9 de julho de 2013

Especial: versão alternativa de "O Barquinho" (1968)


Versão alternativa de "O Barquinho" 




Há pouco tempo abri a caixa de e-mails do blog e me deparei com um e-mail diferente, tratava-se de um link para baixar um disco de Maysa. A princípio, nada de diferente, nada de anormal nisso. A seguir, baixei o disco, tratava-se de uma coletânea internacional de Maysa – atípico – agora, adivinhem qual não foi minha surpresa ao ouvir o disco abrindo com uma versão até então completamente desconhecida de “O Barquinho”, de Roberto Menescal e Ronaldo Bôscoli; música gravada por Maysa no disco Barquinho de 1961.

Nunca antes tinha ouvido falar de Maysa ter gravado uma segunda versão de “O Barquinho”, e tenho razões de sobra para acreditar que também é desconhecida do grande público, porque nunca deve ter sido lançada em disco no Brasil; portanto, vou agora tentar explicar sua origem.

Para começar, extraí este trecho do capítulo 13 da biografia Maysa – só numa multidão de amores escrita por Lira Neto: 
“A exemplo de argentinos e uruguaios, os peruanos tiveram o privilégio de contar com uma edição nacional do lendário LP gravado pela Columbia norte-americana, Maysa sings songs before dawn. Com sua chegada ao país, a subsidiária local da RCA Victor também mandou prensar de imediato uma coletânea. O disco reunia vários sucessos como “Ne me quitte pas”, “O barquinho”, o afro-samba “Canto de Ossanha” e “Just in time”. Incluía ainda uma gravação inédita de “Berimbau”, de Vinicius de Moraes e Baden Powell, que ela havia gravado na Espanha e, adivinhem, também nunca foi lançada no Brasil.”

Portanto, podemos tirar algumas conclusões a partir da leitura deste pequeno trecho – a dita coletânea era um relançamento do disco da cantora gravado no ano anterior – 1966 – pela gravadora RCA Victor; a exemplo de “Berimbau”, esta segunda versão de “O Barquinho” também fora gravada na Espanha; pelas coordenadas dadas na biografia, a coletânea foi lançada no ano de 1968, durante a turnê de Maysa pela América Latina. Agora, vamos a algumas considerações obtidas a partir do texto da contracapa da coletânea, escrito pelo diretor assistente, gerente de produção e ator argentino Enrique Bergier.

[...] Graças a RCA, nosso público tem a oportunidade de descobrir e compartilhar o mito MAYSA MATARAZZO. E nada melhor que a seleção das composições deste LP, para descobrirmos suas justificativas. Maysa, entre outras coisas, “inventou” a Bossa Nova. Quando em 1958, ao começo de sua carreira e com audácia inesperada, grava esta fabulosa canção que se chama BARQUINHO, incorpora ao ritmo do samba brasileiro, a magia do swing. E assim começa uma nova forma, um novo eco musical que como um ciclone envolve ao mundo com uma nova realidade que tem sido e é hoje – mais que nunca – MAYSA. Neste LP temos a ocasião de um novo e belíssimo arranjo daquele eterno sucesso. [...]"

Esta segunda estrofe do texto nós dá mais algumas informações – como já foi observado inúmeras vezes, Maysa era tida no exterior como a grande cantora brasileira que foi e respeitada como uma pioneira e divulgadora da Bossa Nova pelo mundo; Maysa teria re-gravado “O Barquinho” visando exclusivamente o mercado latino, visto que a coletânea que levou seu nome – Maysa Matarazzo – também foi lançada na Argentina.

Desfeito o mistério, podemos agora apreciar esta releitura de
“O Barquinho”, registrada mais de cinco anos depois da primeira versão. É fácil observar o quanto à voz de Maysa se transformou nesses anos, e como sua interpretação de Bossa Nova evolui – neste sentido, para muito melhor. Em comparação, a versão de 1968 é muito mais gingada que a bossa de 1961; Maysa também canta de maneira muito mais descontraída, leve e despojada – há malemolência em sua voz. A orquestração é grandiosa, mas o arranjo é competente e os músicos estrangeiros conseguiram executar com louvor o compasso da bossa brasileira. Enfim, é puro deleite.



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3 comentários:

  1. Linda essa versão! Se não me engano, o início dessa música foi tocada na minissérie, a parte instrumental.

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    1. Eu também adorei essa Versão, nunca tinha ouvido, muito emocionante!!

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  2. Realmente Paulo Henrique, essa versão tocou na minissérie. Muito Linda

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