérprete.

“Correto” ele respondeu.

“Mas os dois playbacks que vocês ouviram agora foram gravados aqui no Japão. Por isso, eles também não correspondem ao som que as pessoas conhecem lá no Brasil. Muito obrigada.” Depois de esclarecer, saiu de cara amarrada, deixando o apresentador com cara de tacho.

Apesar das circunstâncias, Maysa deu um show de interpretação como sempre.

"Meu Mundo Caiu"


"Manhã de Carnaval"



(Fonte de pesquisa: Maysa - Só numa multidão de amores de Lira Neto)

4 de fevereiro de 2010

Coluna: Disco da semana


Maysa, Amor...e Maysa



Gravadora: RGE
Ano: 1961
Faixas:
1-   Estou Para Dizer Adeus (Benil Santos / Raul Sampaio)
2-   Quem Quiser Encontrar o Amor (Carlos Lyra / Geraldo Vandré)
3-   Quizás, Quizás, Quizás (Osvaldo Farrés)
4-   Chorou Chorou (Luiz Antônio)
5-   I Love Paris (Cole Porter)
6-   Raízes (O. Guilherme / Denis Brean)
7-   Murmúrio (Djalma Ferreira / Luiz Antônio)
8-   Bésame Mucho (Consuelo Velazquez)
9-   È Facil Dizer Adeus (Tito Madi)
10-  Chão de Estrelas (Silvio Caldas / Orestes Barbosa)

Análise:
A definição geral para Maysa, Amor...e Maysa é só uma: eclético; além de um enorme presente para seus fãs fiéis, o LP é um verdadeiro tesouro por abrigar em uma só leva, clássicos de estilos totalmente distintos como "Quem Quiser Encontrar o Amor", "I Love Paris" e "Chão de Estrelas". O disco abre com o samba-canção "Estou Para Dizer Adeus". Segue a bossa contagiante de "Quem Quiser Encontrar o Amor", um clássico interpretado com muita ginga por Maysa. Logo depois vinha o provocante bolero "Quizás, Quizás, Quizás", numa interpretação sensual e glamourosa de Maysa. O próximo destaque era a jazzística "I Love Paris" - uma declaração de amor à capital francesa, numa interpretação irresistível. Também são dignas de nota as faixas "Bésame Mucho" e "Raízes" - bolero e samba-canção, respectivamente. A última faixa do LP era também sua maior preciosidade, por ela valia o disco inteiro - "Chão de estrelas" - numa interpretação dramática, agressiva, magistral e histórica de Maysa, não é à toa que tornaria um dos maiores clássicos de sua carreira.

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3 de fevereiro de 2010

Especial: Maysa e a Bossa Nova

Maysa e a Bossa Nova

Hoje vamos falar um pouco sobre o famoso e conturbado relacionamento de Maysa com a nova onda, a Bossa Nova! Vamos tentar explicar e contar um pouco desse tórrido relacionamento. Maysa é com certeza a maior injustiçada da bossa nova, a "Rainha da Fossa" é poucas vezes apresentada como uma das pioneiras do movimento, o que é a mais pura verdade. Maysa não só cantou o amor, o sorriso e a flor, como também foi uma das primeiras grandes estrelas da música á cantar a nova onda, estando seu nome intimamente ligado ao novo rítmo. Maysa já cantava composições da memorável dupla Tom Jobim e Vinícius de Moraes desde seu segundo LP de 1957 com Se Todos Fossem Iguais a Você. A cantora eternizaria em sua voz interpretações de clássicos do ritmo como Meditação, O Barquinho, Água de Beber, Quem Quiser Encontrar o Amor, Nós e o Mar entre várias outras. Mas o flerte de Maysa com a bossa nova ficaria cada vez mais forte com a década de 60 e o ínicio de seu namoro com Ronaldo Bôscoli, um dos maiores nomes e compositores da bossa nova. O namoro daria muito pano para manga. Maysa caiu na vida de Bôscoli literalmente do ar, quando na então inóspita praia da Barra da Tijuca, ela chegou de helicóptero, fazendo um estardalhaço próximo a um barzinho onde ele estava. Bôscoli era um cafajeste legítimo, charmoso, que na época namorava a então desconhecida e futura musa da bossa nova: Nara Leão. No segundo semestre de 1961, Maysa faria uma turnê antológica em Buenos Aires acompanhada de Bôscoli e a turma da bossa nova. Nas apresentações no famoso King’s Club da capital portenha, Maysa seria a primeira cantora brasileira a cantar a bossa nova fora do Brasil, além disso a temporada seria recheada de histórias famosas de brigas entre Maysa e Bôscoli, escândalos em hotéis e verdadeiros combates entre os dois com direito a arsenais de bombinhas e um desfecho digno de cena de Hollywood. Logo após a conturbada temporada em Buenos Aires, seria lançado no Brasil pela Columbia um dos mais comentados e polêmicos discos de Maysa, Barquinho. Produzido por Ronaldo Bôscoli o primeiro disco de Maysa totalmente de bossa nova continha arranjos leves e suaves, das mãos de Luiz Eça, Roberto Menescal e Luiz Carlos Vinhas. Em que Maysa interpretava de um modo nunca antes visto. Foi uma chuva de críticas! Acusaram Maysa de tudo, de estar renegando o samba canção e até de estar tentando embarcar na nova onda para fugir do ultrapassado samba canção. Até amigos da cantora tacaram o pau, o próprio Antonio Maria faria uma crítica pesadíssima a Maysa, era uma guerra declarada. Incompreendido e alvo de tantas críticas o disco tornou-se um insucesso e uma grande dor de cabeça para Maysa. Porém, engana-se quem pensa que sua tavessia pela nova onda foi um naufrágio, Maysa deixou uma imensa contribuição para a bossa nova, infelizmente muitas vezes esquecida. Mas suas ótimas interpretações devem ser celebrizadas, poucos sabem mas foi Maysa a primeira á gravar a antológica O Barquinho de Bôscoli e Menescal muito antes de qualquer outra suposta gravação. Também foi Maysa a maior divulgadora da bossa nova no exterior, em suas inúmeras excursões pelo mundo. O sucesso da bossa, tem uma dívida eterna com Maysa. Maysa também é bossa. Viva Maysa!



Maysa e Ronaldo Bôscoli. Um tórrido relacionamento que daria muito pano para manga.



Maysa em versão bossa nova. A praia da Barra da Tijuca era um paraíso e o principal refúgio de Maysa nos anos 60.

Capa de "Barquinho". Ensolarado e inovador, o primeiro LP totalmente de bossa nova de Maysa renderia muitas críticas e dores de cabeça à cantora.


1 de fevereiro de 2010

Coluna: Música da Semana


Título: "Tarde Triste"
LP: Convite Para Ouvir Maysa (1956)



Canecão Apresenta Maysa (1969 – Ao vivo)



Autora: Maysa
Análise:

A interpretação melancólica e triste de Maysa para um dos maiores clássicos de sua carreira e da MPB nos faz viajar. Nos leva ás nossas tardes ou aos nossos dias também tristes e melancólicos comum a todo ser humano, a música meche muito com os meus, com os nossos sentimentos. Nesse que é o primeiro grande sucesso de Maysa, ela já demonstraria ser a musa da canção intimista com suas interpretações intensas e verdadeiras. "Tarde Triste" faz parte do primeiro LP da cantora, lançado a mais de 50 anos. Exclusivamente com composições suas, o disco marcaria sua estréia na carreira musical e é um verdadeiro marco da MPB por abrigar em uma só safra canções clássicas como a própria "Tarde Triste" e também "Resposta", "Adeus", "Agonia" e outras. A música dessa semana foi o primeiro grande sucesso de Maysa, provavelmente composto em alguma tarde triste melancólica de um período de sua vida, que também meche com os sentimentos de nós ouvintes, dor, sofrimento, tristeza, saudades de um amor perdido!A música também foi registrada numa versão ao vivo no arrebatador show do Canecão. Isso é "Tarde Triste". Viva Maysa!